Babalorixá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pai-de-santo Antonio de Obaluaye

O babalorixá, ou baba (pai), é um sacerdote que passou por todos os preceitos e obrigações exigidas para tal cargo. É o líder e chefe de um terreiro de Candomblé Ketu, e de algumas das religiões afro-brasileiras, onde o cargo de babalorixá é igual ao de iyalorixá. Nem toda pessoa iniciada será um sacerdote com casa aberta, uma vez que, isso será determinado por seu Orixá na obrigação de sete anos (Oduijé), quando receberá o titulo e direitos de independência do seu babalorixá. No caso do Orixá não querer uma casa aberta, na hora da entrega dos direitos ele coloca aos pés do seu babalorixá e a pessoa não precisará abrir uma casa, podendo permanecer na casa onde foi iniciado como Egbomi.

Na sua função sacerdotal, o babalorixá faz consultas aos orixás através do jogo de búzios, uma vez que, no Brasil, não há o hábito de se consultar o babalawo, chefe supremo do jogo de Ifá. Isso se deve à ausência da figura do mesmo na tradição afro-brasileira, desde a morte de Martiniano do Bonfim, segundo os mais antigos ocorrida por volta de 1943. Desde então, o professor Agenor Miranda era convocado para escolher a mãe-de-santo nos grandes terreiros baianos, mas agora, com os avanços tecnológicos e com a imigração voluntária de africanos para o Brasil, ouve-se falar de novos babalawos na tradição brasileira, donde a necessidade de diferenciar ifá de merindelogun e jogo de búzios.

Na sua função administrativa, é o responsável maior por tudo o que acontece na casa - a quantidade de filhos-de-santo, a de pessoas para serem atendidas - problemas a serem resolvidos -, e nela ninguém faz nada sem a sua prévia autorização. Conta com a ajuda de muitas pessoas para a administração da mesma, cada uma com uma função específica na hierarquia, embora todos os auxiliares conheçam de tudo para atender a qualquer eventualidade.

Nas casas menores de candomblé, o babalorixá, além da função sacerdotal acumula diversas outras funções, devendo ser conhecedor das folhas sagradas, seus segredos e aplicações litúrgicas; em caso de rituais ligados aos eguns, ou se especializa, ou consulta um ojé quando necessário. Quando a casa ainda não tem um axogun confirmado, ele mesmo faz os sacrifícios; quando a casa ainda não tem alagbê, normalmente o babalorixá convida alagbês das casas co-irmãs para tocar o candomblé; na ausência da iyabassê ou ekedi, ele mesmo faz as comidas dos orixás, costura as roupas das iaô, faz as compras e outras tarefas do dia-a-dia.

O candomblé pode ser considerado uma religião brasileira com origem em diversos sistemas mítico religiosos de origem africana. Nessa perspectiva corresponde simultaneamente a um sistema etnomédico ou medicina tradicional de matriz africana que vem sendo mantido (e recentemente reconstruído a partir das demandas pelo revival das medicinas tradicionais) a partir da sua origem nas diferentes culturas yorubá, bantu entre outras. A função do babalorixá nesse caso ganha destaque especial por sua relação com Obaluaiyê ou com a referida prática de colher as folhas sagradas atribuídas, segundo Bastide, ao babalosaim dedicado ao culto de Osanyin.

Babalorixá no Batuque[editar | editar código-fonte]

Babalorixá no Xângo do Nordeste[editar | editar código-fonte]

Toda casa de Xangô do Nordeste, também conhecidas como Xangô do Recife, Xangô de Pernambuco ou Nagô-Egbá, é dirigida por um babalorixá juntamente com uma iyalorixá, diferente dos candomblés tradicionais da Bahia, onde algumas casas apenas as mulheres podem assumir o cargo de líder, e outras, apenas um dos dois será o escolhido para assumir a liderança.

Babalorixá no Xambá[editar | editar código-fonte]

Babá na Umbanda[editar | editar código-fonte]

Há uma diferenciação entre cargos de babá ou pai de santo da Umbanda com o de babalorixá, que é definida pela iniciação. Somente uma pessoa iniciada no candomblé ou religiões tradicionais africanas, e em algumas das religiões afro-brasileiras poderá se tornar um babalorixá após cumprir todos os preceitos desde a iniciação, até a obrigação de sete anos. Se a pessoa não passou por todos esses preceitos não poderá receber esse cargo.

A iniciação na Umbanda é diferente da iniciação no Candomblé, e o iniciado na umbanda não passa pelos mesmos preceitos que o iniciado no candomblé, portanto, não poderá usar o título de babalorixá que não pertence à umbanda. Só poderá ser chamado de babalorixá caso faça a iniciação no candomblé e todas obrigações e continue tocando umbanda.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre candomblé é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Babalorixá