Canal Mar Branco–Báltico

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Mapa do canal Mar Branco-Mar Báltico.

O Canal Mar Branco–Mar Báltico (em russo: Беломорско-Балтийский канал - Belomorsko-Baltíyskiy Kanal (BBK) é um canal de navegação para navios que une o mar Branco com o mar Báltico perto de São Petersburgo. Foi inaugurado em 2 de agosto de 1933. O seu nome original era Belomorsko-Baltíyskiy Kanal ímeni Stálina, "Canal Mar Branco-Mar Báltico em nome de Estaline" e é conhecido pela abreviatura Belomorkanal. Construído por prisioneiros do gulag, a sua realização custou a vida, segundo V. N. Zemskov, a 10 933 pessoas[1] e segundo Applebaum a cerca de 60 000 prisioneiros [2] . A mortalidade estimada é de aproximadamente 8.7%.[3] Muitos mais ficaram doentes ou feridos.

O canal estende-se ao longo de vários rios e dois grandes lagos, o lago Onega e o lago Vyg. O seu comprimento total é de 227 km. Na atualidade, a sua utilidade económica é limitada, devido à pouca profundidade (c. quatro metros, muitas vezes 3,60 m) que impede os barcos de grande calado de o utilizarem.

O canal tem cinco barragens e 19 eclusas[4] .

Construção[editar | editar código-fonte]

Construção do Belomorkanal: prisioneiros do Gulag eram forçados a trabalhar sob condições dificílimas.
Construção do canal no verão de 1932

A construção iniciou-se em 1931 e durou 20 meses, praticamente sem meios mecanizados, sendo dirigida por Naftaly Frenkel. Para aumentar a mão-de-obra, trouxeram-se prisioneiros do campo de trabalhos forçados da ilhas Solovetsky, no mar Branco.

A União Soviética apresentou o canal como um grande êxito do primeiro plano quinquenal.

Os soviéticos retrataram o projeto como prova da eficiência do Gulag. De facto, o canal constituiu o primeiro projeto importante feito com mão-de-obra dos campos de trabalho do Gulag. Estima-se que poderão ter trabalhado nela 150 000 detidos, com o intuito de "reeducar os criminosos através de trabalhos corretivos". Cartazes de propaganda agitprop eram usados para motivar os prisioneiros durante a construção. Afirmavam "Soldado do exército do canal! O calor do teu trabalho irá derreter a tua pena de prisão!

Uma visita cuidadosamente preparada e ocorrida em agosto de 1933 ao recém-inaugurado canal escondeu o pior da brutalidade a um grupo de 120 escritores e artistas russos, a chamada "Brigada dos Escritores", que incluiu Maxim Gorky, Aleksey Nikolayevich Tolstoy, Viktor Shklovsky e Mikhail Zoshchenko, que compilaram textos de louvor à obra num volume de 600 páginas O Canal Mar Branco-Báltico de Estaline (em russo: Беломорско-Балтийский канал имени Сталина), publicado em finais de 1934.

Entre os muitos prisioneiros célebres que foram obrigados a participar nos trabalhos forçados da construção do canal encontravam-se Mikhail Bakhtin, Varlam Shalamov, Leonid Feodorov e Pavel Florensky.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anne Applebaum (trad. Pierre-Emmanuel Dauzat), Goulag :une histoire, Paris, 2005 (1.ª ed. 2003) (ISBN 2246661218). Em particular o cap. 5 (« Le canal de la mer Blanche ») da primeira parte (p. 95–129).
  • Paul R. Gregory, Valery Lazarev și V. V. Lazarev, Economics of Forced Labor: The Soviet Gulag, Hoover Institute Press, October, 2003, trade paperback, 356 pages, ISBN 0817939423
  • Cynthia A. Ruder, Making History for Stalin : The Story of the Belomor Canal, University Press of Florida, 1998, 284 p. (ISBN 0-8130-1567-7).

Referências

  1. V.N. Zemskov. Prisioneiros na década de 1930: problemas sócio-demográficos (PDF) (em russo) 62 pp.. Página visitada em 4-11-2008.
  2. (Applebaum 2005, p. 101).
  3. V.N. Zemskov, "Zaklyuchyonnye v 1930-e gody: socialno-demograficheskiye problemy", p. 62 / В.Н. 3емсков «Заключенные в 1930-е годы: социально — демографические проблемы», стр. 62
  4. (Applebaum 2005, p. 99).