Saponinas

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As saponinas ou saponosídeos são glicosídeos do metabolismo secundário vegetal, caracterizados pela formação de espuma, tendo propriedades de detergentes e surfactantes.[1] São compostos formados por uma parte hidrofílica e uma parte lipofílica. Na identificação laboratorial de presença saponinas podem ser realizados os testes de hemólise sanguínea (in vitro).

Os glicosídeos saponosídicos têm este nome devido ao fato de formarem espuma abundante quando agitados com água (do latim sapo = sabão). Têm gosto amargo e acre e os medicamentos que os contêm geralmente são esternutatórios (provocam espirros)  e irritantes para as mucosas.

São compostos não nitrogenados que se dissolvem em água originando soluções afrógenas (espumantes), por diminuição da tensão superficial do líquido. Apresentam ainda as propriedades de emulsionar óleos e de produzir hemólise. Esta última deve-se à capacidade do glicosídeo de se combinar com as moléculas de colesterol presentes na membrana dos eritrócitos, perturbando o equilíbrio interno-externo e promovendo a ruptura da célula com consequente liberação da hemoglobina.

Quimicamente, constituem um grupo heterogêneo, sendo classificados em glicosídeos saponosídicos do tipo esteroide (p.ex., hecogenina) e do tipo triterpênico (p.ex., ácido glicirretínico).

A caracterização das saponinas em uma amostra vegetal pode ser feita de maneira simples, com base na consequência  da ação tensoativa de seus glicosídeos: investiga-se o poder espumante ou hemolítico de um macerado ou decocção aquosa da droga.

Os fármacos que apresentam esses princípios ativos são: quilaia (parte interna das cascas de caule de Quillaja saponaria Molina, Quillajaceae); alcaçuz (rizomas e raízes de Glycyrrhiza glabra L., Fabaceae); ginseng (raízes de Panax quinquefolius L. e P. ginseng C. A. Mey., Araliaceae); castanheiro-da-índia (cascas de caules de Aesculus hippocastanum L., Sapindaceae); dioscórea (tubérculos de Dioscorea sp., Dioscoreaceae); polígala (raízes dePolygala senega L., Polygalaceae); salsaparrilha e ginseng nacional.

Propriedades gerais[editar | editar código-fonte]

As saponinas possuem uma elevada solubilidade em oleo, no entanto possuem parte hidrofílica também, o que as tornam surfactantes. Em meio aquoso, formam grande quantidade de espuma (são afrogênicas).

Apresentam sabor acre e podem causar desorganização de membranas celulares.

Classificação[editar | editar código-fonte]

  • Saponinas esteroidais: esqueleto com 27 carbonos, tetracíclico.[2]
  • Saponinas triterpênicas: esqueleto com 30 carbonos, pentacíclico.[2]

Características físico-químicas[editar | editar código-fonte]

São substâncias de cor branca ou amarela, dismorfas e cristalizáveis. Dissolvem-se em solução alcalina, e, em solução ácida ocorre precipitação.

Emprego Farmacêutico[editar | editar código-fonte]

As saponinas são componentes importantes para a ação de muitas drogas vegetais, destacando-se aquelas tradicionalmente utilizadas como expectorantes e laxantes.

Vegetais que contêm saponinas[editar | editar código-fonte]

Função nos vegetais[editar | editar código-fonte]

Nas plantas, funcionam na defesa contra insetos e patógenos e também na manutenção do crescimento.

Notas e referências

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