Dinastia cometopuli

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Império da Bulgária no tempo de Samuel (r. 997-1014).

A Dinastia Cometopuli (em búlgaro: Династия на комитопулите; em grego: Κομητόπουλοι) foi a última dinastia real do Primeiro Império Búlgaro, reinando de ca. 976 até a queda da Bulgária frente ao Império Bizantino em 1018[1] . O membro mais notável da dinastia, o tsar Samuel é famoso por ter resistido às investidas bizantinas por mais de quarenta anos. Por vezes, o reino dos Cometopuli é chamado de Reino Búlgaro Ocidental ou "Império Búlgaro Ocidental"[2] [3] .

Origem e membros[editar | editar código-fonte]

O nome real da dinastia é desconhecido e "Cometopuli" é meramente o nome pelo qual os historiadores bizantinos faziam referências aos governantes da dinastia, pois seu fundador, o boiardo Nikola, era um comes (governador, cognato de "conde", em grego: Κóμης, vinda do latim; em búlgaro: Комита - komita), provavelmente da região de Sredets (Sófia). De acordo com algumas fontes, a dinastia era de origem armênia[4] [5] . Em 969 e depois da conquista russo-bizantina da Bulgária Oriental, o conde Nikola assumiu o controle das terras búlgaras a oeste dos rios Iskar e Estrimão. Na época da conquista bizantina de Preslav e a deposição do tsar Bóris II em 972, Nikola foi assassinado e o governo passou para os seus quatro filhos, David, Aarão, Moisés e Samuel (Samuil). David liderava a defesa da região sudoeste e morava em Prespa; Moisés, do sudeste e morava em Estrúmica; Aarão governava a região de Sredets enquanto que Samuel estava encarregado do norte da Bulgária, com sua capital em Bdin.

David e Moisés perderam suas vidas logo no início - David assassinado por nômades valáquios e Moisés durante o cerco de Serres. Um conflito irrompeu entre Samuel e Aarão conforme este último se tornava mais e mais pró-Bizâncio até que, em 14 de junho de 976, Aarão foi executado perto de Dupnitza. Posteriormente, no mesmo ano, o deposto Bóris II e seu irmão, Romano, conseguiram escapar da prisão em Constantinopla e chegaram até a fronteira búlgara, Bóris foi morto por engano pela guarda de fronteira. Como resultado, Romano é quem foi coroado como tsar búlgaro, ainda que poder de fato e o controle do exército estivessem nas mãos de Samuel.

Casamento de Miroslava, filha de Samuel.
Iluminura no manuscrito Escilitzes de Madrid.

Samuel se mostrou um líder vitorioso, infligindo uma séria derrota aos bizantinos comandados pelo imperador Basílio II Bulgaróctone nas Portas de Trajano e retomando o nordeste da Bulgária. Suas campanhas expandiram as fronteiras da Bulgária até a Tessália e Épiro e, em 998, ele conquistou o principado de Dóclea. No ano anterior, ele já havia sido proclamado imperador da Bulgária após a morte do governante legítimo, Romano. Após a morte de Samuel, em 1014, a coroa passou para o seu filho, Gabriel Radomir (r. 1014 – 1015), que, no ano seguinte, foi assassinado pelo seu primo e filho de Aarão, João Vladislau. Com a morte deste em 1018, terminou também o Primeiro Império Búlgaro e se consolidou a conquista bizantina da Bulgária, ainda que alguns nobres e o exército tenham se juntado a Presiano II, filho de Ivã, como sucessor. Ele e seus irmãos Arão e Alusiano lideraram uma determinada oposição à conquista bizantina baseada na montanha de Tomorr em 1018. Eventualmente, todos foram forçados a se render e acabaram integrados à corte em Constantinopla. Uma tentativa de restaurar a independência búlgara ocorreu vinte anos depois na revolta de Pedro Delian (r. 1040-1041), filho de Gabriel Radomir. Ele, auxiliado por seu primo Alusiano, organizou uma revolta e conseguiu expulsar os bizantinos de Ohrid por um breve período, mas acabou traído por Alusiano, que recebeu para si e para seus filhos, títulos e terras no Império Bizantino.

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

Após a queda da Bulgária, os descendentes de Samuel assumiram importantes cargos na corte bizantina após terem sido realocados e recebido terras na Ásia Menor e na Armênia. Uma de suas netas, Catarina, se tornou imperatriz. Outro neto, Pedro Delian, liderou uma tentativa de restaurar o Império Búlgaro. Duas outras mulheres da dinastia se tornaram também imperatrizes[6] , enquanto que muitos nobres serviram no exército como estratego ou se tornaram governadores de províncias.


Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

Tem havido um debate entre os historiadores no qual alguns enxergam que o Reino dos Cometopuli teria sido uma entidade distinta do Primeiro Império Búlgaro. Os Cometupuli mantiveram o título de "Imperador dos Búlgaros", mas alguns aspectos que emergiram durante seu reinado fizeram de seu reino algo diferente do Império Búlgaro There has been a debate among historians, in which some view the Kingdom of the Cometopuli, as a separate entity from the First Bulgarian Empire. The Cometopuli kept the title "Emperor of Bulgarians", but some aspects that appeared during their reign, made their state differ from the Bulgarian empire[7] [8] . Seus centros de poder (Escópia, Ohrid, Prespa e Bitola) se localizavam no que hoje chamamos de região da Macedônia, mas que, naquela época, era uma província do Primeiro Império Búlgaro chamada Kutmichevitsa. O bizantinista George Ostrogorsky discute o assunto e conclui que para seus criadores e para os bizantinos, tratava-se simplesmente de mais um reino búlgaro, mas, por diversos fatores políticos, geográficos e religiosos, ele chama o estado deles de "Império Macedônio"[7] . Outros autores também o chamam de "Império Búlgaro Ocidental", mas a maior parte dos acadêmicos vêem a dinastia como uma continuação direta do Primeiro Império. Porém, na República da Macedônia, a historiografia oficial se refere a ele como "Império Eslavo-macedônio"[9] , mas esta visão é uma forma de um ultrapassado nacionalismo contemporâneo[10] .

Referências

  1. Byzantium's Balkan frontier: a political study of the Northern Balkans, 900-1204, Author Paul Stephenson, Publisher Cambridge University Press, 2000, ISBN 0-521-77017-3, pp. 58-66.
  2. The Decline and Fall of the Roman Empire, Edward Gibbon, J. B. Bury, Wildside Press LLC, 2004, ISBN 0-8095-9240-1, p. 142.
  3. A short history of Yugoslavia from early times to 1966, Stephen Clissold, Henry Clifford Darby, CUP Archive, 1968, ISBN 0-521-09531-X, p. 140
  4. Em suas obras do século XI, Asoghik afirmou que Samuel tinha apenas um irmão. De acordo com o autor, que vivia em Derjan, uma cidade na região armênia do Império Bizantino, Samuel também era de lá e tinha origem armênia.
  5. A versão de Asoghik é apoiada pelo historiador Nicholas Adontz, que analisou em profundidade os eventos e os fatos da época e chegou à conclusão que Samuel tinha apenas um irmão - David.
  6. V. Zlatarski - Istorija 1 B - Priturka 15. Visitado em 2008-09-10.
  7. a b Na obra "The Bogomils: A Study in Balkan Neo-Manichaeism", Obolensky discute a ligação entre os bogomilos e os Cometopuli e retraça a origem de ambos na Macedônia.
  8. A provável tolerância de heréticos por motivos políticos podem muito bem ter dado origem à lenda popular que liga o tsar Samuel ao bogomilismo - Obolensky, The Bogomils...
  9. An outline of Macedonian history from ancient times to 1991. Macedonian Embassy London. Retrieved on 2007-04-28.
  10. Who are the Macedonians? Hugh Poulton, C. Hurst & Co. Publishers, 2000, ISBN 1-85065-534-0, p. 20.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Степанос Таронеци-Асохик (Asoghik, Stepanos T., 10th - 11th c.). Всеобщая история Степаноса Таронского - Асохика по прoзванию, писателя ХІ столетия. Перевод с армянскoго и объяснения Н.Эминым. Москва, Типография Лазаревского института восточных языков. 1864. ХVІІІ, 335 стр.
  • Asoghik (Stepanos de Taron). L'histoire universelle, Paris, 1859. Translation in German, Leipzig, 1907.
  • Stepanos, Tarōnetsi (Stepanos Asoghik Taronetsi, 10th-11th c.) Tiezerakan patmutyun, Erevan, 2000.
  • Adontz, Nikoghayos. Samuel l'Armenien, Roi des Bulgares. Bruxelles, Palais des academies, 1938.
  • Adontz, Nicolas. Etudes Armeno-Byzantines. Livraria Bertrand. Lisbonne, 1965.
  • Lang, David M. The Bulgarians, London, 1976.
  • Lang, David M. The Armenians. A People in Exile. London, 1981.
  • Ostrogorsky, George, History of the Byzantine State. tr. (from the German) by Joan Hussey, rev. ed., Rutgers Univ. Press, 1969.
  • Dimitry Obolensky, "The Bogomils: A study in Balkan Neo-Manicheism", Cambridge University Press 1948