Cyrano de Bergerac (peça de teatro)

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Estátua de Cyrano de Bergerac, praça Pélissière em Bergerac (Dordogne)

Cyrano de Bergerac é uma peça de teatro escrita em 1897 por Edmond Rostand, baseada na vida de Cyrano de Bergerac, escritor francês.

Índice

[editar] Histórico

Durante muitos anos Edmond Rostand pensava em transformar a agitada vida de Cyrano de Bergerac em uma peça, mas um incidente ocorrido em Luchon, durante suas férias de verão, o motivou especialmente.

Rostand ali conheceu um jovem apaixonado, que não sabia conquistar sua amada através das palavras. Rostand ensinou-o na arte da conquista, através de poesia, reflexões, frases espirituosas, de forma que o rapaz rapidamente conquistou sua amada, alimentando em Rostand a possibilidade de relacionar tal fato à vida de Cyrano.

Passou a idealizar, mentalmente, o ator para o papel principal. Sarah Bernhardt, que conhecia tal preocupação, aproximou Rostand de Constant Coquelin, e o entusiasmo foi recíproco, fazendo com que se lançasse ao trabalho com afinco.

Por ocasião da estréia da peça, Rostand dedicou-a a Coquelin, que incorporou a alma da personagem com tal vigor, que durante anos o papel nos palcos franceses foi monopólio seu. Coquelin trabalhava a personagem com particular atenção; para o nariz de Cyrano, por exemplo, chegou a exigir cinqüenta modelos, em cera, antes de escolher o que mais se adaptava ao papel. O tipo de nariz escolhido foi, pois, o adotado por seus sucessores.

Supõe-se que o sucesso de Cyrano de Bergerac, na época, deve-se principalmente ao fato de os franceses o terem convertido em símbolo popular, na encarnação do ideal do povo, do espírito nacional, representando o homem que nutre desprezo pelos poderosos, que é corajoso, nobre de sentimentos, sensível, capaz de se sacrificar pela felicidade alheia.

[editar] Resumo

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A peça inteira é escrita em forma de poema, com pares de versos rimados. Os primeiros quatro atos se passam em 1640, e o quinto é em 1655.

Cyrano de Bergerac é um herói romântico, que combate a covardia, a estupidez e a mentira. Ele ama sua prima, Roxane, moça inteligente, mas um tanto pedante, que gosta de ser cortejada com palavras bonitas e originais.

O jovem Cristiano também a ama, mas não sabe falar com brilhantismo, ao contrário de Cyrano, que tem o dom da palavra. Cyrano, sem esperanças de conquistar a prima, em razão de ser bastante feio, resolve ajudar Cristiano a conquistá-la através das palavras.

Cyrano ensina a Cristiano observações espirituosas, poesia, e até fala por ele, às escondidas, fazendo com que Roxane o ame. Um terceiro homem, porém, a corteja, o duque de Guiche, que interfere mandando Cristiano e Cyrano para o cerco de Arras, um violento combate ocorrido nas guerras religiosas da França.

Cyrano continua a escrever cartas a Roxane, em nome de Cristiano, e ela vai ao seu encontro na batalha, encontrando Cristiano agonizante, ferido em combate. Viúva, Roxane recolhe-se a um convento, onde recebe continuamente a visita de Cyrano.

Um dia, Cyrano é mortalmente ferido, mas consegue chegar até a amada, e conta-lhe do sentimento que sempre teve com ela. Roxane chora “um amor duas vezes perdido”, percebendo, no último instante, que o amava.

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[editar] Apresentações

A peça Cyrano de Bergerac foi encenada pela primeira vez em 27 de dezembro do mesmo ano. Por ocasião da estréia da peça, mediante o estrondoso sucesso, a esposa de Edmond Rostand, a também escritora Rosemonde Gérard escreveria, em seu livro Edmond Rostand: "Por que o teatro e a poesia trocarão um sorriso infinito ao constatar que depois de tantas obras-primas pode surgir uma, ao mesmo tempo clássica e moderna, reunindo todas e ultrapassando-as a tal ponto que jamais o teatro havia ido tão longe na poesia nem a poesia tão perto do teatro?"[1].

O primeiro intérprete de Cyrano no teatro foi Constant Coquelin, que atuou mais de 400 vezes no Théàtre Porte-Saint-Martin e em um tour pela América do Norte. Coquelin tinha, na época da estréia, 56 anos, e essa diferença de idade acabou alterando a criação de Rostand, conferindo ao personagem uma conotação mais paternal.

Quando Coquelin faleceu, em 1909, foi o próprio Rostand que escolheu seu substituto: Charles Le Bargy, no auge de sua carreira; em 1913, porém, cedeu lugar a Lucien Rozenberg, que interpretou o Cyrano até o início da Primeira Guerra Mundial.

