Casa de Mecklemburgo

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Casa de Mecklemburgo
Brasão de Armas da Família Mecklemburgo.
Brasão de armas de Mecklemburgo
País Alemanha
Fundação 1131
Fundador Niklot
Último soberano Frederico Francisco IV de Mecklemburgo-Schwerin
Adolfo Frederico VI de Mecklemburgo-Strelitz
Actual chefe Borwin de Mecklemburgo
Casas relacionadas Casa de Mecklemburgo-Schwerin
Casa de Mecklemburgo-Strelitz
Casa de Mecklemburgo-Güstrow
Casa de Mecklemburgo-Stargard
Werl

A Casa de Mecklemburgo ou de Meclemburgo é uma dinastia norte-alemã de origem eslávica que governou até 1918.

Origens[editar | editar código-fonte]

Niklot era um senhor da tribo vêneda dos Obotritas. Quando o Sacro Império Romano se expandiu em direcção a leste, mais especificamente para a costa do Báltico no século XIII, uma parte dos senhores obotritas aliaram-se aos líderes alemães e, assim, fortaleceram as suas posições. Os mais poderosos foram os que se tornaram os primeiros senhores de Mecklemburgo (nome que tem origem no seu principal castelo, Mikla Burg, que significa "grande castelo"). O principal ramo da casa foi elevado a ducado em 1347 e foram-se tornando cada vez mais germânicos, preservando assim a sua posição.[1]

Reivindicação do trono da Suécia[editar | editar código-fonte]

A partir do século XIV, os duques de Mecklemburgo começaram a lutar pela herança do trono da Suécia, uma vez que o duque de Mecklemburgo era descendente de duas mulheres que várias lendas afirmavam descender das casas reais escandinavas.

A dinastia Sverker tinha sido há muito extinta, tendo acabado por perder o trono para Érico XI. A linha masculina de Érico X também estava extinta e outros descendentes vindos das suas filhas tinham sido ultrapassados por Brigério Jarl, marido de uma das suas filhas, Ingeborg Eriksdotter da Suécia. Brigério fez todos os preparativos para garantir a sucessão ao trono dos seus filhos.

Esta reivindicação, na verdade, durou apenas durante um breve reinado: o filho de Henrique II, o duque Alberto II de Mecklemburgo, casou-se com uma parente escandinava, a herdeira Eufémia da Suécia e Noruega, nascida em 1317. O segundo filho do casal, o duque Alberto III de Mecklemburgo, depôs o seu tio do trono sueco e passou a ser rei.

A rainha-regente Margarida escolheu Érico da Pomerânia, um descente do irmão mais velho de Alberto III, para seu herdeiro. Os monarcas da união de Kalmar eram descendentes bilaterais da Casa de Mecklemburgo.

A Casa de Mecklemburgo unilateral descendia do filho mais novo de Eufémia, o duque Magno I de Mecklemburgo e continuou a persistir nos seus direitos ao trono, ocasionalmente agitando a Suécia.

Reivindicação ao trono da Noruega[editar | editar código-fonte]

O reino hereditário da Noruega era o único país da Escandinávia medieval onde o trono era herdado e não eleito. Quando o rei Olavo IV da Noruega ainda era uma criança e a sua mãe Margarida a sua regente, os duques de Mecklemburgo já avançavam com as suas reivindicações.

O direito de sucessão dos Mecklemburgo vinha através da princesa Eufémia da Suécia, neta do rei Haquino V da Noruega.

Quando Olavo IV morreu em 1387, a Noruega ficou sem monarca, passando a ser governada por um governo encabeçado pela regente Margarida que pouco depois escolheu o seu herdeiro, Érico da Pomerânia, cuja mãe, a duquesa Maria de Mecklemburgo, tinha sido a neta mais velha da princesa Eufémia. O tio e antigo inimigo de Margarida foi excluído.

Quando o sobrinho de Érico, o rei Cristóvão, morreu antes da morte do deposto rei Érico III da Noruega, depois de um hiatos, outro magnata, o duque Cristiano VIII de Oldemburgo, que descendia por linha feminina da princesa Eufémia, e dos Mecklemburgo, sendo bisneto da filha de Eufémia, foi escolhido em 1450 para rei da Noruega, desta vez ultrapassando o seu rival em linha masculina, o duque Henrique, o gordo, de Mecklemburgo.

Os duques de Mecklemburgo continuaram a ver-se como herdeiros legítimos da Noruega embora nunca tivessem conseguido retirar o reino dos Oldemburgo.

Estados modernos de Mecklemburgo[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1711 é realizado um tratado entre os duques de Mecklemburgo e o eleitor de Brandemburgo através do qual o eleitor é reconhecido como próximo herdeiro de Mecklemburgo depois da sucessão masculina. A partir deste momento, os eleitores, que depois se tornariam reis da Prússia, passam a ver-se como membros da Casa de Mecklemburgo e começam a utilizar os seus títulos (duque de Mecklemburgo, etc…) entre aqueles que já possuíam.

A legalidade dessa concessão do tratado continua a ser muito discutida, uma vez que nenhum dos descendentes bilaterais da Casa estava presente na altura em que este foi concordado e pelo menos um deles era menor de idade.

Nos séculos XVII e XVIII, o ducado é dividido várias vezes e distribuído entre os descendentes bilaterais da Casa Ducal nos principados de Mecklemburgo-Schwerin, Werle, Mecklemburgo-Güstrow e Mecklemburgo-Strelitz, a maioria dos quais se voltaria a concentrar no ramo principal (Schwerin) durante o século XVIII, sobrevivendo dois estados até ao final da monarquia alemã em 1918:

Estes ducados seriam elevados a grão-ducados no Congresso de Viena. Em 1918, menos de um ano antes da queda da monarquia, a linha masculina de Strelitz extinguiu-se, levando a que o grão-duque de Mecklemburgo-Schwerin assumisse a sua regência. No entanto, a falta de claridade da sua sucessão (existia ainda um ramo menor de Strelitz a viver na Rússia) não foi resolvida até à dissolução das pequenas monarquias alemãs.

Casa de Mecklemburgo na actualidade[editar | editar código-fonte]

Casa de Mecklemburgo-Schwerin[editar | editar código-fonte]

A Casa de Mecklemburgo-Schwerin extinguiu-se pela linha masculina no dia 31 de Julho de 2001 com a morte do grão-duque hereditário Frederico Francisco de Mecklemburgo-Schwerin, filho mais velho e herdeiro do último grão-duque reinante, Frederico Francisco IV.

Os membros que restam da Casa de Mecklemburgo-Schwerin são as filhas do duque Cristiano Luís, segundo filho de Frederico Francisco IV: a duquesa Donata (nascida em 1956) e a duquesa Edwina (nascida em 1960); a filha do duque Adolfo Frederico, a duquesa Woizlawa Feodora (nascida em 1918) e a grã-duquesa hereditária Karin (nascida von Schaper; nascida em 1920), viúva do grão-duque hereditário Frederico Francisco.

Referências

  1. Ilka Minneker: Vom Kloster zur Residenz – Dynastische Memoria und Repräsentation im spätmittelalterlichen und frühneuzeitlichen Mecklenburg. Rhema-Verlag, Münster 2007, ISBN 978-3-930454-78-5


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