A Jangada de Pedra

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A Jangada de Pedra
Autor (es) José Saramago
Idioma português
País  Portugal
Género romance
Editora Editorial Caminho
Lançamento 1986
Páginas 330
Cronologia
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O Ano da Morte de Ricardo Reis
História do Cerco de Lisboa
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A Jangada de Pedra é um romance de José Saramago. Conta a história ficcional da separação geográfica da Península Ibérica do restante continente europeu. Esta obra, traduzida em mais de vinte línguas, já foi adaptada ao cinema em 2002 por George Sluizer.A obra é escrita em um formato singular, onde os diálogos sao incorporados à narrativa, omitindo os travessões e pontos de exclamação e interrogação.

A separação geográfica é uma alusão ao que Saramago via ocorrer frente à unificação da Europa, onde os países ibéricos estavam postos de lado, navegando à deriva sem se identificarem cultural, social ou economicamente com o restante do continente.

A este acontecimento impactante, aparentemente sem explicação científica, precedem outros quatro igualmente sobrenaturais que unem as personagens com quem ocorreram os factos. Joana Carda, Joaquim Sassa, José Anaiço e Maria Guavaira, Pedro Orce e Cão, percorrem uma longa jornada em busca de algo que lhes desatormente as almas, a sentirem-se culpadas pelo ocorrido.

Descrição das Personagens[editar | editar código-fonte]

Joana Carda: Ao riscar o chão (em solo português, haja vista) com uma vara de negrilho (ulmeiro ou olmo) se sente partilhar da culpa pela separação da Península Ibérica do restante da Europa. O risco é permanente, quando revolvido, refaz-se imediatamente.

Maria Guavaira: Encontrou em sua casa, na costa da Galiza, uma meia de lã azul que não termina de desfazer-se, formando um novelo enorme (descrito como uma nuvem).

Joaquim Sassa: A personagem se diz realizadora de uma tarefa sobre-humana, lançar uma pedra ao mar numa praia da cidade do Porto; que, por sua massa e distância percorrida, fazem do ato impossível para o físico de Joaquim.

José Anaiço: Seguido por uma revoada de estorninhos durante a parte inicial do livro, sem motivo aparente, ou ligação imediata com os outros casos, assim como com a cisão da Europa, a personagem mostra o seu propósito apenas no decorrer do enredo.

Pedro Orce: Sente uma contínua vibração vinda do solo, como se pudesse perceber as oscilações provocadas pelo movimento de Espanha e Portugal.

Constante (o Cão): Mostrado no princípio da narrativa como hesitante entre Espanha e França, no momento em que surge a primeira fenda, o animal segue para a península e junta-se ao grupo, tornando-se companheiro frequente de Pedro Orce. Constante também sente as vibrações do movimento. Há alusão a uma possível origem infernal do cachorro, dada pelo fato de este provir da região de Cèrbere, fronteiriça à Espanha, onde supostamente passou e latiu Cérbero, guardião do Hades.

Nesta teia, Saramago tem fértil terreno para destilar as suas críticas a respeito da vida em sociedade e das autoridades.

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