Em vários palcos estrangeiros Cyrano foi interpretado, já à época de Rostand. Em Londres, Sarah Bernhardt interpretou a romântica Roxane em 1901. Atores como Gualtiero Tumiati, na Itália, Diaz de Mendoza, na Espanha, Robert Lorraine, na Inglaterra, também o interpretaram.

Richard Mansfield foi o primeiro a interpretar Cyrano numa versão norte-americana. Na Broadway a produção que mais durou teve 232 apresentações em 1923 e estrelou Walter Hampden.Walter Hampden voltaria a interpretá-lo em 1926, 1928, 1932 e 1936.

Em 1928, no Teatro Sarah Bernhardt, na França, surge o primeiro intérprete jovem de Cyrano: Pierre Fresnay.

José Ferrer, que posteriormente o interpretaria no cinema, passou a interpretar Cyrano na Broadway em 1946. Outros atores a interpretá-lo foram Ralph Richardson, DeVeren Bookwalter, Derek Jacobi, Richard Chamberlain e Christopher Plummmer, numa versão musical de 1973.

A produção da Broadway de 2007 teve Kevin Klinecomo Cyrano, Jennifer Garner como Roxane e Daniel Sunjatacomo Cristiano.

[editar] Cyrano de Bergerac no cinema

Em 1946, o filme francês dirigido por Fernand Rivers, sob a interpretação de Claude Dauphin, trazia o Cyrano para as telas de cinema.

Em 1950, a interpretação de Cyrano de Bergerac por José Ferrer, sob a direção de Michael Gordon, lhe valeu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor ator.

Em 1950, a versão japonesa Aru kengo no shugai, de Hiroshi Inagaki, trazia Toshiro Mifune no papel principal.

José Ferrer voltou a interpretar Cyrano em 1960, no filme francês Cyrano et D’Artagnan, ao lado de Jean Pierre Cassel como D’Artagnan, sob a direção de Abel Gance.

Houve também versões com livre adaptação, inclusive alguma comédias, como Roxane, com Steve Martin e Daryl Hannah, em 1987.

Em 1990, Gerard Depardieu interpretou Cyrano, sob a direção de Jean-Paul Rappeneau e a adaptação de Jean-Claude Carrière e Jean-Paul Rappeneau, num filme franco-húngaro.

[editar] Cyrano de Bergerac no Brasil

A primeira a trazer a peça Cyrano de Bergerac ao Brasil foi a companhia italiana Clara Della Guardia e, logo após, em 1905, era o próprio Coquelin que a interpretava, no Rio de Janeiro[2].

Em 1913, Ermette Zacconi trouxe 18 peças diferentes ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre elas o Cyrano de Bergerac.

Em 1916, a companhia de Lucien Guitry, e em 1935, a companhia de Pierre Magnier também a trouxeram[3].

Em 1985, Cyrano foi interpretado por Antônio Fagundes, sob direção de Flávio Rangel, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo.

Em 2009, Oddone Produções tráz a peça Cyrano de Bergerac, então inédita nos palcos cariocas, a Casa de Cultura Laura Alvin. Com Oddone Monteiro no papel de Cyrano, Rodrigo Phavanello como Christiano e Márcia Méll, a talentosa filha de Luiz Henrique da Silveira, atual governador de Santa Catarina, como Madeleine Robin, ou melhor, Roxanna.

[editar] Ver também

  • Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand – quadrinização em inglês e filipino (1977) da coleção “National Classic Comics” - da National Book Store, Inc. – Manila, Filipinas: [1];

[editar] Referências bibliográficas

  • ROSTAND, Edmond (1976), Cyrano de Bergerac, São Paulo: Abril Cultural- Victor Civita. Coleção teatro Vivo. Introdução.
  • VÁRIOS (1985), Cyrano de Bergerac, São Paulo: Editora Teatral. In: A estréia Triunfal. Programa lançado por ocasião da estréia da peça Cyrano de Bergerac no Teatro Cultura Artística, em São Paulo (Dir: Flávio Rangel)

Referências

  1. GÉRARD, Rosemonde. Edmond Rostand. In: A estréia triunfal. Programa lançado por ocasião da estréia da peça Cyrano de Bergerac no Teatro de Cultura Artística de São Paulo, em 1985
  2. Coquelin interpretou no mesmo ano duas outras peças de Rostand no Brasil: Les Romanesques e L'Aiglon
  3. SILVA, Lafayette. História do teatro brasileiro. In: Cyrano de Bergerac no Brasil, Programa lançado por ocasião da estréia de Cyrano de Bergerac no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, no ano de 1985
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