Fabio Weintraub

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Fabio Weintraub (São Paulo, 24 de agosto de 1967) é um poeta e crítico literário brasileiro.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Filho de pais judeus de origem polonesa, Fabio Weintraub formou-se em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Porém, trabalhou pouco tempo nessa área, e passou a se dedicar à literatura e à edição de livros.

Integrou o grupo paulista de poesia Cálamo, do qual faziam parte também Ruy Proença, Priscila Figueiredo, Chantal Castelli e Ana Paula Pacheco. Publicou Toda Mudez Será Conquistada (1992); Sistema de Erros (1996), ilustrado por Fernando Vilela e apresentado por Viviana Bosi, com o qual ganhou o prêmio literário Nascente, promovido pela USP e editora Abril[1] . Novo Endereço (2002), sua obra seguinte, ganhou o prêmio Cidade de Juiz de Fora - Murilo Mendes em 2002[2] . Em 2003, a obra Novo Endereço recebeu o prêmio especial "Embajada de Brasil" do Prémio Casa de las Américas na categoria "Literatura brasileña"[3] . Em 2004, foi publicada a edição bilíngüe, em português e espanhol (com tradução da escritora cubana Lourdes Arencibia) de "Novo endereço", desta vez com parceria da Casa de las Américas. Em 2006, ganhou Bolsa de Incentivo à Criação Literária do Governo do Estado de São Paulo, na categoria poesia [4] , o que gerou o livro Baque, publicado no Brasil (2007) e em Portugal (2012).

Até 2003, coordenou a coleção de poesia Janela do Caos da Nankin Editorial. Nela, publicou Roberto Piva, Donizete Galvão, Glauco Mattoso, Ronald Polito, Heron Moura, Sérgio Alcides, Tarso de Melo, Ricardo Rizzo, entre outros. Na mesma editora, publicou também os dois últimos livros de Hilda Hilst, "Estar sendo ter sido" e "Cascos e carícias".

Tem poemas publicados em diversos jornais e revistas, nacionais e do exterior. Foi colaborador das revistas literárias Cult, Jandira e Cacto. Atualmente, é um dos editores de K Jornal de Crítica.[5]

Poesia e ativismo[editar | editar código-fonte]

A sua poesia, de acordo com a poeta e crítica Priscila Figueiredo, une "perspectivas que em geral aparecem separadas no panorama recente da poesia brasileira: intensidade lírica e reflexão social" (apresentação a "Novo endereço"). Esssa combinação pode ser lida em versos como: "Desempregado há três anos/ no país do futuro" (poema "Pai", de "Novo Endereço") e "contornou cinco mendigos/ e os respectivos cachorros/ lavou o chão do último bar// só foi morrer muito adiante/ no muro da praça deserta/ onde a fome devasta a fronte/ de um camundongo cego." ("Calçada", do mesmo livro). De acordo com o crítico português António Guerreiro, é "como se o poeta assumisse a tarefa de descer aos infernos, de habitar a parte maldita da sociedade."[6]

A sua preocupação social espelha-se também em seu ativismo. Em 2006 e 2007, participou de ações em prol dos sem-teto de São Paulo, mais especificamente em apoio à Ocupação Prestes Maia do Movimento dos Sem-Teto do Centro, onde foi um dos organizadores do ciclo de palestras "O Direito à Cidade", que ocorreu em abril e novembro de 2006 na própria ocupação. Participou, com fotos, do "Dossiê Violações dos Direitos Humanos no Centro de São Paulo", organizado e publicado em 2006 pelo Fórum Centro Vivo [7] .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros de poesia[editar | editar código-fonte]

  • 1992: Toda mudez será conquistada, São Paulo: Massao Ohno Editor.
  • 1996: Sistema de erros, São Paulo: Arte Pau-Brasil.
  • 2002: Novo endereço, São Paulo: Nankin Editorial.
  • 2004: Nueva dirección/ Novo endereço (edição bilíngüe), Havana: Casa de las Américas; São Paulo: Nankin Editorial; Juiz de Fora: Funalfa.
  • 2007: Baque, São Paulo: 34 Letras.
  • 2012: Baque, Lisboa: Língua morta.

Organização de livros[editar | editar código-fonte]

  • 2006: Poesia marginal, São Paulo: Ática, Coleção Para gostar de ler.
  • 2006: Eu, passarinho, antologia da poesia de Mário Quintana org. com Fabricio Waltrick. São Paulo: Ática, Coleção Para gostar de ler.

Participação em antologias e obras de referência[editar | editar código-fonte]

  • 1998: Anto. Revista semestral de cultura, no 3. Edição especial Brasil—Portugal. Amarante (Portugal): Edições do Tâmega.
  • 1999: Desnorte: Leituras poéticas em torno à obra de João Guimarães Rosa. São Paulo: Nankin Editorial.
  • 2001: Alforja Revista de Poesía. Traducción de Eduardo Langagne. México, n. XIX, invierno.
  • 2003: Rattapallax: New Brazilian and American Poetry. Translated by Patricia Soldati and Macgregor Card. New York, vol. 9.
  • 2003: Companhia de poetas, org. José Alberto Pinho Neves. Juiz de Fora: Funalfa Edições.
  • 2004: Paixão por São Paulo, org. Luiz Roberto Guedes. São Paulo: Editora Terceiro Nome.
  • 2004: Literatura brasileira hoje, org. de Manuel da Costa Pinto, São Paulo: Publifolha.
  • 2006: Antologia comentada da poesia brasileira do século XXI, org. de Manuel da Costa Pinto, São Paulo: Publifolha.
  • 2007: Noah/Noaj, org. de Berta Waldman e Moacir Amâncio, São Paulo: Humanitas, n. 16-17.
  • 2009: Traçados diversos: uma antologia da poesia contemporânea, org. de Adilson Miguel, São Paulo: Scipione.
  • 2011: Roteiro da Poesia Anos 90,org. de Paulo Ferraz, São Paulo: Global.
  • 2012: Poesia.br: 1990, org. de Sergio Cohn, Rio de Janeiro: Beco do Azougue.

Notas e Referências

  1. A Garganta da Serpente: Entrevista concedida a Rodrigo de Souza Leão, acessado em 28 de setembro de 2007
  2. Folha Online, 22.02.2003: Editoras criam "sociedade dos poetas vivos", acessado em 28 de setembro de 2007
  3. La Ventana, Portal informativo de la Casa de las Américas: Ya se conocen los Premios Casa 2003, acessado em 28 de setembro de 2007
  4. Vencedores do PAC acessado em 30 de setembro de 2007
  5. K Jornal de Crítica acessado em 15 de fevereiro de 2010
  6. "Baque", de Fabio Weintraub. Jornal O Expresso. Página consultada em 3 de junho de 2012.
  7. Créditos do Dossiê de Denúncia do Fórum Centro Vivo acessado em 30 de setembro de 2007

Ligações externas[editar | editar código-fonte]