Partido do Socialismo Democrático da Alemanha

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O Partido do Socialismo Democrático (em alemão: Partei des Demokratischen Sozialismus - PDS) foi um partido social-democrata ativo na Alemanha desde a queda do muro de Berlim em 1990, quando o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED) muda legalmente o seu nome, até 2005, quando o próprio PDS modifica o seu nome por Die Linkspartei (O Partido da Esquerda).

Precedentes[editar | editar código-fonte]

Antes da reunificação da Alemanha, um grupo de jovens políticos vinculados com o Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED) começaram a demandar mudanças na rígida estrutura interna do SED. Entre esses políticos destacavam-se Stefan Heym, Christa Wolf e Gregor Gysi. Com a queda do muro de Berlim e da República Democrática da Alemanha, o SED perdeu arredor de 95% dos seus mais de 2.3 milhões de militantes, o que levou o partido a apresentar-se sob um novo nome com o fim de se distanciar do seu passado. Na altura de 1990, o novo partido, denominado já Partido do Socialismo Democrático, não se apresentava como marxista-leninista, ainda quando no seu seio permaneciam facões neo-marxistas e comunistas.

Fundação e consolidação[editar | editar código-fonte]

Gregor Gysi em 2005.

Contudo, o PDS perdeu força significativamente, ainda quando manteve o nível nos governos locais e até chegou a fazer parte dos governos dos Bundesländer de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental em coligação com o SPD.

Nas primeiras eleições gerais da República Federal da Alemanha em 1990, o PDS atingiu apenas 2,4% do voto, mas conseguiu entrar no Bundestag, graças a uma exceção da lei eleitoral alemã, com um grupo de 17 deputados liderados por Gregor Gysi. Nas eleições de 1994, embora a campanha anti-comunista levada para a frente pelo partido no governo, a CDU, destinada a paralisar os votos comunistas do leste, o PDS incrementou o voto até 4,4%, ganhando força precisamente no leste e aumentando a sua presença do Bundestag até 30 deputados.

Em 1998, a tendência ascendente iniciada desde 1994 consolidou-se e o PDS atingiu um total de 37 deputados com 5,1% dos votos, ultrapassando assim a marca de 5% necessária para manter a proporcionalidade da representação no Bundestag e para manter um status parlamentar pleno. Porém, ainda quando o futuro parecia brilhante, o PDS mostrava uma dependência certa de Gysi, considerado tanto pelos seus votantes como pelos seus críticos como uma espécie de estrela da política alemã que contrastava com uma mediocridade geral. A resignação de Gysi em 2000 após peder um debate político com o setor esquerdista do partido significou o início de novos problemas para o PDS, e nas eleições de 2000, o voto para o PDS retrocedeu a 4,0%, o que apenas lhe permitiu introduzir dois membros eleitos pelos seus distritos, Petra Pau e Gesine Lötzsch.

Após a queda de 2000, o PDS adotou um novo programa e colocou na sua cabeça Lothar Bisky, um moderado respeitado internamente. Uma sensação renovada de autoconfiança fez o Partido ressurgir novamente. Nas eleições europeias de 2004, o PDS atingiu 6,1% do voto nacional e evidenciou-se que a sua base eleitoral na Alemanha oriental começava a crescer claramente, ao ponto de hoje em dia rivalizar com o SPD e com a CDU nessa área. Sem embargo, o escasso apoio na Alemanha ocidental continuou a lastrar o partido até as eleições de julho de 2005, quando se apresentou em coligação com a Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), uma fação esquerdista constituída por dissidentes do social-democrata SPD e por sindicalistas. Essa coligação entre os setores mais à esquerda da área ocidental e o PDS deu origem à lista conhecida com o nome de Linkspartei, que nas eleições federais desse ano atingiu 8,7% do voto nacional e conseguiu introduzir no Bundestag 54 deputados encabeçados por Gisy, Lötzsch, Pau, Bisky, Katja Kipping, Oskar Lafontaine e Paul Schäfer tornando-se o quatro maior partido do país.

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Desde a reunificação, o PDS tem sido alvo de diversas suspeitas a respeito das relações dos seus líderes com o Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental desmantelada com a queda do muro de Berlim. Pouco depois das eleições federais de 2005, Marianne Birthler, a encarregada dos arquivos da Stasi, acusou o PDS de incluir sete informadores da antiga Stasi entre os seus deputados eleitos.[1] Ao mesmo tempo, a mídia revelou que Lutz Heilmann, um dos deputados do PDS pelo estado de Schleswig-Holstein, tinha trabalhado durante anos para a Stasi.[2] Ainda quando a primeira acusação resultou falsa, a relativa à ligação de Heilmann com o serviço secreto da RDA manteve-se na controvérsia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Thompson, Peter (2005) The Crisis of the German Left. The PDS, Stalinism and the Global Economy Berghahn Books, New York and Oxford. ISBN 1-57181-543-0 (em inglês)
  • Oswald, Franz (2002). The Party That Came Out of the Cold War : The Party of Democratic Socialism in United Germany. Praeger Publishers. ISBN 0-275-97731-5 (em inglês)
  • Hough, Dan (2001). The Fall and Rise of the PDS in Eastern Germany (1st ed.). The University of Birmingham Press. ISBN 1-902459-14-8 (em inglês)

Referências