Muški
Os Muški (Georgiano: მესხები Meshebi) foram um povo da Idade do Ferro que viveu na Anatólia, conhecido a partir de fontes assírias. Eles não aparecem em registros hititas.nota 1 Vários autores os relacionam aos moschoi (Μόσχοι) dos textos gregos antigos e à tribo georgiana dos meskhetianos. Flávio Josefo identifica os moschoi com sendo os filhos de Meseque. Dois grupos diferentes são chamados de muški nas fontes assírias:1 um grupo instalado próximo à confluência do rios Arsanias e Eufrates entre os séculos XII e IX AEC (comumente chamados "muški orientais") e um grupo localizado na Capadócia e Cilícia entre os séculos VII e VII a. C. ("muški ocidentais"). Fontes assírias identificam os muški ocidentais com os frígios enquanto textos gregos distinguem inecivocamente os moschoi e os frígios.
A ligação entre os muški ocidentais e orientais é incerta, mas é possível assumir uma migração de pelo menos parte dos muški orientais para Cilícia entre os séculos X e VIII AEC. Esta possibilidade foi sugerida várias vezes, identificando os muški com os falantes dos idiomas georgiano e armênio, ou de línguas anatólias. A Enciclopédia de Cultura Indo-europeia nota que, segundo Diakonoff, os armênios seriam então um amálgama de povos hurritas, luvitas e muški falantes da língua proto-armênia (ou armenofrígios), que teriam levando sua língua indo-europeia para leste, cruzando a Anatólia.2
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Muški orientais [editar]
Os muški orientais aparentemente se moveram para Hatti no século XII AEC, completando a queda do decadente Império Hitita, juntamente com outros povos do mar. Eles se estabeleceram em um reino neo-hitita na Capadócia.
Há alguma discussão entre historiadores sobre se os muški orientais se moveram para as áreas centrais hititas a partir do leste ou do oeste. Alguns especulam que eles originalmente ocuparam um território na região de Urartu; alternativamente, algumas antigas sugerem que primeiramente chegaram em uma terra no oeste (como parte da migração armenofrígia) a partir da região de Troia, ou até mesmo de um ponto tão distante quanto a Macedônia, como os brígios.
Juntamente com os huritas e kaškaš, invadiram as províncias assírias de Alzi e Puruhuzzi por volta de 1160 AEC, mas foram repelidos e vencidos por Tiglate-Pileser I em 1115. Até 1110, o rei assírio avançaria a pontos tão distantes quanto Melid.
Muški ocidentais [editar]
No século XIII AEC, Tabal se tornou a mais influente das potências pós-hititas. Sob o governo do rei Mita, os muški viria a fazer uma aliança com Tabal e Carquemis. A aliança seria rapidamente derrotada por Sargão da Assíria, que capturou Carquemis e expulsou Mita para sua própria província. Ambaris de Tabal era diplomaticamente casado com uma princesa assíria, e recebeu a província de Hilakku. Em 713 AEC, porém, Ambaris seria desposto e Tabal se tornaria uma província assíria.
Os muški então ressurgiriam como aliados da Assíria, e Sargão citava Mita como um amigo. Aparentemente Mita capturou e entregou aos assírios os emissário s de Urikki, rei de Que, que foram enviados para negociar um contrato antiassírio com Urartu, enquanto os emissários passavam pelos territórios muški.
De acordo com relatórios de inteligência militares dos assírios enviados a Sargão II (gravados em tábuas de argila e encontrados nos arquivos reais de Níneve por Austen Henry Layard), os cimérios invadiram Urartu a partir do Reino de Mannai em 714 AEC.3 4 A partir daí, os cimérios tornaram para oeste, ao longo da costa do Mar Negro chegando até Sinope, e então seguiram para sul em direção a Tabal, derrotando um exército assírio na Anatólia central em 705 - derrota que resultou na morte de Sargão. Especula-se que os muški, sob o governo de Mita, podem ter participado da campanha assíria e forçados a fugir para a Anatólia ocidental, desaparecendo dos registros assírios mas entrando na historiografia grega como o rei Midas da Frígia.5
Rusas II de Urartu lutou contra os "muški-ni" a oeste. Antes, porém, ambos formaram uma aliança contra os assírios.
Moschoi [editar]
Hecateu de Mileto fala dos moschi como cólquidas (talvez falantes de línguas georgianas), situados próximos do reino de Matiene.6
Notas [editar]
Referências
- ↑ Diakonoff, Igor. The pre-history of the Armenian people. Nova Iorque: Caravan Books, 1984. 115 p. ISBN 0-88206-039-2
- ↑ “Armenians” in Encyclopedia of Indo-European Culture or EIEC, edited by J. P. Mallory and Douglas Q. Adams, published in 1997 by Fitzroy Dearborn.
- ↑ Cozzoli, Umberto. I Cimmeri. Rome Italy: Arti Grafiche Citta di Castello (Roma), 1968.
- ↑ Salvini, Mirjo. Tra lo Zagros e l'Urmia: richerche storiche ed archeologiche nell'Azerbaigian iraniano. Rome Italy: Ed. Dell'Ateneo (Roma), 1984.
- ↑ MacQueen, J. G.. 'The Hittites and their contemporaries in Asia Minor. [S.l.: s.n.], 1986. ISBN 0-500-02108-2
- ↑ Fragmenta historicorum graecorum I, fragm. 228.
Outras referências [editar]
- J.G. Macqueen, The Hittites and their contemporaries in Asia Minor (1986), ISBN 0-500-02108-2.
- Anne-Maria Wittker, Mušker und Phryger. Ein Beitrag zur Geschichte Anatoliens vom 12. bis zum 7. Jh. v. Chr., Wiesbaden (2004), ISBN 3-89500-385-9.
- This article incorporates text from the Dictionary of Greek and Roman Geography (1854), a publication now in the public domain.
Ligações externas [editar]
- A History of Armenia por Vahan M. Kurkjian (1958)
- Midas and the Mushki por Miltiades E. Bolaris (2010)