Gonçalo Mendes, conde de Portucale

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Gonçalo Mendes
Conde de Portucale
Predecessor Lucídio Vimaranes
Sucessor Mumadona Dias e Mendo Gonçalves
Cônjuge Ilduara Pais
Descendência
Ver descendência
Pai Hermenegildo Gonçalves
Mãe Mumadona Dias
Nascimento ca. 925
Morte 997 (72 anos)

Gonçalo Mendes, em espanhol: Gonzalo Menéndez (c. 925[1] –997),[a] foi um conde e membro da mais alta nobreza galaico-portuguesa que viveu em tempos turbulentos marcados por revoltas da nobreza, os ataques dos normandos e as razias e devastação infligida pelos exércitos muçulmanos liderados por Almançor. Adversário dos reis Sancho I o Crasso e Ramiro III, foi um dos nobres que apoiaram e elevaram ao trono Ordonho IV e posteriormente Bermudo II. A sua neta, Elvira Mendes, foi a esposa do rei Afonso V e a mãe de Bermudo III e da rainha Sancha de Leão. Depois de servir o rei Bermudo como seu armiger regis a partir de 993 e de ter governado o território de Braga, morreu em 997 durante a campanha de Almançor contra Santiago de Compostela.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Castelo de Guimarães, mandado construir por Mumadona Dias, a mãe do conde Gonçalo.

Relações familiares[editar | editar código-fonte]

Gonzalo era um dos filhos dos condes Hermenegildo Gonçalves, importante rico-homem galego, e de Mumadona Dias,[2] que governou o condado depois da morte do seu esposo e foi a fundadora do Mosteiro de São Mamede, também conhecido como o Mosteiro de Guimarães, e a responsável da construção do castelo para proteger o mosteiro e os povoadores.[3] [4] Seus avós paternos eram os condes Gonçalo Betotes[5] e Teresa Eris, filha de Ero Fernandes,[5] e os maternos Diogo Fernandes e Onneca (ou Onega),[6] [7] que poderia ser filha de um infante ou nobre pamplonés,[8] e de Ledegundia, possivelmente filha do rei Ordonho I.[9] [10] Um irmão de Gonçalo, Ramiro Mendes, e a sua mulher, Adosinda Guterres,[2] poderiam ser os pais da rainha Velasquita Ramires, a primeira esposa do rei Bermudo II.[11] [12]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

A sua presença é registada pela primeira vez em 950 quando Mumadona, já viúva, fez a partilha com seus filhos dos bens herdados.[13] [14] Gonçalo recebeu em herança as vilas de Nespereira, Chagra, Sauto de Auacos e Frazone.[15] Depois da morte do rei Ordonho III em 956, o reino de Leão foi abalado por uma crise sucessória.[16] Ordonho III foi sucedido por seu meio-irmão Sancho I, filho do segundo matrimónio do rei Ramiro II, em vez de Bermudo II, filho do defunto rei que naquela época era menor de idade. Em 958, no segundo ano do seu reinado, um grupo de nobres, incluindo o conde Gonçalo Mendes, destronaram o rei e elegeram Ordonho IV enquanto outros nobres, incluindo o sogro de Gonçalo, Paio Gonçalves, apoiaram o rei Sancho I,[16] que recuperou o trono em 960 graças ao apoio de sua avó a rainha Toda de Pamplona.[1]

Aparece pela primeira vez com a sua esposa Ilduara em 964 fazendo uma doação das vilas de Moreira de Cónegos e Castanheira, que havia trocado com a sua cunhada Adosinda por outras herdades, ao mosteiro fundado por sua mãe Mumadona.[17] [18] [19] Manteve o seu confronto com o rei Sancho I que em 966 invadiu a devastou as suas terras.[16] Segundo a crónica de Sampiro, nesse mesmo ano o conde Gonçalo ofereceu uma maçã envenenada ao rei que morreu poucos dias depois.[20] [b] A identificação do conde Gonçalo que envenenou ao rei como este conde Gonçalo Mendes não é apoiada por todos os historiadores porque o seu patronímico não é referido e devido à existência de um outro conde coetâneo, Gonçalo Moniz.[c]

Representaçao de uma flota dos vikings do século X.

Ao redor de 968, o conde Gonçalo enfrentou-se contra Rodrigo Vasques, conde em Limia e poderoso magnata, na batalha de Aguioncha.[19] Foi o resultado de um litígio que vinha de longe entre a sua mãe e Gontrodo, abadessa do Mosteiro de Pazóo, que havia tomado indevidamente o Mosteiro de Santa Comba, pertencente ao monge Odonio, o qual pediu a ajuda de Mumadona para o recuperar. Mumadona ordenou a seus filhos Gonçalo e Ramiro que forçassem Gontrodo a devolver o mosteiro volens nolens (querendo ou não querendo). Gonçalo venceu Rodrigo e suspeita-se que pode ter sido o responsável pela remoção do filho de Rodrigo, Pelágio Rodrigues, de bispo de Iriæ Flaviæ.

