Abimael Guzmán

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Manuel Rubén Abimael Guzmán Reynoso (Arequipa, 3 de dezembro de 1934), também conhecido por "Presidente Gonzalo", é ex-professor de filosofia na Universidade de Ayacucho e foi o líder do "Sendero Luminoso" durante a insurgência Maoista que caracterizou um conflito interno no Peru.

O Sendero Luminoso foi ativo no Peru desde o final dos anos 70 e começou sua luta armada no dia 17 de maio de 1980. Procurado por acusações de terrorismo e alta traição nacional, Guzmán foi capturado pelo governo peruano em 1992 e recebeu sentença perpétua.

Atualmente Abimael encontra-se preso na base naval do Callao, próximo à cidade de Lima, no Peru. O grupo Sendeiro Luminoso vem sendo criticado pela violência usada contra camponeses, líderes sindicais e políticos eleitos – personagens sociais que eram acusados pelo grupo de colaborar com o Estado peruano. O Sendeiro Luminoso está na lista de organizações terroristas internacionais elaborada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. O Reino Unido, a União Europeia e Peru descrevem o Sendeiro Luminoso como um grupo terrorista e proíbem o patrocínio da organização bem como qualquer outra forma de ajuda financeira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Guzmán nasceu em Mollendo, uma cidade litorânea na província de Islay, na região de Arequipa (aprox. A 1000 km ao sul de Lima). Ele foi um filho ilegítimo de um comerciante ganhador da loteria nacional que teve 3 filhos com 3 mulheres diferentes. A mãe de Abimael, Berenice Reynoso, morreu quando ele tinha apenas cinco anos de idade, o que fez com que ele vivesse com a família materna de 1939 até 1946, quando começou a viver com seu pai e a esposa do mesmo em Arequipa.

Foi em Arequipa que Guzmán estudou no Colegio de la Salle, uma escola ginasial católica. Ao completar 19 anos ele começou a estudar no departamento de Estudos Sociais da Universidade Nacional de San Agustín, em Arequipa. Seus colegas de classe na faculdade o descrevem, mais tarde, como um jovem tímido, disciplinado, obsessivo e contemplativo. Cada vez mais atraído pela ideologia Marxista, seu pensamento político foi influenciado pelo livro “Sete ensaios sobre a interpretação da realidade peruana”, de José Carlos Mariátegui, o fundador do Partido Comunista Peruano.

Em Arequipa, Guzmán completou o ensino superior em Filosofia e Direito. Suas dissertações chamavam-se “A Teoria Kantiana de Espaço” e “O Estado Democrático Burguês”. Em 1962 Abimael Guzmán começou a trabalhar como professor de filosofia, empregado pelo reitor da Universidade San Cristóbal de Huamanga, em Ayacucho – cidade central nos Andes peruanos. O reitor era o Dr. Efraín Morote Best, um antropologista que, alguns crêem, tornou-se o verdadeiro líder intelectual do Sendeiro Luminoso. Encorajado por Morote, Abimael estudou Quechua, a língua falada por parte da população indígena do Peru, e tornou-se cada vez mais ativo nos círculos esquerdistas. Guzmán atraiu para perto de si diversos membros da academia que pensavam como ele, comprometidos com a missão de realizar a revolução no Peru. Ele foi preso duas vezes durante os anos 70 por causa de sua participação em revoltas violentas na cidade de Arequipa contra o governo dos presidentes Velasco Alvarado e Fernando Belaúnde Terry. Guzmán visitou a China comunista pela primeira vez em 1965, seguida de diversas outras visitas durante as quais fontes afirmam que aprendeu táticas políticas e sobre o uso de explosivos.

Guzmán deixou a Universidade San Cristóbal de Huamanga na metade dos anos 70 e começou um longo período em que esteve anônimo.

Nos anos 60, o Partido Comunista Peruano dividiu-se por conta de disputas ideológicas e pessoais e Guzmán, que havia escolhido para si uma linha de pensamento pro-Chinesa ao invés de pro-Soviética, emergiu como o líder da facção que ficou conhecida como “Sendeiro Luminoso” (Mariátegui escreveu: “o Marxismo-Leninismo é o sendeiro luminoso do futuro”). Guzmán adotou o nome de guerra Presidente Gonzalo e começou a defender uma revolução camponesa de acordo com o modelo Maoista.

Seus seguidores declararam a Guzmán, que desfrutava de anonimidade, como a “Quarta Espada do Comunismo (depois de Karl Marx,Lenin e Mao Tsé-tung). Em suas declarações políticas, Guzmán elogiava o desenvolvimento aplicado por Mao à tese Leninista com relação ao papel do Imperialismo enquanto base do sistema capitalistaburguês. Ele acreditava que o Imperialismo “cria falhas e é mal sucedido, e vai acabar em ruínas nos próximos 50 ou 100 anos”.

Guzmán direcionava suas críticas não somente ao Imperialismo estadunidense, mas também ao que chamava de “social-imperialismo” que segundo ele era praticado pela União Soviética.

Em fevereiro de 1964, Abimael Guzmán casou-se com Augusta la Torre, que morreu em circunstâncias não esclarecidas, em 1989. Há rumores de que ela foi assassinada por Elena Iparraguirre, amante de Abimael, com a cumplicidade do mesmo. Ambos recusaram-se falar sobre a morte de Augusta desde a prisão de Abimael. No outono de 2006, encarcerado, Guzmán pediu Iparraguirre em casamento enquanto ela também cumpria prisão perpétua em um outro presídio. Depois de lutar pela permissão para casar-se por meios de uma greve de fome, Abimael e Elena casaram-se no fim de agosto, em 2010.

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