Melingos

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Região do Peloponeso habitada pelos melingos.

Melingos (em grego: Μηλιγγοί; transl.: Melingoi) é o nome de uma tribo eslava que se assentou na região do Peloponeso, na Grécia meridional, durante a Idade Média.

História[editar | editar código-fonte]

Tribos proto-eslavas (esclavenos) se assentaram por toda a região dos Bálcãs após o colapso da fronteira defensiva bizantina na região do rio Danúbio nas primeiras décadas do século VII, com alguns grupos invasores chegando até o Peloponeso.[1] Destes, dois grupos são conhecidos pelo nome através de fontes posteriores, os melingos e os ezeritas, ambos se passando a habitar as encostas do monte Taigeto. A origem e a etimologia do nome "melingos" é desconhecida.[2]

Assim como os ezeritas, os melingos foram mencionados pela primeira vez no "De Administrando Imperio", um manual sobre governo escrito pelo imperador bizantino Constantino VII Porfirogênito (r. 945–959). Ele relata que, durante o seu governo, eles pagaram um tributo de sessenta nomismas de ouro e que, posteriormente, eles se rebelaram, foram derrotados e, sob o domínio de Romano I Lecapeno (r. 920–945), tiveram que pagar 600 nomismas.[3] Sob o domínio bizantino, os melingos conseguiram manter uma existência autônoma, mas adotaram o cristianismo e acabaram helenizados, tanto em sua língua quanto em sua cultura.[4]

Durante o domínio franco nos séculos XIII e XIV, eles foram empregados tanto pelos senhores francos do Principado de Acaia quanto pelos gregos do Despotado de Moreia como soldados. De acordo com a "Crônica da Moreia", o príncipe Guilherme II de Villehardouin (r. 1246–1278) concedeu ao "grande drungo[a] dos melingos isenção de todas as obrigações, exceto o serviço militar.[5] Os melingos ainda aparecem em diversas inscrições sobre os fundadores de igrejas na Lacônia na década de 1330. Um deles, Constantino Spanes, da notável família Spanes, é chamado de "tzáusio do drungo dos melingos", implicando a existência da comunidade. N. Nicoloudis identifica o tema medieval tardio de Kinsterna ou Giserna (do latim cisterna) com a área dos melingos no noroeste da península de Mani.[3] [6]

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ drungo era originalmente um termo do final do Império Romano e início do período bizantino para uma unidade militar do tamanho de um batalhão, mas, a partir do século XII, ele acabou se igualando com zygos ("cordilheira") e passou a ser aplicado a várias regiões montanhosas da Grécia continental, assim como às várias forças destacadas para guardar os passos nelas (de acordo com o termo mais antigo cleisura).[7]

Referências

  1. Kazhdan 1991, p. 1620; 1917
  2. Kazhdan 1991, p. 772; 1334
  3. a b Kazhdan 1991, p. 1334
  4. Kazhdan 1991, p. 1335; 1620
  5. Kazhdan 1991, p. 1334-1335
  6. Nicolaudis 2003, p. 85-89
  7. Kazhdan 1991, p. 664

Bibliografia[editar | editar código-fonte]