Leila Khaled

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Leila Ali Khaled (Haifa, 9 de Abril de 1944) é uma militante da Frente Popular para a Libertação da Palestina que se tornou famosa nos anos 70 por ser uma das poucas mulheres árabes envolvidas em actividades de guerrilha. Actualmente é membro do Conselho Nacional Palestiniano.

Leila nasceu em Haifa, então parte integrante do Mandato Britânico da Palestina, numa família árabe de catorze irmãos. Aos quatro anos de idade ela e a sua família tiveram que abandonar a cidade devido à criação do estado de Israel em 1948 e à guerra que se seguiu. A família fixou-se num campo de refugiados em Tiro, no sul do Líbano.

Na adolescência juntou-se ao Movimento Nacionalista Árabe. Em 1963 mudou-se para o Kuwait, onde trabalhou como professora de inglês, enviando parte do dinheiro para sustentar a família. Foi neste país que se tornou membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina, organização marxista-leninista liderada pelo médico cristão ortodoxo George Habache, fundada após a derrota árabe na Guerra dos Seis Dias em 1967.

No mesmo ano Leila mudou-se para a Jordânia, onde foi treinada por Wadi Haddad (co-fundador da Frente Popular para a Libertação da Palestina) sobre como desviar aviões. No dia de 29 de Agosto de 1969 Leila e o colega Salim, integrados na unidade de comando Che Guevara da Frente Popular de Libertação da Palestina, desviaram um voo da TWA que ia de Roma para Tel Aviv, forçando o Boeing 707 a aterrar em Damasco. Embora todos os passageiros tivessem saídos ilesos, o caso gerou grande atenção mediática, dado envolver o sequestro de um avião por uma mulher árabe. Na época tornaram-se muito famosas as fotografias de Leila com keffiyeh árabe, uma Kalashnikov e um anel feito com uma parte de uma granada.

Antes de proceder à sua segunda acção, Leila submeteu-se durante seis meses à uma série de operações plásticas cujo objectivo era modificar o seu aspecto e assim passar despercebida às forças de segurança israelitas.

No dia 6 de Setembro de 1970 Leila e Patrick Arguello sequestraram um voo da companhia israelita El Al que viajava de Amesterdão para Nova Iorque. Agentes de segurança israelitas que viajavam no avião disparam sobre Arguello, que viria a falecer, tendo Leila fica inconsciente devido a um golpe que levou na cabeça. O piloto levou o avião para o aeroporto de Heathrow em Londres, onde Leila foi detida, tendo permanecido vinte e três dias em prisão na Ealing Police Station. O objectivo fracassado da missão era levar o avião para a Jordânia, onde outros dois aviões integrados numa operação da Frente Popular foram explodidos.

Documentos revelados em 2001 mostram que Leila Khaled foi libertada graças a negociações secretas com a Frente Popular para a Libertação da Palestina. O grupo tinha feito o sequestro de um avião no qual viajavam 56 passageiros britânicos, alguns dias após o fracasso da missão de Leila, e pediam a libertação da companheira em troca dos reféns.[1]

Depois de 1970, o envolvimento de Leila na luta palestiniana mais discreto. Foi membro da OLP até 1982. É hoje membro do Conselho Nacional Palestiniano e participa regularmente em eventos como o Fórum Social Mundial.

Actualmente vive em Amã, Jordânia, com o seu segundo marido, o médico Fayez Rashid. Tem dois filhos, Bader e Bashar.

Em 2005 uma jornalista sueca de origem palestina realizou um documentário sobre a vida de Leila, intitulado "Leila Khaled Hijacker".

Referências

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