Período Muromachi

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História do Japão
MuromachiShip1538.jpg

Um barco do período Muromachi(1538)

O período Muromachi (Língua japonesa: 室町時代) inicia-se aproximadamente em 1336 e vai até 1573, com a unificação das duas cortes Imperiais, a de Quioto e a de Yoshino, que durante mais de meio século estiveram em divergência; coube o mérito dessa reunificação ao "Generalíssimo" Ashikaga Yoshimitsu, cujo governo, instalado em Muromachi, perto de Quioto, deu o nome a este período.

O governo militar, fundado por Ashikaga Takauji, chegou ao seu apogeu no tempo de Yoshimitsu. Este último foi apreciador da arte e do luxo. Foi ele quem mandou construir notáveis obras arquitetônicas, como Kinkakuji (Templo Dourado) e Hana-no Gosho (Palácio das Flores). Ele difundiu a dança cerimonial "Noh", como também a Cerimónia do chá. Exageradamente concentrado nas atividades artísticas e estéticas, ele se desinteressou da política, dando oportunidade aos oficiais regionais de se apoderarem das terras aumentando poderes militares e conquistando vantagens econômicas.

Enquanto isso se passava no pais, os pescadores, os comerciantes e mesmo os "samurais" procuravam a China para reabrir o intercâmbio comercial que se achava interrompido desde o tempo dos ataques dos Mongóis. Entretanto, como na maioria das vezes os Chineses se negavam a comerciar com os japoneses, estes começaram a saquear as costas do "Celeste Império", tornando-se piratas profissionais. Foram eles temidos com a designação de "Wako" (invasores nipônicos), que passou a significar "piratas". Anos mais tarde, o governo chinês procurou o governo de Muromachi para reatar o intercâmbio comercial, que deveria acabar com a pirataria.

O desinteresse dos governantes pela administração acelerou a decadência de Muromachi. A crise econômica aumentara, pois os esbanjamentos do "Generalíssimo" chegaram ao extremo. Finalmente, Yoshimassa, então chefe do governo, abandonou seu posto para refugiar-se no Monte Higashi, deixando vago o cargo para ser disputado dentro da família Ashikaga, o que veio motivar um choque militar: a Revolta de Onin.

Esta revolta serviu de pretexto para que dois senhores feudais, Mouri e Yaniana medissem suas forças militares. A guerra durou onze anos e dela participaram mais de 270.000 soldados guiados por todos os senhores (daimyo), cada qual a favor de seus próprios interesses, enquanto o governo de Muromachi, nada conseguindo fazer perante aquela anarquia, perdeu todo o prestígio.

Em 1318, o príncipe Takaharu subiu ao trono imperial com o nome de Go-Daigo. Em 1333 retornou a Kyoto, fato conhecido como restauração Kemmu, e tentou recuperar o governo direto. Não obteve êxito, e a família Ashikaga estabeleceu um bakufu no distrito de Muromachi (Kyoto) com a mesma estrutura de seu predecessor de Kamakura. Nesse período surgiu uma nova classe de senhores feudais, os daimyos, de base camponesa. O Shogunato sofreu um progressivo enfraquecimento, que conduziu a uma sangrenta guerra civil, a guerra Onin (1467-1477) entre os partidos Kosokawa e Yamana. O confronto teve como consequência a extinção do poder político do bakufu. O Japão entrou, então, num período de desordem. O poder feudal dos daimyos predominou nessa época, conhecida como "país em guerra".

"País em guerra" e unificação[editar | editar código-fonte]

Os daimyos conquistaram um poder quase ilimitado em seus domínios e chegaram a cunhar moedas. Simultaneamente, muitos jovens se lançaram à busca de riquezas no litoral chinês. Os piratas japoneses levaram o terror aos litorais da China, Filipinas, Tailândia, Formosa, Indonésia, Malásia e Indochina. Os vikings do Oriente, como foram chamados, encontraram, no entanto, um poderoso rival nos navios portugueses, maiores e armados com canhões. Os missionários jesuítas espanhóis e portugueses obtiveram relativo êxito na catequização da classe aristocrática japonesa. A penetração européia favoreceu o comércio e familiarizou os japoneses com as armas de fogo, fato importante para uma sociedade militarista. Os mosquetes que o senhor de Tanegashima havia comprado de aventureiros portugueses em 1543 multiplicaram-se com surpreendente rapidez. Entre 1550 e 1560, um dos daimyos, o genial estrategista Oda Nobunaga, conseguiu dominar os demais e estabelecer um só estado.

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