Manual de Pintura e Caligrafia

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Manual de Pintura e Caligrafia
Autor (es) José Saramago
Idioma português
País  Portugal
Género romance
Editora Moraes Editores
Lançamento 1977
Páginas 347
Cronologia
Último
Último
Terra do Pecado
Levantado do Chão
Próximo
Próximo

Manual de Pintura e Caligrafia é um livro do escritor português José Saramago, publicado pela primeira vez em 1977, pela Moraes Editores, Lisboa, e reeditado em 1984 e 1986. Essa obra, como muitas das outras de sua autoria, já foi traduzida para vários idiomas.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Pode-se dizer que o Manual é uma obra do gênero narrativo, mais precisamente um romance, porém com características outras como a de um tratado, relatando a arte de se imitar o mundo por meio da pintura, esta última imitada pela linguagem e a linguagem é imitada pelo mundo que nos cerca.[1]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Segundo Luís Rebelo de Sousa, o livro faz parte do gênero autobiográfico e: "oferece-nos no seu conjunto, um semental de ideias e uma carta de rumos da ficção de José Saramago até à data. Nele se fundem as escritas de uma complexa e rica tradição literária e a experiência de um tempo vivido nos logros do quotidiano e das vicissitudes da história, que será a substância da própria arte."[2]

Saramago diz, em sua obra, que:

Cquote1.svg Sei disto um pouco, porque o aprendi em tempos, porque tenho pintado, porque estou a escrever. Agora mesmo o mundo transforma-se lá fora. Nenhuma imagem o pode fixar: o instante não existe.[3] Cquote2.svg
José Saramago

No livro, com o qual retornou ao romance (mesmo autobiográfico) após quase duas décadas de afastamento, Saramago já apresentava traços característicos que mais adiante determinariam sua obra. O autor problematiza o ato de escrever, observa a história com um distanciamento do discurso oficial e combina ensaio e romance, desmoronando fronteiras entre ficção e não-ficção, como afirma a professora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: "Na ficção Saramaguiana, feita de alegorias e de metáforas, além dos muitos palpites do narrador, o real é subvertido e utopias inventadas."[4]

Esse distanciamento em relação ao objeto da sua arte existe para se descobrir a verdade, ou suas múltiplas formas, as quais se escondem sob aparências. Para isso, apenas o tempo poderia ajudá-lo no reconhecimento de seu projeto duplo, o segundo retrato, a caricatura da caricatura. O Manual mostra, assim, o despertar da História no âmago de alguém, através da análise do tempo que gasta na execução de sua arte. Esse distanciamento visa captar o objeto como ele verdadeiramente é, oculto sob cristalizações culturais e que não percebemos por conta do condicionamento de nossa visão pela socialização da imagem.[2]

No romance seguinte ao Manual, Levantado do chão (1980), o autor decidiu-se por estabelecer um uso muito próprio dos sinais de pontuação, completando, em linhas gerais, o estilo saramaguiano.

Referências

  1. Sinopse do livro
  2. a b Sousa, Luís Rebelo de. Análise de Manual de pintura e caligrafia Crítica.. Página visitada em 21/02/2009.
  3. Trecho do livro Manual de pintura e caligrafia
  4. O Fabuloso destino do herói modesto, Revista Entre Livros, nº 23, pgs. 36 a 38.
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