Cadência

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Cadência, na teoria musical ocidental, é uma série particular de intervalos, ou acordes (progressão de acordes ou intervalos) que finalizam uma frase, seção ou obra musical. Cadências dão às frases um final próprio, que pode, por exemplo, sugerir ao ouvinte se a peça continuará ou se concluiu. Uma analogia pode ser feita em relação à pontuação, com algumas cadências mais fracas funcionando como vírgulas, indicando uma pausa ou descanso momentâneo, enquanto que uma cadência mais forte irá atuar como o ponto, indicando o final de uma frase ou sentença musical. Cadências são consideradas “fortes” ou “fracas” de acordo com a sensação de finalização que elas criam. Enquanto que cadências são geralmente classificadas pelo uso um acorde específico ou progressões melódicas específicas, o uso de tais recursos não indicam necessariamente uma cadência—deve haver um sentido de finalização, como o final de uma frase. O ritmo harmônico tem um papel essencial na determinação de onde uma cadência ocorre. Geralmente há um decréscimo no valor das figuras rítmicas, sendo o acorde ou nota final da cadência uma nota mais longa que as demais. Todavia, mesmo em peças como moto perpétuos possuem cadências.

Na teoria harmônica tonal, a cadência propriamente dita são os dois últimos acordes da frase ou da sentença. Quatro são os tipos mais comuns:

  • Cadência perfeita;
  • Cadência interrompida ou de engano;
  • Cadência imperfeita e
  • Cadencia de Picarda.

História[editar | editar código-fonte]

No cantochão, a cadência era o nome do movimento que a melodia fazia para terminar. Ela indicava em qual modo a peça estava, ao atingir sua nota final (fundamental) por grau conjunto.

Na música medieval, cadências são baseadas em díades ao invés de acordes. A primeira menção teórica de cadência vem da descrição de Guido D'Arezzo no Micrologus. D'Arezzo utiliza essa expressão para designar o final de uma frase numa polifonia a duas vozes, na qual as duas frases convergem para um uníssono.

A alteração ascendente em um semitom da última nota do modo na chamada música ficta enfatiza ainda mais sua fundamental, criando para aquela a função de sensível. Assim, no chamado modo dórico, por exemplo, o dó sustenizado no final da melodia enfatizará ainda mais a fundamental do modo, que é . Com a invenção da polifonia, as cadências finais ficam ainda mais veementes ao assinalar a conclusão das peças. Este será o começo da transição do idioma modal para o tonal.

Tipos de Cadências[editar | editar código-fonte]

Para se familiarizar com os tipos de cadências é necessário compreender os graus das escalas tonais. Estes são referidos por algarismos romanos:

Cadências conclusivas[editar | editar código-fonte]

Cadência Perfeita[editar | editar código-fonte]

Também conhecida como ponto final ou cadência autêntica. É a cadência normal de conclusão de uma peça musical, dando, a quem ouve, a sensação de finalização da frase. É formada pelos acordes de dominante (V) e tônica (I). Exemplo na tonalidade de Dó Maior: Sol - Dó

Cadência Plagal[editar | editar código-fonte]

Também utilizada nas finalizações das obras musicais, a cadência plagal é conhecida como a cadência do amém, por ser utilizada para harmonizar esta palavra no final dos hinos. É formada pelos acordes de subdominante (IV) e tônica (I). Exemplo na tonalidade de Lá menor: Ré - Lá

Cadência Imperfeita[editar | editar código-fonte]

A única diferença entre a cadência imperfeita e a perfeita está no estado dos acordes, ou seja, na voz inferior do acorde final soará a terça ou a quinta da tônica. Na cadência Autêntica imperfeita CAI,o acorde final tem como característica o soprano indo para outro grau diferente da tônica. Por exemplo, na tonalidade de Dó Maior (C E G C), a cadência do quinto grau (G B D G)tem como resolução I (C E G), sendo o soprano na terça do acorde e não na tônica (C), como seria na cadência perfeita.

Cadência Picarda[editar | editar código-fonte]

A Cadência Picarda ou Cadência Picardia é característica das tonalidades menores. A resolução é feita dominante - tónica, sendo o acorde da tónica Maior. Exemplo: Algumas obras do período clássico e posteriores começam tipicamente em tom menor e terminam em maior, ou pelo menos num acorde maior. Se o tema musical está na tonalidade de Ré menor, seu acorde final, isto é, sua "resolução final", será feita pelo acorde tônico da tonalidade homônima maior , logo, esse acorde final será o acorde de Ré maior.

Desta cadência provém o termo "Terceira Picarda" "Terça Picarda" ou "Terça de Picardia", que é a prática de terminar os temas com a terça maior (acorde maior) ao invés de menor (no modo menor). A palavra "Picardia", neste sentido, significa travessura, pelo fato de substituirem a terça menor do acorde tônico da tonalidade(menor)por uma terça maior. Por Exemplo, se a Peça é em "Am", finalizamos a frase final da música (normalmente com 5-1)com "A".

Cadências não conclusivas[editar | editar código-fonte]

Cadência à Dominante ou Cadência Suspensiva[editar | editar código-fonte]

Também chamada de meia cadência ou ponto de continuação ou cadência suspensiva. Com o efeito similar ao de uma vírgula, ela é construída ao se colocar praticamente qualquer acorde diatónico, mas, mais frequentemente o de tônica (I), supertônica (II) ou subdominante (IV), concluindo no acorde de Dominante (V).

Cadência Interrompida[editar | editar código-fonte]

A cadência interrompida ou de engano deixa a sensação de que a música está sendo interrompida, pois o compositor cria a expectativa de resolver a frase em uma cadência perfeita (V - I), no entanto, finaliza não com o acorde de tônica, mas sim com o de superdominante (VI).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]