Mariana Alcoforado
Sóror Mariana Alcoforado OSC (Beja, 2 de Abril de 1640 — 28 de Julho de 1723) foi uma freira portuguesa do Convento de Nossa Senhora da Conceição em Beja.
É considerada a autora das cinco Lettres Portugaises (As Cartas Portuguesas) dirigidas a Noel Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, oficial francês que lutou em solo português sob as ordens de Frederico de Schomberg, durante a Guerra da Restauração. A sua obra Cartas Portuguesas tornou-se num famoso clássico da literatura universal.
[editar] Biografia
Já no testamento materno Mariana fora nomeada monja do Convento da Conceição. Sem nenhuma inclinação mística, ela estava, pois, destinada à vida religiosa, sorte idêntica à de muitos homens e moças da época, encerrados em mosteiros por mera decisão paterna.
Os amores com o Marquês de Chamilly, a quem vira pela primeira vez do terraço do convento, de onde assistia às manobras do exército, deve ter ocorrido entre 1667 e 1668. Sóror Mariana pertencia à poderosa família dos Alcoforados, e o escândalo provavelmente se alastrou. Temeroso das consequências, Chamilly saiu de Portugal, pretextando a enfermidade de um irmão. Prometera mandar buscá-la. Na sua espera, em vão, escreveu as referidas cartas, que contam uma história sempre igual: esperança no início, seguida de incerteza e, por fim, a convicção do abandono. Esses relatos emocionados fizeram vibrar a nobreza de França, habituada ao convencionalismo. Além disso, levaram, para a frívola sociedade, o gosto acre do pecado e da dor, pois, ao virem a lume, divulgaram a informação de que as compusera uma freira.
Seguiram-se as Respostas; entretanto, todas as outras publicações são apócrifas. Rousseau, por achar as cartas belas demais para serem ideadas por uma mulher, negava-lhes a autenticidade; entre os portugueses, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco. Pelas boas obras e pelos sacrifícios com o tempo se reabilitou; Mariana chegou à posição de abadessa do referido Convento franciscano e morreu já idosa, aos oitenta e três anos de idade.
Na hipótese de não serem autênticas, ignora-se por que as Cartas, escritas em francês, possuem acentuados vestígios de sintaxe portuguesa. Especula-se que provêm de tradução literal de cartas escritas em português — e perdidas —, ou então compostas por alguém que, conhecendo o idioma francês, não o dominava a ponto de redigi-lo com absoluta perfeição. E na biblioteca dos Alcoforados acharam-se inúmeros livros em francês, indício provável de que eles teriam se servido frequentemente da língua, ao menos para leitura.
[editar] Referências
- Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição)article "Marianna Alcoforado", uma publicação agora em domínio público. (Esta fonte advoga a autenticidade das cartas.)
- Sóror Mariana Alcoforado; "Cartas Portuguesas". Europa-América, 1974. 124 págs.
- Sóror Mariana Alcoforado; "Cartas de Amor". Editora Ausência, 2002. 80 págs.
- Sóror Mariana Alcoforado (trad. Eugénio de Andrade); "Cartas de uma Freira Portuguesa". Edição bilingue, RTP, Março de 1980, 80 págs.
- Lefcourt Charles R.. (September 1976). "Did Guilleragues Write "The Portuguese Letters"?". Hispania 59 (3): 493–497. DOI:10.2307/340526.
- Hilary Owen. (1997). "The Love Letters of Mariana Alcoforado". Cultura 16 (14).
- Cyr Myriam - "Letters of a Portuguese Nun: Uncovering the Mystery Behind a Seventeenth-Century Forbidden Love"; Hyperion Books; January 2006; ISBN 07-868-6911-9)
- Museu Regional de Beja — Biografia de Sóror Mariana Alcoforado
- Genealogia de Sóror Mariana Alcoforado