Mitomania

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
O mentir patológico costuma começar por volta dos 16 anos e em igual proporção entre homens e mulheres.[1]

Mitomania, compulsão em mentir, pseudologia fantástica ou mentir patológico é um transtorno psicológico caracterizado por contar mentiras compulsivamente, sem benefícios externos e geralmente restritos a assuntos específicos (como família ou amigos) apresentando-se de maneira bem vista socialmente. Em casos considerados mais graves podem incluir uma enorme diversidade de assuntos e a própria pessoa tem dificuldade em lembrar o que é verdade e o que é invenção.

O mitomaníaco pode estar parcialmente ciente de estar contando mentiras, mas há compulsão . Uma menina cujo pai é violento, por exemplo, pode começar a inventar para as colegas como sua relação com o pai é boa e divertida, contando sobre passeios e conversas que nunca existiram. É importante diferenciar a mitomania, de falsas memórias, pois mesmos indivíduos saudáveis costumam distorcer suas memórias e ter lembranças muito diferentes de um mesmo eventos.

Causas[editar | editar código-fonte]

Existem diversos possíveis motivos pelos quais a mitomania se manifesta. Primeiro, por diversos fatores sócio-psicológicos do contexto da pessoa afetada e, segundo, porque enfatiza uma situação social, podendo, então, mostrar-se eventual dependendo das circunstâncias presentes na época em que o indivíduo está vivendo. Na maioria das vezes um dos motivos é o desejo de aceitação daqueles que o rodeiam. Costuma ser difícil convencê-lo a aderir a um tratamento.

Esse distúrbio tem sua origem na supervalorização de suas crenças em função da angústia subjacente. Muitas vezes as mesmas se apresentam unidas à angústia profunda, Transtorno obsessivo-compulsivo, depressão ou outro transtorno ansioso ou de humor.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os principais sintomas são[2] :

  • As histórias contadas não são totalmente improváveis ​​e muitas vezes têm algum elemento de verdade. Elas não são uma manifestação de delírio ou de algum tipo de psicose mais amplo: quando confrontado, o contador pode admitir que elas são falsas, mesmo que a contragosto.
  • A tendência de contar mentiras é duradoura, não sendo provocada apenas por situação imediata ou pressão social, sendo uma característica natural da personalidade.
  • A motivação definitivamente emocional (medo, vergonha, desejo por aprovação), sem benefícios externos óbvios (como vender produtos, manter um relacionamento ou escapar impune de um crime).
  • As histórias contadas tendem a apresentar o mentiroso favoravelmente. Por exemplo, a pessoa pode ser apresentada como sendo fantasticamente corajosa, muito esperta, feliz, bem sucedida ou bem relacionada com pessoas famosas.

Características[editar | editar código-fonte]

Revelar que estar mentindo é um sofrimento mesmo para quem não tem mitomania e maior ainda se a mentira durar anos. Desse ponto de vista, podemos dizer que o discurso do mitômano é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins. Contam histórias ao mesmo tempo que acreditam nelas. É também uma forma de consolo.

De um lado, o mitômano geralmente sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas contar mentiras lhe faz sentir bem consigo mesmo e acalma suas angústias. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva (fatos visíveis). Ele tem necessidade de contar histórias falsas para se sentir bem consigo mesmo, caracterizando nestes casos um fenômeno psicológico denominado bovarismo.

A mitomania não pode ser considerada como uma mentira compulsiva, e sim como uma doença que se não tratada pode causar transtornos sérios à pessoa que possui. Em geral, essa manifestação deve-se a uma profunda necessidade de apreço ou atenção.

A maioria dos casos de mitomania, ao serem expostos, ficam envergonhados. Todavia, os mitômanos que buscam ajuda por vontade própria, pedindo a seus familiares e principalmente aos seus amigos, são considerados extremamente raros, pois eles dificilmente percebem que estão se prejudicando ao mentir aos outros. O papel de família e amigos se torna extremamente importante na vida do indivíduo que sofre da doença, já que eles que irão indicar os acertos e erros.

Grande parte dos casos de mitomania levam ao suicídio, principalmente se associados a depressão e pós depressão.[carece de fontes?] O indivíduo ao não obter o apoio necessário e ser excluído daquele grupo que frequentava ou participava acaba por vivenciar uma situação sem saída, isto é, o mesmo acaba por ser excluído de seus gostos e vê-se sem aquilo que ama e deseja. Casos comuns demonstram que mitomaníacos envergonhados de si, pelo porte de sua doença, infligem-se o óbito quando abandonados por amante, que não compreendem a sua doença e o abandonam, não acreditando na possibilidade de uma cura ou não restabelecendo os laços afetivos de antes.[carece de fontes?]

Aconselha-se aqueles que rodeiam o mitômano, principalmente se o mesmo obteve uma conversa clara expondo a sua vontade de melhora, a não largarem-no, podendo tal atitude acarretar desejos inconstantes, profunda melancolia, depressão e desejo de suicídio da parte do mitomaníaco. [carece de fontes?]

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Não deve ser confundida com esquizofrenia, delírios ou outras psicoses no qual o indivíduo efetivamente tem uma visão distorcida da realidade, como no caso de paranoia ou megalomania.

Também deve ser diferenciado de um transtorno de personalidade, como o transtorno de personalidade narcisista (caracterizado pelo extremo auto-centramento), transtorno de personalidade anti-social (caracterizado pelo desprezo por seguir regras) e o transtorno de personalidade limítrofe (caracterizado pela extrema dramaticidade e relações amor-ódio) em que a mentira é apenas um dos sintomas de uma série de comportamentos não-saudáveis que caracterizam um padrão de personalidade do sujeito.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.

O melhor tratamento é a associação do tratamento psiquiátrico para tratar sintomas depressivos e ansiosos com um acompanhamento psicoterapêutico que vise a reflexão sobre os próprios comportamentos, o desenvolvimento de mais auto-controle, o aumento da auto-estima e permita um treinamento do comportamento de dizer a verdade. Sem confiança geralmente os relacionamentos sociais são muito prejudicados e o maior desafio da terapia é formar uma relação de confiança, conforto e intimidade com o mitomaníaco.[3]

Dentre os diversos tipos de psicoterapia, a Psicoterapia Centrada na Pessoa, criada por Carl Rogers, costuma ter efeitos duradouros.[carece de fontes?]

Referências

  1. King BH, Ford CV (January 1988). "Pseudologia fantastica". Acta Psychiatrica Scandinavica 77 (1): 1–6. doi:10.1111/j.1600-0447.1988.tb05068.x. PMID 3279719.
  2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3279719
  3. Dike, C. (2008). Pathological lying: symptom or disease? Lying with no apparent motive or benefit. Psychiatric Times, 25(7), 67–73. Retrieved from EBSCOhost.