Jorge II de Saxe-Meiningen

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Jorge II
Duque de Saxe-Meiningen
Georg II. Sachsen-Meiningen.jpg
Governo
Consorte Carlota Frederica da Prússia
Feodora de Hohenlohe-Langenburg
Ellen Franz
Vida
Nascimento 2 de Abril de 1826
Meiningen, Alemanha
Morte 25 de Junho de 1914 (88 anos)
Wildungen, Alemanha
Filhos Bernardo III de Saxe-Meiningen
Jorge Alberto de Saxe-Meiningen
Maria Isabel de Saxe-Meiningen
Ernesto de Saxe-Meiningen
Frederico João de Saxe-Meiningen
Vitor de Saxe-Meiningen
Pai Bernardo II de Saxe-Meiningen
Mãe Maria Frederica de Hesse-Cassel

Jorge II de Saxe-Meiningen (2 de Abril de 1826 - 25 de Junho de 1914) foi o penúltimo duque de Saxe-Meiningen, reinando de 1866 até à sua morte.

Família e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Jorge foi o único varão dos dois filhos do duque Bernardo II de Saxe-Meiningen e da sua esposa, a princesa Maria Frederica de Hesse-Cassel.[1] O seu nascimento foi um alivio para o ducado visto que a sucessão estava em risco devido à falta de herdeiros masculinos na família. Jorge seria filho único até aos dezassete anos de idade, quando nasceu a sua irmã Augusta em 1843.[2]

Jorge passou a infância com os pais e a avó, a duquesa-viúva Luísa Leonor. Foi a sua avó que lhe transmitiu o orgulho nas suas origens e o sentido de dever necessário necessário para governar um ducado.[2]

Em 1862, a sua única irmã casou-se com o príncipe Maurício de Saxe-Altemburgo, um filho do duque Jorge de Saxe-Altemburgo. Os dois foram pais do duque Ernesto II de Saxe-Altemburgo, último duque desse ducado.

Duque de Saxe-Meiningen[editar | editar código-fonte]

Jorge sucedeu ao seu pai como duque de Saxe-Meiningen quando este foi forçado a abdicar no dia 20 de Setembro de 1866 após a derrota da Áustria na Guerra Austro-Prussiana.[3] Ao contrário do seu pai, Jorge manteve-se leal aos prussianos durante a guerra e foi compensado com uma posição como Tenente-General no exército prussiano. Também ao contrário dos seus pais, o jovem duque conhecia suficientemente as políticas prussianas para ver as suas atitudes como impraticáveis.[4] Durante a Guerra Franco-Prussiana, Jorge liderou dois regimentos de soldados de Meiningen e teve a honra de capturar os primeiros franceses na Batalha de Froeschweiler.[3] Lutou notavelmente todas as batalhas durante a guerra. Jorge estava no batalhão de Guilherme I quando este entrou em Paris e seria um amigo chegado do imperador até à sua morte.[3]

Casamentos[editar | editar código-fonte]

Primeiro[editar | editar código-fonte]

Carlota Frederica da Prússia.

Jorge casou-se pela primeira vez em Charlottenburg, no dia 18 de Maio de 1850 com a princesa Carlota Frederica da Prússia.[4] A princesa era a filha mais velha do príncipe Alberto da Prússia e da princesa Mariana dos Países Baixos e era neta do rei Frederico Guilherme III da Prússia e do rei Guilherme I dos Países Baixos.

Tiveram quatro filhos:

  1. Bernardo III de Saxe-Meiningen (1 de Abril de 1851 - 16 de Janeiro de 1928), casado com a princesa Carlota da Prússia; com descendência.
  2. Jorge Alberto de Saxe-Meiningen (12 de Abril de 1852 - 27 de Janeiro de 1855), morreu aos dois anos de idade.
  3. Maria Isabel de Saxe-Meiningen (23 de Setembro de 1853 - 22 de Fevereiro de 1923), sem descendência.
  4. Um filho (29 de Março de 1855 - 30 de Março de 1855).

O casal teve um noivado curto, já que o casamento foi por amor. Entre outras prendas de casamento receberam uma opulente villa no Lago Como da mãe de Carlota. Recebeu o nome de Villa Carlotta em honra da noiva. O casal passou os cinco anos seguintes entre Berlim e Potsdam, mas regressavam sempre a Meiningen para o nascimento dos filhos.[4]

No dia 27 de Janeiro de 1855, o seu segundo filho Jorge morreu. Carlota viria a segui-lo três meses depois, morrendo durante o parto do seu último filho e deixando Jorge inconsolável.[5] Sucedeu ao seu pai como duque em 1866, onze anos depois da morte de Carlota.

Segundo[editar | editar código-fonte]

Feodora de Hohenlohe-Langenburg.

