Línguas altaicas

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Distribuição geográfica das línguas altaicas

A família das línguas altaicas é uma família linguística ainda mal-atestada, incluindo 66 idiomas e falada por um número entre 348 e 558 milhões de habitantes, concentrados na Ásia Central. A existência de um idioma proto-altaico que teria originado os demais idiomas está ainda em discussão entre os linguistas. Mesmo os idiomas que pertenceriam a esta família nem sempre são consensuais entre os linguistas. Alguns[quem?] acreditam que essa família se originou por convergência (sprachbund), ou seja, idiomas de origem diferentes que se aproximaram por contato mútuo. Outros ainda acreditam que os idiomas altaicos têm origem comum a outras super-famílias, como a uralo-altaica e a indo-europeia. O nome provém da cadeia de montanhas de Altai.

Na versão mais restrita, são considerados pertencentes à família altaica as línguas turcomanas (como o turco, o cazaque e o azeri), as línguas mongólicas (como o mongol) e as línguas tungúsicas, faladas no nordeste da China e sudeste da Rússia. Muitos linguistas ainda incluem entre estas o coreano e as línguas japônicas (como o japonês), como prováveis línguas altaicas altamente divergentes ou como parentes do proto-altaico. Alguns linguistas ainda incluem o ainu, atualmente em processo de extinção.

História da teoria altaica[editar | editar código-fonte]

A família altaica, sob o nome "Tatar", foi postulada em 1849 pela primeira vez por Schott como um grupo de idiomas compreendendo os grupos turcomano, mongol e tungústico. Usou o nome "altaico" para o que atualmente se conhece como as Família Uralo-Altaica, que atualmente é contestada pela maioria dos linguistas. Castrés propôs em 1862 teorias semelhantes, mas classificando o grupo túrquico junto às línguas urálicas.

Em 1857, Anton Boller propôs a inclusão no grupo altaico do coreano e do japonês. Em 1920, G. J. Ramstedt e E. D. Polivanov propuseram mais etimologias para o coreano. O grupo de idiomas japônico está geralmente relacionado com o coreano. Em 1971, Roy Miller propôs uma super-família linguística que teria originado, separadamente, o coreano, o japonês e as línguas altaicas. A proposta foi desenvolvida por outros linguistas como Sergei Starostin.

O ainu, falado no norte do Japão, foi também relacionado com as línguas altaicas (Street (1962) e Patrie (1982)), mas as investigações mais recentes apontam uma maior probabilidade de que o Ainu seja uma língua austro-asiática.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Os opositores à existência da família altaica (geralmente denominados de "escola anti-altaica") afirmam que a teoria se baseia principalmente em similaridades tipológicas, como a harmonia vocálica, a ausência de gênero gramatical e a morfologia aglutinante, fenômeno também observado nas línguas urálicas (daí a antiga teoria das línguas uralo-altaicas). Starostin chegou a compilar um dicionário de termos cognatos entre os cinco grupos de idiomas, mas alguns linguistas como Bernard Comrie (1981) afirmam que essas palavras cognatas parecem ser provenientes de empréstimos. Por outro lado, defensores da teoria altaica afirmam que as correlações tipológicas e gramaticais são uma evidência mais forte de parentesco do que palavras cognatas, uma vez que empréstimos entre idiomas podem acontecer muito facilmente.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]