Mutualismo (biologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Mutualismo define um tipo de interação entre duas espécies que se beneficiam reciprocamente da associação entre elas. Existem várias classificações dessa interação entre espécies.

Tipos de mutualismo na natureza[editar | editar código-fonte]

Liquens

A maior parte dos mutualismos ocorre dentro de um contínuo que vai desde interações indiretas, facultativas e difusas até obrigatórias e altamente especializadas. As interações facultativas envolvem indivíduos de várias espécies e geralmente consistem de interações intermitentes e não obrigatórias. No outro lado deste espectro estão às associações altamente especializadas ou obrigatórias que envolvem indivíduos de espécies que geralmente vivem em relações intimas, no caso a simbiose. Para especificar e diferenciar os diferentes níveis de relação entre as espécies no mutualismo, este pode ser dividido em três categorias definidas pelo tipo de benefício obtido pelas espécies que estão interagindo. São essas: mutualismo trófico, mutualismo defensivo e mutualismo dispersivo.

Mutualismo trófico[editar | editar código-fonte]

O mutualismo trófico geralmente é composto por parceiros especializados em formas complementares de obtenção de energia e de nutrientes. Há diversos exemplos de mutualismos tróficos, como o que ocorre nos líquens, nas micorrizas e nas bactérias do tipo Rhizobium que se associam a raízes de plantas e formam nódulos radiculares responsáveis pela captação de nitrogênio. No mutualismo trófico cada parceiro vai suprir um nutriente que esté em déficit, que o outro parceiro por motivos limitantes não consegue obter sozinho. As bactérias do tipo Rhizobium, que podem assimilar o nitrogênio molecular do solo são fundamentais nos solos tropicais, que são extremamente pobres de nitrogênio. Em troca desse nitrogênio as bactérias recebem carboidratos das plantas.

Bactérias presentes no rúmen de bovinos podem digerir a celulose presente nas fibras dos vegetais. As enzimas digestivas produzidas pelo animal não executam essa função. Com isso, os animais se beneficiam dos subprodutos formados na digestão bacteriana e do metabolismo das mesmas para sua alimentação. Já as bactérias se beneficiam porque tem estoques de alimentos constantes em um ambiente favorável, relativamente aquecido e quimicamente regulado. Essas características o crescimento populacional dessas bactérias presentes no organismo animal.[2]

Mutualismo defensivo[editar | editar código-fonte]

O mutualismo defensivo é observado em associações onde um parceiro é defendido contra herbívoros, carnívoros ou parasitas. Em troca, oferece algum outro recurso. Um exemplo são espécies de peixes e de camarões, que limpam e retiram parasitas existentes na pele e nas guelras de espécies de peixes. Estes animais chamados de “limpadores” e se alimentam quase exclusivamente dos parasitas retirados dos peixes. Em contrapartida, os peixes que "utilizam dos serviços" dos limpadores ficam livres do excesso de parasitas em seu corpo.

Outro exemplo clássico é a associação entre formigas e plantas. Em em troca de alimentos, como néctar extra floral e corpúsculos perolados, as formigas protegem a planta contra herbívoros. Neste tipo de associação, a especificidade do mutualismo pode ir da generalidade até a a extrema especialização, como no caso das plantas mirmecófilas.

Mutualismo dispersivo[editar | editar código-fonte]

Abelha dispersando o pólen

O mutualismo dispersivo é associção de plantas com animais polinizadores e dispersores de semente. Os polinizadores, ao obter néctar como fonte de água e carboidratos, transportam o pólen entre as flores e dispersam os genes das plantas. Diversos grupos de animais são parceiros ativos de plantas no processo de dispersão, como insetos, aves e mamíferos. No caso da dispersão de sementes, os animais envolvidos se alimentam de frutos e dispersam suas sementes em locais ou ambientes mais adequados para germinação. O mutualismo entre aves frugívoras e ervas-de-passarinho se enquadra nesse caso. As aves depositam as sementes nos galhos das plantas que serão parasitadas.

O mutualismo de dispersão de sementes não é muito especializado. Uma espécie de ave pode se alimentar de vários tipos de plantas e cada fruto pode ser comido por diferentes espécies de aves. Já no caso da polinização, é encontrada uma certa especificidade entre os parceiros. Nesse caso há inclusive modificações no formato da flor que maximizam o acesso de um grupo animal (síndromes de polinização). Isso acontece porque é fundamental que o pólen retirado de uma planta seja levado à flor de outro indivíduo da mesma espécie para que o mutualismo seja efetivo.

Referências

  1. Vaz, Alexandre "Mutualismo, cooperação ou oportunismo?" no site Naturlink.sapo.pt acessado a 8 de outubro de 2009
  2. Ricklefs, R. E. A economia da Natureza. Ed. Guanabara Koogan, 5ª Ed.- Rio de Janeiro, 2009.