Apesar de estar viúvo há pouco tempo, Jorge começou imediatamente à procura de uma nova esposa para dar uma mãe aos seus dois filhos. Jorge conheceu a sua segunda esposa, a princesa Feodora de Hohenlohe-Langenburg, quando estava a caminho de Itália e os dois ficaram noivos quase imediatamente.[6] Feodora era sobrinha da rainha Vitória do Reino Unido, sendo filha da meia-irmã desta, a princesa Feodora de Leiningen e do seu marido, o príncipe Ernesto I de Hohenlohe-Langenburg. Os dois casaram-se no dia 23 de Outubro de 1858 em Langenburg.[1]

Tiveram três filhos:

  1. Ernesto Bernardo Vítor Jorge (27 de Setembro de 1859 - 29 de Dezembro de 1941), casado com Katharina Jensen; com descendência.
  2. Frederico João Bernardo Hermano Henrique Maurício (12 de Outubro de 1861 - 23 de Agosto de 1914), morto durante a Primeira Guerra Mundial; casado com a princesa Adelaide de Lippe-Biesterfeld; com descendência.
  3. Vítor de Saxe-Meiningen (14 de Maio de 1865 - 17 de Maio de 1865).

Contudo, o casamento foi infeliz. Jorge nunca aceitou a morte de Carlota e Feodora não tinha o temperamento necessário para a vida que era esperado levar.[7] Não tinha talentos intelectuais nem artísticos e, pior que tudo, não tinha qualquer interesse em adquiri-los. Apesar disso, Jorge tentou educá-la visto que tinha uma grande paixão pelas artes, especialmente por teatro. A mãe de Feodora apoiou-o, dizendo que era "muito sensível da parte dele fazer com que a sua noiva esteja ocupada com aulas, ter aulas de desenho e ouvir palestras sobre história." [7] Contudo, Jorge não demorou muito tempo a perceber que Feodora nunca seria tão sagaz e inteligente como Carlota. Após a morte do seu terceiro filho, Feodora passou a passar o menor tempo possível em Meiningen.[7] Em 1866 Jorge tornou-se duque de Meiningen, tornando-a sua consorte.

Feodora contraiu febre escarlate em Janeiro de 1872, vindo a morrer no mês seguinte. Apesar das muitas diferenças que existiam entre eles, Jorge tinha gostado muito dela e quando ficou doente, ficou genuinamente preocupado, enviando telegramas aos pais dela duas vezes por dia.[7]

Terceiro[editar | editar código-fonte]

Ellen Franz.

Em terceiro lugar, Jorge casou-se de forma desigual em Liebenstein, no dia 18 de Março de 1873 com Ellen Franz, uma antiga actriz que recebeu o seu próprio título, baronesa von Holdburg, pouco antes do casamento.

O casamento foi morganático e enfureceu muito o kaiser Guilherme.[8] Jorge, por seu lado, passou a ser cada vez mais defensivo e zangava-se com qualquer pessoa que não reconhecesse a sua esposa e a trata-se como sua igual.[8] A maioria dos alemães apoiava a decisão de Jorge em casar-se, mas Guilherme estava particularmente desconcertado porque a primeira esposa de Jorge era parente da sua.[8] Guilherme não era o único que se opunha a este casamento: o pai de Jorge, o ex-duque Bernardo também ficou ofendido e ameaçou que iria apelar directamente à população do ducado, pensando erradamente que estes partilhariam da sua opinião. Os oficiais e ministros de Saxe-Meiningen também se opuseram ao casamento. Muitos acabaram por se demitir e as suas esposas insultavam Ellen abertamente. O exercito também se recusava a saudá-la, enfurecendo ainda mais o duque Jorge que enviou um emissário a Berlim para se queixar a Guilherme. O kaiser ordenou que todos os oficiais deveriam saudar Ellen no futuro como baronesa von Holdburg.

O casal não teve filhos. Muito amados pelo seu povo, Ellen e Jorge criaram e desenvolveram o Teatro de Meiningen.

Relação com o teatro[editar | editar código-fonte]

Jorge II por Julius Greiner.

Após a Guerra Franco-Prussiana, Jorge dedicou-se por completo ao teatro. Foi um dos maiores intelectuais entre a alta nobreza durante o segundo império alemão e é particularmente conhecido por ter desenvolvido a trupe de Meiningen, usando o teatro da sua corte. Recorrendo aos seus conhecimentos de arte e história e ao seu talento no desenho, Jorge criou trajes, cenários e propriedades correctas. Além do mais, também coreografou grandes cenas que espantavam multidões por toda a Europa. O duque a sua trupe viajaram por toda a Europa extensivamente e tiveram um efeito profundo na produção teatral do continente. Jorge era conhecido pela sua grande visão artística e memória, trabalhando frequentemente sem guião. É conhecido como o primeiro director teatral moderno.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Nos seus últimos anos, Jorge sofreu de surdez e retirou-se da vida pública. Passou a dedicar-se à caça e a viajar e coleccionava antiguidados e manuscritos. Morreu no dia 25 de Junho de 1914 e foi sucedido pelo seu filho Bernardo.

Referências

  1. a b Lundy, Darryl. "The Peerage: Georg II Herzog von Sachsen-Meiningen und Hildburghausen"
  2. a b Koller, p. 30.
  3. a b c "Duke George II. Dies in Meiningen", The New York Times (Meiningen), 26 de Junho de 1914
  4. a b c Koller, p. 50.
  5. Koller, p. 51.
  6. Koller, pp. 51-53.
  7. a b c d Koller, p. 53.
  8. a b c When Morganatic Wives Become Troublemakers For European Monarchs", The New York Times, 11 de Setembro de 1911