Gramaticalização

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Em linguística, gramaticalização é um processo de mudança linguística pelo qual palavras de valor lexical, que representam objetos e ações do mundo (p. ex. substantivos, adjetivos e verbos), transformam-se em palalavras de valor gramatical, funções do universo do discurso (p. ex. preposições, afixos)[1] .

Dentre os exemplos em língua portuguesa, podemos citar:[1]

  • A forma sintética de conjugação de tempo futuro, em latim, foi substituída por uma perífrase utilizando o verbo no infinitivo junto com o verbo "haver". Assim, para expressar "eu cantarei", abandonou-se cantabo em prol de cantare habeo, que se transformou em cantar hei e, depois, cantarei. Assim, sofrendo erosão fonética, enfraquecimento semântico e fixação morfossintática, o verbo haver produziu o sufixo do tempo futuro simples nos verbos em português.
  • Os verbos latinos sedēre (estar sentado) e stāre (estar de pé) deram origem, por extensão de sentido, aos verbos auxiliares ser e estar, que se diferenciam pelo primeiro indicar permanência e o segundo, transitoriedade;
  • O substantivo latino loco (lugar) passou a ser usado também, e depois exclusivamente, com sentido temporal, dando origem ao advérbio logo.
  • O adjetivo duro, usado para caracterizar objetos concretos, deu origem a diversas palavras com sentido temporal, como os verbos durar e perdurar e a preposição durante.

Referências

  1. a b Bagno, Marcos. Gramática de Bolso do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola, 2013.
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