O conde Gonçalo Mendes poderia ser um dos ricos-homens que em 971 enviou uma embaixada à corte cordovesa do califa Al-Hakam II segundo a crónica do historiador hispano-muçulmano Ibn Hayyan na sua obra Al-Muqtabis. Os embaixadores do conde Gundisalb foram Sulayman e Jalaf ibn Sad, no entanto, essa crónica também poderia estar a referir-se ao conde Gonçalo Moniz.[21]

Em 981, depois da derrota das tropas Cristãs na batalha de Rueda frente ao exército de Almançor, o conde Gonçalo foi o primeiro a levantar-se contra o rei Ramiro III, considerado ineficaz e incapaz de lidar contra as incursões muçulmanas e as invasões dos vikings. Gonçalo e vários nobres, a maioria membros da alta nobreza galega e do norte de Portugal, com a aprovação do clero, apoiaram Bermudo Ordonhes, o futuro rei Bermudo II, casado com Velasquita Ramires, provavelmente a sobrinha do conde Gonçalo. Poucos meses depois, Bermudo rebelou-se contra Ramiro III e, entre 11 outubro e 22 dezembro de 981, proclamou-se rei de Leão, segundo é registado na doação do conde Gonçalo ao Mosteiro de Lorvão na última dessas datas, onde assinou como gundisaluus menendiz, e que foi confirmada por Vermudus rex prolix domni Ordonii.[22] [23] O conde posteriormente enfrentou-se com o rei Bermudo, possivelmente depois deste ter repudiado a sua primeira esposa, Velasquita Ramires, mas depois, em 991, aparece novamente confirmando os documentos reais como membro da Cúria Régia de Bermudo II.[24]

A partir de 993 foi armígero real (armiger regis] e governou o território de Braga até 997, o ano em que morreu lutando contra Almançor quando este invadiu Santiago de Compostela.[24]

Matrimónio e descendência[editar | editar código-fonte]

Entre 935 e 940[1] casou-se com Ilduara Pais,[19] filha do conde Paio Gonçalves e de Ermesinda Guterres, filha do conde Guterre Mendes e Ilduara Eris.[25] Deste matrimónio nasceram pelo menos cinco filhos, todos documentados:

  • Mendo Gonçalves, que morreu assassinado ou em combate a 6 de outubro de 1008,[26] . Conde e duque,[27] sucedeu ao seu pai no condado e no governo do território de Braga. Casou com Tutadona, também chamada Toda, Moniz, e foi o tutor do rei Afonso V durante a sua menoridade, o qual depois se casou com uma de suas filhas, Elvira Mendes;[28]
  • Ramiro Gonçalves, conde;[29] [24]
  • Rosendo Gonçalves,[24] aparece com o título de conde em 1014 num julgamento onde estava involucrada a sua cunhada Toda;[29]
  • Diego González, conde;[29] [24]
  • Mumadona Gonçalves (m. 1013).[29] [24]

Ilduara morreu antes de 6 de julho de 983 quando o conde já aparece casado com Ermesenda. Nessa data aumentou uma doação ao Mosteiro de Guimarães e diz que se sua esposa Ermesenda sobrevive a ele, que desfrute da herdade de Moreira para o resto de a sua vida.[17] [30] Ermesenda, já viúva, aparece novamente na documentação em 1108. Desconhece-se se houve descendência deste casamento.[29]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ Confirma na documentaçao medieval como gundisaluo menendiz ou gondisaluus menendi.[31] [32]
[b] ^ Gundisaluus, qui dux erat (...) veneni pocula illi in pomo duxit
[c] ^ José Mattoso identifica o conde Gonçalo que tentou envenenar o rei Sancho em 965, quando estava em Viseu, com o conde de Coimbra Gonçalo Moniz, filho do conde Munio Guterres e Elvira Árias.[33] [34]

Referências

  1. a b c García Álvarez 1960, p. 218.
  2. a b Mattoso 1981, p. 140.
  3. Cardozo 1967, p. 281, 296.
  4. Amaral 2009, p. 121.
  5. a b Mattoso 1981, p. 127.
  6. Mattoso 1981, p. 139.
  7. Sáez 1947, p. 66.
  8. Torres Sevilla-Quiñones de León 1999, p. 310.
  9. Cardozo 1963, p. 383.
  10. Sáez 1947, p. 62.
  11. Sánchez Candeira 1950, p. 464.
  12. García Álvarez 1960, pp. 211 y 228.
  13. Cardozo 1967, p. 285.
  14. Herculano 1868, p. 35, doc. LXI.
  15. Mattoso 1981, p. 143.
  16. a b c Amaral 2009, p. 120.
  17. a b García Álvarez 1960, p. 211.
  18. Herculano 1868, p. 56, doc. LXXXVIII.
  19. a b c Mattoso 1981, p. 144.
  20. Martínez Diez 2005, p. 434, Tomo I.
  21. Martínez Díez 2005, pp. 463-464.
  22. Herculano 1868, p. 81, doc. CXXXII.
  23. Sánchez Candeira 1950, pp. 465-466.
  24. a b c d e f Torres Sevilla-Quiñones de León 1999, p. 296.
  25. Mattoso 1981, p. 118–119.
  26. Mattoso 1981, p. 146.
  27. Oliveira Marques 1983, p. 55-56, Vol. I.
  28. Mattoso 1981, p. 145–148.
  29. a b c d e Mattoso 1981, p. 145.
  30. Herculano 1868, pp. 84-87, doc. CXXXVIII.
  31. Herculano 1868, p. 61, doc. XCVII.
  32. Herculano 1868, p. 63, doc. XCIX.
  33. Mattoso 1998, pp. 22-23.
  34. Mattoso 1981, p. 121–122.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Mumadona Dias (depois da morte de Hermenegildo Gonçalves)
Conde de Portucale
950 - 997
Sucedido por
Mendo II Gonçalves