Hipótese de Duesberg
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A hipótese de Duesberg afirma que o abuso de drogas recreativas e farmacêuticas, e não o HIV (vírus da imunodeficiência humana) é a causa primária da AIDS. Segundo esta hipótese, a SIDA (como é dito em Portugal) não é mais que o nome dado a várias doenças sem relação umas com as outras e que podem ter como origem o abuso de drogas recreativas como a heroína e a cocaína, a malnutrição, ou o uso de drogas finalizadoras da cadeia de DNA, como o AZT - o mesmo que é utilizado para tratar a infecção pelo HIV. O HIV é, assim, visto como apenas um vírus passageiro, o que leva a levantar a questão se a infecção pelo HIV acontece de facto ou não.
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[editar] Proponentes da hipótese Duesberg
Os mais destacados defensores desta teoria são o virologista Peter Duesberg e o bioquímico David Rasnick.
Em apoio a esta hipótese, Duesberg aponta a correlação estatística entre o decréscimo no uso de drogas recreativas e a diminuição nos casos notificados de AIDS. Da mesma forma, o rápido aumento da AIDS na década de '80 corresponde a uma epidemia de uso de drogas recreativas nos EUA e Europa. Além disso, Duesberg assevera que o tratamento da AIDS com drogas como AZT demonstrou ser mais fatal que o uso de drogas recreativas tais como heroína e cocaína. O AZT também é problemático por induzir aborto, causar defeitos congênitos, e causar câncer em animais nascidos de mães tratadas com AZT. Devido a problemas com o tratamento por AZT, muitos pacientes de AIDS passaram a ser tratados com um coquetel de drogas inibidoras de protease e inibidoras de transcriptase. No entanto, estes coquetéis de drogas falham em 53% dos casos relatados.
Duesberg explica a predominância da AIDS entre homossexuais nos países do ocidente tais como os EUA pelo fato do uso de drogas recreativas ser predominante entre os homens homossexuais nestes países. Como foi relatado na literatura médica, homens homossexuais nestes países usam grande número de estimulantes sexuais, incluindo "poppers" (inalantes com nitrato), anfetaminas, cloro-etil, cocaína e heroína. Sabe-se que várias destas drogas inibem o funcionamento do sistema imunológico do organismo.
Duesberg aponta também para o fato de que um número significativo de vítimas da AIDS morrem sem qualquer traço de infecção pelo HIV, e que casos relatados na África, onde não se faz qualquer teste para HIV, não se limitam aos grupos de risco tais como viciados em drogas e homens homossexuais. Segundo ele esses casos de AIDS são explicados mais facilmente por subnutrição, infecção parasitaria e condições precárias de saneamento.
O desafio mais radical de Duesberg à hipótese HIV-AIDS é sua proposta de se auto-infectar com o HIV. No entanto, Duesberg não pode fazer isso sem a aprovação National Institute for Health americano e da universidade onde ele trabalha. Além do mais, já existe quase um milhão de pessoas HIV-positivas nos EUA sem qualquer sintoma de AIDS, bem como outros 34 milhões de pessoas saudáveis no mundo que são HIV-positivas.
[editar] Oposição à Hipótese de Duesberg
O consenso atual na comunidade científica é de que a hipótese de Duesberg foi refutada pela enorme massa de evidência disponível mostrando que os postulados de Koch foram cumpridos para o HIV, que o número de vírus no sangue tem correlação com a progressão da doença, e que um mecanismo plausível para a ação de HIV foi proposto.
Uma edição da revista científica Science que avaliou o método de Duesberg's afirmou que:
- Existem abundantes evidências de que o HIV causa doença e morte em hemofílicos
- A epidemia de AIDS na Tailândia, citada por Duesberg como prova de sua hipótese, é evidência que tende a confirmar o papel do HIV na AIDS
- O AZT e drogas ilícitas, contrariamente do que Duesberg afirma, não causam deficiência imunológica semelhante à encontrada na AIDS.
Warren Winkelstein Jr., um pesquisador sobre AIDS, de Berkeley , caracterizou a contínua publicação de sua teoria por Duesberg como "irresponsável, com conseqüência terrivelmente sérias“.
Helene Gayle, que foi diretora associada do Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte americano (CDC), em Washington, caracterizou a mensagem de Duesberg como "muito prejudicial" para os projetos de prevenção da AIDS.
Martin Delaney, do Projeto Informação, tem sido um oponente ativo da "campanha pública contínua" de Duesberg, "para convencer o público, a população de risco de infecção pelo HIV, e as pessoas já infectadas, de que elas não estão em perigo por causa deste vírus, de que a AIDS é apenas uma doença de comportamento, e de que os tratamentos atuais para a doença e o abuso de drogas recreativas são de fato a causa da doença".
A reportagem especial da revista Science, após uma investigação de 3 meses, descobriu que "Pesquisadores da corrente dominante da AIDS contestam que os argumentos de Duesberg são construídos por leitura selecionada da literatura científica, rejeitando evidências que contradizem suas teses, requerendo provas definitivas impossíveis, e rejeitando estudos inequívocos marcados por fraquezas incoerentes".

