Adelina Lopes Vieira

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Adelina Lopes Vieira
Nascimento 20 de setembro de 1850
Lisboa, Portugal
Morte 2 de fevereiro de 1923 (72 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade brasileira
Ocupação Poeta, contista, teatróloga e professora primária
Escola/tradição Parnasianismo

Adelina Amélia Lopes Vieira (Lisboa, 20 de setembro de 1850Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 1923) foi uma escritora, poeta, contista, teatróloga e educadora brasileira[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Filha do médico, comediógrafo e polígrafo Valentim José da Silveira Lopes, o primeiro e único Visconde de São Valentim, veio com sua família para o Brasil quando possuía um pouco mais de um ano de idade. Irmã de Júlia Lopes de Almeida, casou-se com o empregado de fazenda António Arnaldo Vieira da Costa, que é nomeado tesoureiro da Caixa da Amortização pelo ministério da fazenda, vindo a tomar posse do cargo no dia 12 de setembro de 1883. Trabalhou como professora da segunda cadeira de meninas na freguesia do Espírito Santo[2] e dedicou-se à criação de textos poéticos, teatrais e infantis.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Atuando como professora da rede pública, em 1886, muda-se para Lisboa e reúne cerca de sessenta histórias num volume em prosa e verso, que publica com o título Contos Infantis em parceria com a irmã Júlia Lopes de Almeida, com o intuito de incentivá-la a uma estreia como romancista. A obra adquire ampla notoriedade, sendo difundida e repassada às escolas em sucessivas edições[3].

Colaborou na revista Brasil-Portugal[3] (1899-1914) e nos jornais Echo das Damas (1879-1889) e A Família (1888-1894). Em 1899 é colaboradora de A Mensageira: "revista literária dedicada à mulher brasileira", dirigida por Presciliana Duarte de Almeida[3].

Em 5 de julho de 1904 falece o marido. Sua poesia Anoitece é musicada, em canto e piano, por Alberto Nepomuceno, que por sua vez oferece a composição à atriz Amália Iracema para uma performance exclusiva no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, que somente ocorre em 1907.[4]

Magistério[editar | editar código-fonte]

A partir de 1907, engajada no pioneirismo da educação infantil, foi designada para o corpo docente formado por Curvelo Mendonça, Alina de Brito, Guilhermina Barradas e Sílvia Guedes Taylor, que visitou as escolas de São Paulo a fim de estudar a organização do ensino e apresentar ao prefeito Sousa Aguiar um plano para a criação do primeiro Jardim de infância na capital fluminense.[5]

Em 1911 a comissão da Academia Brasileira de Letras, no uso da 5ª cláusula do contrato de exploração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, encarregou-se do julgamento de peças inéditas de autores nacionais para serem levadas à público, com proventos do município. Entre as cinco finalistas estava a sua peça Expiação, constituída de um prólogo e três atos, além de Não Matarás (Julia Lopes de Almeida), O Canto Sem Palavras (Roberto Gomes), O sacrifício (Carlos Góis) e Flor Obscura (Lima Campos).[6] Expiação estava sob a direção de Eduardo Victorino quando foi preterida, em agosto de 1912, pela companhia subvencionada durante o preparativo de ensaios, que alegou falta de recursos.[7]

Foi uma das pioneiras do Patronato de Menores Abandonados do Rio de Janeiro[8], fundado em 1908 pelos então juízes Nabuco de Abreu e Zacarias Monteiro, integrando a comissão de senhoras que promoveu uma série de eventos beneficentes para a construção da primeira creche, situada à rua Guanabara nº 75, voltada aos filhos de mães pobres e operárias.[9] Em 1915, quando foi entregue à direção das Irmãs Dominicanas[10], a creche contava com 32 crianças. Com o apoio de Germana Ritta Pereira Pinto Barbosa, filha da Baronesa de Ivinhema, a comissão angariou fundos para a construção de uma Policlínica Infantil, a cargo do Dr. Mário Saboia, e fez com que o Conselho Municipal aprovasse um auxílio de 6:000$ anuais para a manutenção do orfanato. Em 1919 colaborou com a organização da Festa dos Pequeninos, participando voluntariosamente da comissão que angariou a importância de 10:000$ a partir do projeto do intendente Carlos Leite Ribeiro, com o intuito de feriar o dia 2 de outubro como o Dia da Criança.[11]

Em 16 de novembro de 1920 foi integrada ao Congresso Brasileiro de Proteção à Infância pelo secretário-geral Andrade Bezerra.[12]

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Adelina morreu às 11h do dia 2 de fevereiro de 1923, em sua residência na rua Bambina nº 33, Botafogo e foi enterrada às 9h do dia seguinte, no Cemitério São João Batista.[13]

Obras[editar | editar código-fonte]

Poesia[editar | editar código-fonte]

  • 1878 - Margaritas • Typ. da Academia Real das Sciencias, Lisboa. 214p.
  • 1880 - Pombal • (Poema em 4 cantos) Typ. e Lith. Molarinho & Mont'Alverne, RJ. 34p.
  • 1904 - Anoitece • (Opus 34, n.2) Sampaio Araujo & Cia, RJ. 10p.

Contos[editar | editar código-fonte]

  • 1886 - Contos Infantis • (com Júlia Lopes de Almeida) Typ. da Academia Real das Sciencias, Lisboa. 167p.
  • 1900 - Destinos • Laemmert & Cª, RJ. 303p.

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1880 - O Primeiro Pecado de Margarida • (de Henri Murger) Revista Brazileira, V.5, p.245-250.
  • 1906 - A Terrina • (de Ernest d'Hervilly) Almanaque do Teatro, RJ.
  • 1907 - As Duas Dores • (de François Coppée)
  • 1907 - A Virgem de Murillo
  • 1910 - Expiação

Referências

  1. a b COELHO, Nelly Novaes (2002). Dicionário crítico de escritoras brasileiras: 1711-2001. Rio de Janeiro: Escrituras. 750 páginas 
  2. BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento (1883). Diccionario Bibliographico Brazileiro. 1. Rio de Janeiro: Typographia Nacional. p. 7 
  3. a b c CORREIA, Rita (29 de Abril de 2009). «Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada (1899-1914)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  4. NEPOMUCENO, Alberto. «Anoitece - Op.34 n.2, de Adelina Lopes Vieira». UFMG: Canções Brasileiras. Consultado em 30 de outubro de 2017. Arquivado do original em 15 de outubro de 2017 
  5. Correio Paulistano: 09/08/1907. «Os Professores do Rio». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  6. Correio Paulistano: 05/09/1910. «A Comissão da Academia Brasileira de Letras». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  7. O Século: 27/08/1912. «Theatro Nacional». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  8. A União: 08/08/1915. «O Patronato de Menores». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  9. A Noite: 10/06/1915. «O Patronato de Menores já é uma realidade». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  10. «Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena». dominicanas-scs.pt. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  11. «Realiza-se pela primeira vez, no Rio, a Festa dos Pequeninos». Biblioteca Nacional. Consultado em 14 de outubro de 2017 
  12. O Paiz: 13/04/1920. «Congresso Brasileiro de Proteção à Infância». Biblioteca Nacional. Consultado em 30 de outubro de 2017 
  13. O Paiz: 03/02/1923. «Falecimento de D. Adelina Lopes Vieira». Biblioteca Nacional. Consultado em 14 de outubro de 2017