Lança-perfume

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O lança-perfume é um produto desodorizante em forma de um spray. O líquido (que é à base de cloreto de etila e acondicionado sob pressão em ampolas de vidro), devido à combinação do gás, do perfume e de sua essência, ao ser liberado forma um fino jato com efeito congelante.

História[editar | editar código-fonte]

Lança-perfume foi industrializado pela Rhodia (empresa francesa) e importado para o Brasil a partir de sua sede na Argentina. Em 1922, era fabricado o primeiro Lança-perfume nacional pela Rhodia instalada em São Bernardo do Campo.[1] A marca Rodouro foi muito solicitada nos carnavais brasileiros, até que os foliões passaram a utilizá-la como bebida espirituosa ou inalá-la profundamente. A partir de então, foi proibido o uso em salões e mais adiante a sua comercialização, em meados do século XX.

O lança-perfume apareceu no Carnaval em 1904, no Rio de Janeiro, sendo rapidamente incorporada aos festejos carnavalescos de todo o Brasil, principalmente nas batalhas de confete, corsos e, mais tarde, nos bailes. O produto tornou-se símbolo do Carnaval[2] .

Em 1961, por recomendação do jornalista Flávio Cavalcanti, seguida de um decreto do então Presidente Jânio Quadros, o lança-perfume fabricado pela Rhodia, na Argentina, acabou sendo legalmente proibido no Brasil, após alguns casos de morte de usuários por embriaguez seguida de acidentes fatais.

Características técnicas[editar | editar código-fonte]

O lança-perfume é uma droga manufaturada com solventes químicos à base de cloreto de etila.

O produto industrializado é geralmente embalado em tubos na forma líquida mediante alta pressão. O líquido, em contato com o ar, evapora rapidamente.

O lança-perfume acelera a freqüência cardíaca, podendo chegar até 180 batimentos por minuto. Aparentemente inofensiva devido ao seu odor, esta droga destrói as células do cérebro e pode levar o usuário a ter desmaios ou vômitos e principalmente o enfraquecimento dos ossos.

Efeitos[editar | editar código-fonte]

Os efeitos do lança-perfume podem variar conforme a quantidade inalada pelo usuário; ele age no sistema nervoso central e causa desde um pequeno zumbido até fortes alucinações; inicia de 5 a 10 segundos após a inalação da droga e dura de 30 segundos a até 10 minutos.

  • Euforia e excitação;
  • Perda de tato;
  • Formigamento das extremidades (mãos e pés);
  • Formigamento da face;
  • Distúrbios auditivos, referidos como "Tuim" (semelhante ao barulho de uma linha telefônica aguardando uma chamada) e um som semelhante ao de um helicóptero (vum vum vum) ou ambulância;
  • Alucinações: se inalado em grandes quantidades, a pessoa perde os sentidos (tem alucinações, sonhos); mas podendo sempre sofrer sérios danos causados por quedas ou por agir inconscientemente;
  • Após o efeito da droga: dores de cabeça, sensação de mal estar, náuseas e dores no estômago, podendo ocasionar hemorragias, além de problemas psíquicos como a depressão;
  • Se ingerido juntamente com bebida alcoólica, pode causar coma profundo;
  • Inconsciência;
  • Perda de memória.

Abstinência[editar | editar código-fonte]

Os inalantes (ou delirantes) não causam dependência física, mas o mesmo não se pode afirmar da dependência psicológica e da tolerância. Depois de absorvidos pela mucosa pulmonar, essas substâncias são levadas para o sistema nervoso central, fígado, rins, medula óssea e cérebro, causando neste último o bloqueio da transmissão nervosa. Para os indivíduos já viciados, a síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, está presente na interrupção abrupta do uso dessas drogas, aparecendo ansiedade, agitação, tremores, cãibras nas pernas, insônia e perda de outros interesses que não seja o de usar solvente. A tolerância pode ocorrer, embora não tão dramática quanto de outras drogas.

Uma versão não oficial do lança-perfume (porém igualmente tóxica e com sérios riscos à saúde) é conhecida como "cheirinho"," bico verde", "loló" ou ainda "cheirinho da loló". Este é um produto preparado de forma artesanal, à base de clorofórmio e éter (substâncias potencialmente cancerígenas). Outras substâncias são frequentemente adicionadas a esta mistura, o que pode potencializar os casos de intoxicação.

Referências

  1. Japiassu, Moacir. "Rhodia: um show que não pára nunca: Os 60 anos de uma empresa que sempre deu o que falar". Revista Isto é, 25.11.1978, p.84.
  2. Mendes, Fradique. (16 de fevereiro de 1929). "O lança-perfume" (em português). Cruzeiro: Revista Semanal Ilustrada 1 (15): 9; 46 (Especial para Cruzeiro).