Bicho-de-pé

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Como ler uma caixa taxonómicaBicho-de-pé
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Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Siphonaptera
Família: Tungidae
Género: Tunga
Espécie: T. penetrans
Nome binomial
Tunga penetrans
Linnaeus, 1758

O bicho-de-pé é um inseto sifonáptero (Tunga penetrans) da família dos tungídeos, de presumida origem sul-americana, relativamente comum nas zonas rurais. É o agente causador da tungíase: a fêmea fecundada penetra na pele do homem ou de outros animais, causando forte coceira e ulceração que pode servir como porta para infecções de agentes patogênicos como o Clostridium tetani, causador do tétano.

Sinônimos[editar | editar código-fonte]

Também conhecido como: Batata baroa, bicho, bichô, bicho-de-cachorro, bicho-de-porco (ou bicho-do-porco), bicho-boco, bicho-do-pé, bitacaia, chique, chitacaia, dengoso, espinho-de-bananeira, esporão, jatecuba, matacanha ou bitacaia (Angola e Moçambique), djigan (Guiné-Bissau), moranga, nígua (Portugal), olho-branco, olho-de-pinto, pique, piolho-de-faraó, pitxoca/pitxoka, pulga-da-areia,[1] pulga-de-bicho, pulga-do-porco, pulga-penetrante, sico, taçura, taçuru, tatarné, tuçuru, tunga, tunguaçu, vitacaia, xiquexique, xíquia, zunga, zunge, zunja.

Características[editar | editar código-fonte]

Esse inseto pertence à ordem das pulgas (Siphonaptera) e, como elas, não tem mais que um milímetro de comprimento. Tem a cor vermelho-amarronzada, e ganhou seu nome popular por penetrar na pele humana, em especial entre os dedos do , onde ela é mais fina e tenra, mas também nas mãos, na sola do pé e calcanhar. Quem anda descalço em áreas infestadas pelas larvas do inseto - normalmente lamaçais e terrenos arenosos, como currais, chiqueiros e praia, em locais quentes, sombreados e secos - é, portanto, sua vítima preferencial.[2]

Na realidade, apenas a fêmea grávida invade o organismo dos animais, como humanos e porcos, para nutrir-se de sangue enquanto desenvolve os ovos. A coceira é causada por uma substância que o bicho-de-pé usa para furar a pele. A fêmea geralmente morre após colocar os ovos, e recomenda-se que ela seja removida para evitar inflamações, úlceras e infecções. Há casos de infecção que não foram tratadas e que levaram a doenças como tétano, gangrena e até a amputação dos dedos. O inseto pode ser encontrado em quase todo o continente americano.[1]

Temido inimigo[editar | editar código-fonte]

Na época colonial, as pessoas que se aventuraram pelo interior do Brasil relataram suas penosas experiências ao serem atacadas pelo bicho-de-pé. Entre eles, destacaram-se o frade franciscano André Thevet (1502-1590), o francês Francisco Pyrard, de Laval (1578-1623), Richard Fleckno (c.1600-1678?), o capitão francês Chancel de Lagrange (1678-1747), o alemão Príncipe Maximiliano zu Wied-Neuwied (1782-1867), o botânico, naturalista e viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, o escritor, geógrafo, antropólogo, explorador e agente secreto britânico Sir Richard Charles Burton, entre outros. Aparece também no romance de Gilberto Freire (1900-1987) Dona Sinhá e o Filho do Padre e no Campo Geral (conto Manuelzão e Miguilim) de Guimarães Rosa.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b O que é bicho-de-pé? Mundo Estranho. Visitado em 9 de outubro de 2014.
  2. Paula Louredo. Bicho-de-pé Escola Kids. Visitado em 9 de outubro de 2014.
  3. Cavalcante, Messias Soares. A verdadeira história da cachaça. São Paulo: Sá Editora, 2011. 608p. ISBN 9788588193628
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