Profecia das setenta semanas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Daniel 9)
Ir para: navegação, pesquisa
Escatologia cristã
Diferenças escatológicas
Apocalypse vasnetsov.jpg
Portal do cristianismo

A Profecia das 70 semanas é uma profecia referida no capítulo 9 do livro bíblico do profeta Daniel[1], um dos livros do Antigo Testamento (Daniel 9) que se refere ao juízo do povo judeu e o surgimento do messias (Mashiach) e em algumas interpretações o surgimento também do Anti-messias (Anticristo) após o surgimento do Messias.

A interpretação do texto bíblico não é partilhado da mesma forma em todas as denominações cristãs e judaicas. Num contexto geral a profecia aponta para a época da manifestação do Messias esperado pelos antigos Hebreus e o julgamento final do povo judeu. Alguns estudos cronológicos defendem que coincide perfeitamente com o batismo de Jesus em 29 d.C.), e sua morte (33 d.C) e do fim da exclusividade aos judeus como sendo "o povo de Deus", ou "o povo que detém a verdade" dando início à pregação do Evangelho aos povos estrangeiros (gentios) de todo o mundo. (ocorrido em 34 d.C, data marcada também pela morte de Estevão por apedrejamento).

Texto bíblico[editar | editar código-fonte]

No capítulo 9, Daniel diz que um anjo lhe apareceu em resposta à sua oração e fez uma proclamação em relação ao calendário de eventos importantes no futuro do Povo de Israel. O livro bíblico de Daniel capítulo 9 e versículos 24 a 27 diz:

"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expirar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos.
"Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido (Messias), ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos."
"Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas."
"Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana; na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; sobre a asa das abominações virá o assolador, até que a destruição, que está determinada, se derrame sobre ele."
(Daniel 9:11:27 - Ferreira de Almeida, 1993)

Cálculos de datas[editar | editar código-fonte]

Segundo a Exegese Bíblica, no meio teológico cristão, 1 dia na profecia equivale a 1 ano literal. Supondo que esta equivalência se aplique à profecia das 70 semanas, então elas seriam na verdade uma representação de um período de 490 anos.

Combinando as durações de profecias do livro do apocalipse (Novo Testamento) com essa profecia do livro do profeta Daniel (Antigo Testamento) temos uma indicação de que 1 dia profético equivale à 1 ano real:

("...e eles pisaram a cidade santa durante quarenta e dois (42) mêses. [[[Apocalipse 11]] vs. 2b]),

e continua:

("Concederei às minhas duas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta (1260) dias vestidas de cilício [[[Apocalipse 11]] vs 3]).

No livro de Daniel também temos uma passagem que diz:

("...e pretenderá mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues em sua mão por "um tempo, e tempos e metade de um tempo". [Daniel 7 vs 25b]).

Assim, tanto os 1260 dias, como também os 42 mêses, como também os "tempo (1 ano) e tempos (2 anos) e metade de um tempo" (meio ano) equivalem exatamente à 3 anos e meio, ou 3 anos e metade de um ano, que se referem à metade de uma semana (semana de anos ou 7 anos) proféticas encontrada dentre as 70 semanas de Daniel e que se refere a um período de 7 anos do reinado do Anticristo, ou também conhecido como Grande tribulação ou 3,5 anos do reinado da Besta do Apocalipse.

("E ele firmará um acordo com muitos por uma semana (7 anos); na metade da semana (3 anos e meio) fará cessar o sacrifício e a oferta..." [Daniel 9 vs 27])

Se: 1260 dias = 42 mêses = "um tempo, tempos e metade de um tempo" = "metade da semana" então.
1 semana = 7 anos
70 semanas x 7 dias = 490 dias proféticos = 490 anos literais

Fazendo um cálculo análogo ao anterior a frase "desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, e o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas;", mostra que passariam num total de 483 anos:

62 semanas + 7 semanas = 69 semanas
69 semanas x 7 dias = 483 dias proféticos = 483 anos literais

Porém sobra uma última semana para as 69 semanas (483 anos) descritas completarem as 70 semanas (490 anos totais).

7 semanas + 62 semanas e 1 última semana.
7 semanas. = 49 anos
62 semanas = 434 anos
1 semana = 7 anos
= 490 anos
Esta última semana em algumas interpretações cristãs (IASD) não se refere ao aparecimento do Anticristo e já teria ocorrido seu cumprimento. Em outras interpretações teriam se cumprido somente as 69 semanas, sendo que a última semana estaria relacionada ao reinado final do anticristo e estaria separada da cronologia das primeiras 69 semanas por um período profético conhecido como "o milênio" e só poderia se concretizar após esse período vindo então o fim dos tempos.

Interpretações[editar | editar código-fonte]

Interpretação de Jorge Sincelo[editar | editar código-fonte]

Jorge Sincelo, historiador bizantino, interpretou as setenta semanas como o período entre a ordem dada por Artaxerxes I para que o templo de Jerusalém fosse reconstruído, no 115o ano do Império Aquemênida (Persa), vigésimo ano de Artaxerxes e o quarto ano da 83a olimpíada,[Nota 1] e a morte e ressurreição de Jesus, no segundo ano da 202a olimpíada,[Nota 2] o décimo sexto ano do reinado de Tibério; isto dá um total de 475 anos solares, ou 490 anos hebraicos, que eram baseados em 12 meses lunares de 29½ dias cada.[2][Nota 3]

Interpretação preterista[editar | editar código-fonte]

O ponto de partida do cálculo é a revelação feita à Jeremias (cf Dn 9:25), o término do período é a restauração de Jerusalém e a volta dos exilados. (2Cr 36:22-23 = Esd 1:1-3), Decreto de Ciro II em 538 AC[3].

Interpretação da visão enquanto alegoria[editar | editar código-fonte]

A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o autor não se mostra interessado em predizer a vinda do Messias ou o fim do mundo. Pelo contrário, quer sustentar a fé e encorajar a resistência dos judeus que estão sendo perseguidos por Antíoco IV; por isso, mostra que a opressão e perseguição acabarão logo, e por isso ninguém deve desanimar.

Os versículos 24 a 27 do cap. 9 trazem pormenores que auxiliam os judeus perseguidos a identificar os acontecimentos que presenciam: em 170 AC, o sumo sacerdote Onias III foi assassinado pelos seus rivais, embora fosse o único sumo sacerdote justo (ungido inocente, v. 26). A seguir, Antíoco IV invade Jerusalém e coloca no Templo uma estátua de Júpiter (ídolo abominável), fazendo com os sacerdotes do Templo um acordo (aliança durante uma semana)[4].

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
  1. 445 a.C.
  2. 30 d.C.
Referências
  1. Scherman, Rb. (Ed.), 2001, p.1803
  2. Jorge Sincelo, Cronografia, Fragmento 1, Thallos e Phlegon [em linha]
  3. Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.273
  4. Cap. 9 de Daniel, Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 22 de agosto de 2010
Bibliografia
  • de Almeida, João Ferreira, A Bíblia Sagrada - Antigo e o Novo Testamento, Revista e Atualizada no Brasil, 2a. edição, Barueri/SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1993, ISBN 85.311.0279-0

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]