Hananias, Misael e Azarias

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Hananias, Misael e Azarias, ou, pelos seus nomes em caldeu, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego,[1] foram, segundo a narrativa bíblica,três jovens hebreus que foram levados, junto com o profeta Daniel, para serem educados pelo eunuco do rei Nabucodonosor. O episódio mais marcante de suas vidas foi quando os três se recusaram a adorar um ídolo, foram jogados na fornalha ardente, e escaparam ilesos, por um milagre.[2] . A história dos três jovens é uma das chamadas "Adições em Daniel" e é um dos mais famosos mitos judaico-cristãos.

Narrativa bíblica[editar | editar código-fonte]

Captura[editar | editar código-fonte]

Em 607 a.C.,[3] no terceiro ano do reinado de Jeoaquim em Judá, Nabucodonosor sitiou Jerusalém, que se rendeu. O chefe dos eunucos de Nabucodonosor, Aspenaz, levou alguns filhos de Israel, de linhagem real e dos nobres, para aprenderem as letras e a língua dos caldeus. O treinamento teria a duração de três anos.[4]

Dentre estes jovens estavam os filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias, cujos nomes foram trocados, pelo príncipe dos eunucos, para, respectivamente, Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.[5]

Educação[editar | editar código-fonte]

Por influència de Daniel, ele e seus três companheiros não consumiram as iguarias reais nem o vinho que o rei bebia, mas apenas uma dieta de legumes para comer e água para beber.[6] A estes quatro jovens, Deus deu o conhecimento, a inteligência em todas as letras e toda a sabedoria, e a Daniel a interpretação de sonhos. Quando os jovens foram apresentados a Nabucodonosor, ao fim do período de treinamento, eles eram os melhores, excedendo por dez vezes os seus mágicos e encantadores.[7] Também por influência de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram nomeados superintendentes dos negócios da província de Babilônia.[8]

A fornalha de fogo ardente[editar | editar código-fonte]

A passagem inclui uma prece de penitência de Azarias (Abdenego na Babilônia - veja Daniel 1:6-7, enquanto os três jovens (Sadraque, Misaque e Abdenego) estavam ardendo na fornalha, um breve relato do anjo que os encontrou ali e o hino de honra que eles cantaram quando foram libertados.

Interpretação[editar | editar código-fonte]

Os nomes hebreus dos quatro príncipes são:[9]

  • Daniel - Deus é o meu juiz
  • Hananias - Deus foi gracioso comigo
  • Misael - Quem é como Deus (não se refere a sentido de igualdade, mas de pensamento)
  • Azarias - Deus é quem me ajuda

A interpretação dos nomes caldeus não é consensual. Por exemplo:

  • Beltessazar - Tesouro de Bel ou O depositório dos segredos de Bel[9]
  • Sadraque - Inspiração do Sol, Deus, autor do mal, seja favorável a nós, Deus nos proteja do mal[9]
  • Mesaque - Aquele que pertence à deusa Sheshach [9]
  • Abede-Nego - Servo de Nego, um dos deuses babilônios, talvez o sol, uma estrela movente, ou os planetas Júpiter ou Vênus[9]

Segundo Flávio Josefo e Jerônimo de Estridão, Daniel e seus três companheiros foram feitos eunucos para servir a Nabucodonosor. Uma outra possibilidade é que a palavra eunuco signifique um oficial da corte, como seu uso para se referir a Potifar, no Egito.[10]

Referências

  1. Daniel 1:7
  2. Easton's Bible Dictionary, Mishael [em linha]
  3. James Ussher, The Annals of the World [em linha]
  4. Daniel 1:1-5
  5. Daniel 1:6-7
  6. Daniel 1:8-16
  7. Daniel 1:17-20
  8. Daniel 2:49
  9. a b c d e Adam Clarke, Commentary on the Bible (1831) Daniel 1 [em linha]
  10. An Universal History From The Earliest Account of Time: Compiled from Original Authors And Illustrated with Maps, Cuts, Notes Etc. With A General Index to the Whole, Volume V (1747) Book I: The Asiatic History of the Time of Alexander the Great, Chap. X The History of the Medes, Sect. II Of the antiquity, government, laws, religion, customs, arts, lerning and trade of the Medes, p.15 [google books]