Ialorixá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Mãe-de-santo)
Ir para: navegação, pesquisa
Emblem-scales.svg
A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão. (desde outubro de 2012)
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.
Candomblé

Casa branca engenho velho.jpg Ilê Axé Iyá Nassô Oká - Terreiro da Casa Branca - a casa de candomblé mais antiga de Salvador, na Bahia

Religiões afro-brasileiras


Princípios Básicos Deus queto | Olorum | Orixás Jeje | Mawu | Vodun Banto | Nzambi | Nkisi


Templos afro-brasileiros Babaçuê | Batuque | Cabula Candomblé | Culto de Ifá Culto aos Egungun | Quimbanda Macumba | Omoloko Tambor-de-Mina | Terecô | Umbanda Xambá | Xangô do Nordeste Sincretismo | Confraria


Literatura afro-brasileira Terminologia Sacerdotes Hierarquia


Religiões semelhantes Religiões Africanas santería Palo Arará Lukumí Regla de Ocha Abakuá Obeah


Ialorixá,[1] iyalorixá,[2] [3] [4] [5] [6] iyá, ialaorixá ou mãe de santo[7] é uma sacerdotisa e chefe de um terreiro de candomblé queto.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Iyá, na língua yorubá, significa mãe: (pronuncia ) a junção iaiá ou yayá significa "mamãe", forma carinhosa de falar com a mãe, ou com a senhora da fazenda, muito usada pelos escravos. É uma palavra utilizada em muitos segmentos das religiões afro-brasileiras, principalmente no candomblé. Pode ser usado antes de uma palavra, como é o caso de iyabassê ou iyá-bassê,[8] Iyá Kekerê[9] [10] , iyalorixá[11] , Iyá Nassô, como pode se usar a palavra para se referir às Iyámi (minha mãe), também chamadas de Iyami-Ajé (minha mãe feiticeira) ou Iyami Agbá[12] (minha mãe anciã).

Descrição[editar | editar código-fonte]

Ela é a responsável por tudo que acontece no terreiro, ninguém faz nada no terreiro sem sua prévia autorização. Sua função é sacerdotal: ela faz consultas aos orixás através do jogo de búzios, uma vez que no Brasil não temos o hábito de consultar o babalaô, que é o sacerdote supremo do jogo de Ifá, devido à ausência do mesmo na tradição afro-brasileira desde a morte de Martiniano do Bonfim. Segundo os mais antigos, foi por volta de 1943 que faleceu o último babalaô sacerdote supremo do culto de Ifá no Brasil, e, desde então, não há mais participação ativa de um babalaô nos ritos.

Ialorixás do candomblé: ao centro, Mãe Olga do Alaketu

Durante esse período, o professor Agenor Miranda era convocado para fazer o jogo para saber dos orixás quem seria a mãe de santo nos grandes terreiros baianos. Com os avanços tecnológicos e com a imigração voluntária de africanos para o Brasil, começaram a surgir novos babalaôs na tradição do candomblé. Necessário se faz diferenciar o jogo de Ifá do jogo Merindelogun e jogo de búzios.

Conta com a ajuda de muitas pessoas para a administração da casa,[13] sendo que cada um tem uma função específica na hierarquia, mas todos sabem fazer de tudo para um caso de emergência. A responsabilidade, a quantidade de filhos de santo, de clientes, e a quantidade de problemas a serem resolvidos num terreiro grande não se comparam ao de uma casa menor. Motivo pela qual a ialorixá das grandes casas conta com a ajuda de um grupo de auxiliares.

Já nas casas menores, a iyalorixá, além da função sacerdotal, acumula diversas outras funções, devendo ser conhecedora das folhas sagradas, seus segredos e aplicações litúrgicas. Em caso de rituais ligados aos eguns, ou se especializa ou consulta um Ojé. Quando necessário, quando a casa ainda não tem um axogum confirmado, ela mesmo faz os sacrifícios. Quando a casa ainda não tem alabê, normalmente a ialorixá convida alabês das casas irmãs para tocar o candomblé. Na ausência da iabassê ou equede, ela mesmo faz as comidas dos orixás, costura as roupas das iaôs, faz as compras etc. As ialorixás mais populares, conhecidas e que se destacaram foram Mãe Olga do Alaketu,[14] [15] [16] Mãe Aninha, Mãe Senhora e Mãe Menininha do Gantois.

Mães de Santo falam na Abertura da Conferência Regional das Américas sobre os Avanços do Plano de Ação contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias, em 2006, em Brasília

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Priberam: ialorixá
  2. Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira Marco Aurélio Luz Editora da Universidade Federal da Bahia, 2000
  3. Revendo o Candomblé Por Eurico Ramos
  4. Maria Bibiana do Espírito Santo: Mãe Senhora : saudade e memória José Félix dos Santos, Cida Nóbrega Corrupio, 2000
  5. Educação, cultura e direito: coletânea em homenagem à Edivaldo M. Boaventura EDUFBA, 2005
  6. Afro-Ásia, Edições 29-30 Centro de Estudos Afro- Orientaís da Universidade Federal da Bahia, 2003
  7. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 910.
  8. Faraimará, o caçador traz alegria: Mãe Stella, 60 anos de iniciação Raul Giovanni da Motta Lody, Stella (de Oxóssi, Mãe.) Pallas, 1999
  9. The Architects of Existence: Aje in Yoruba Cosmology, Ontology, and Orature Por Teresa N. Washingto(em inglês)
  10. GUERREIRAS DE NATUREZA: Mulher negra, religiosidade e ambiente editado por Elisa Larkin Nascimento
  11. As nações Kêtu: origens, ritos e crençãs: os candomblés antigos do Rio de Janeiro Por Agenor Miranda Rocha
  12. O culto dos Eguns no Candomblé
  13. O papel da liderança religiosa feminina na construção da identidade negra Maria Salete Joaquim EDUC, 2001
  14. Ministério da Cultura do Brasil (27/12/2002). Lista de homenageados com a Ordem do Mérito Cultural 1995 – 2002 (html). Visitado em 7 de Junho de 2011.
  15. The New York Times. Olga de Alaketu, 80, Afro-Brazilian Priestess (html) (em inglês). Visitado em 7 de Junho de 2011.
  16. Mulheres de Axé
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ialorixá