Kurt Schuschnigg

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Kurt von Schuschnigg

Kurt Alois Josef Johann Edler von Schuschnigg (Riva del Garda, 14 de dezembro de 1897Mutters (perto de Innsbruck), 18 de novembro de 1977) foi um político austríaco. Foi o último chefe de estado austríaco anti-nazista antes da anexação da Áustria à Alemanha (Anschluss).

Filho de um um general austríaco do Tirol italiano (atual Província de Trento), estudou em Trento. Muito jovem, combateu na Primeira Guerra Mundial e, após o conflito (quando o Tirol foi dividido entre Áustria e Itália), seguiu com a família para o Tirol austríaco.

Kurt inscreveu-se no Partido Social Cristão da Áustria. Cursou a Faculdade de Direito em Innsbruck, formando-se advogado em 1922. Entre 1932 e 1934, tornou-se ministro da justiça no governo de Engelbert Dollfuss. Fundou um grupo paramilitar denominado Ostmärkische Sturmscharen, de tendência anti-comunista.

Schuschnigg sucedeu Engelbert Dollfuss, assassinado em 1934 numa tentativa frustrada de golpe nazi, como chanceler da Áustria. Torna-se chanceler e inicia um governo parecido com aquele de Dollfuss, de inspiração fascista e anti-comunista, mas contrário a Adolf Hitler e à anexação da Áustria.

A anexação da Áustria

Quando a Alemanha recompôs suas tropas na Renânia, em 1936, Schuschnigg preocupou-se com uma invasão alemã na Áustria e chegou a assinar acordos de não agressão com Hitler, um dos quais comprometia a Alemanha a não se intrometer nos assuntos internos austríacos. Contudo, muitos políticos austríacos eram filonazistas e influenciavam as decisões do governo.

Enquanto isso, Hitler pressionava a Áustria num acordo que pedia a anistia dos assassinos de Dollfuss e a revogação da proibição sobre a recomposição do partido nazista austríaco. Com o concenso "forçado" do presidente austríaco Wilhelm Miklas, Schuschnigg anunciou a anistia dos assassinos de Dollffuss e o ingresso de três ministros filonazistas ligados a Hitler. No dia 20 de fevereiro seguinte, Hitler fez uma declaração pela rádio estatal, dizendo que os povos de língua alemã não poderiam e nem deveriam viver separados da Alemanha, com referências explícitas à Áustria e à Tchecoslováquia (Boêmia). Dias depois, Schuschnigg declarou ao Parlamento que não concederia mais nada à Alemanha e que Áustria deveria ser um país livre e independente. Vários filonazistas austríacos reagiram com manifestações, algumas violentas.

Schuschnigg se dirige aos operários e simpatizandos do partido social-democrata, mas o apelo não é atendido. Em março, o chanceler apela para um referendum no qual a população austríaca decidiria sobre a liberdade da Áustria. Hitler e o partido nazista alemão repudiam a iniciativa de Schuschnigg, que pediu apoio a Mussolini, mas este lhe afirmou que um plebicito seria um erro, afirmando: Se o resultado é positivo, dirão que foi manipulado; se o resultado é contrário, será insustentável para o governo; se for incerto, será inútil [1]

Contudo, Hitler já havia decidido pela invasão da Áustria. Tendo enviado primeiramente a Roma o príncipe Phillip von Hessen, para que garantisse que Mussolini não interviesse em favor da Áustria em nenhum caso, a Alemanha deu prosseguimento à operação que ficou conhecida como Operation Otto. Com a pressão dos ministros austríacos filonazistas Glaise-Horstenau e Seyß-Inquart sobre Schuschnigg e o presidente Miklas, estes decidiram por revogar o referendum. Hitler declara abertamente que Schuschnigg deveria ser demitido e que em seu lugar devria ser nomeado o ministro Seyß-Inquart, o qual teria pedido um intervento militar alemão para "acalmar" a situação austríaca.

Com tamanha pressão, Schuschnigg se demite. O presidente Miklas se nega a nomear Seyß-Inquart como chanceler austríaco, mas sofre grande pressão e dois dias depois acaba por demitir-se ele também. Suas funções passam para o novo chanceler filonazista.

Perseguição e a prisão

Schuschnigg tentou em vão ser exilado; foi preso pelos nazistas, obrigado a viver em regime semiaberto numa pequena propriedade rural por dezesseis meses, chegando a sofrer humilhações de soldados da SS. Foi posteriormente enviado ao campo de concentração de Dachau e, depois, ao de Schsenhausen, como relatou posteriormente em seu livro Austrian Requiem.

Em abril de 1945, foi transferido para a o Província de Bolzano, próximo ao Lago Pragser. Foi liberto pelas tropas americanas em 5 de maio do mesmo ano.

Como Schuschnigg, vários austríacos foram presos porque não aceitaram a anexação da Áustria. Um grande exemplo foi o de Otto de Habsburgo, filho do último imperador austríaco, beato Carlos de Habsburgo.

Nos Estados Unidos e o retorno[editar | editar código-fonte]

Em 1947, após o término da Segunda Guerra Mundial, Schuschnigg se transferiu para os Estados Unidos, tornando-se a partir de 1948 professor de Direito Internacional junto à Universidade de Saint Louis (Missouri).

Em 1968 retornou à Áustria, aderindo ao partido popular austríaco (Österreichische Volkspartei)

Matrimônio e filhos[editar | editar código-fonte]

Schuschnigg se casou duas vezes. Em 1925 com

  • Herma Masera, com que teve o filho Kurt (1926); Herma morreu em Pichling, próxima a Linz, em 13 de julho de 1935 em um acidente de carro.

Casou-se depois com a condessa

  • Vera Czernin von Chudenitz (Vera Fugger antes do divórcio), com quem teve uma filha.

Referências

  1. (Winston Churchill, The second world war, 1° Volume: The gathering storm, 15º capitolo: The rape of Austria, February, 1938 Cassel & Company LTD, Londra, 1964)



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