Anafilaxia

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Anafilaxia
Angioedema da face causado por exposição a um alergénio, de tal forma grave que a criança não consegue abrir os olhos.
Classificação e recursos externos
CID-10 T78.2
CID-9 995.0
DiseasesDB 29153
MedlinePlus 000844
eMedicine med/128
MeSH D000707
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Anafilaxia ou Choque anafilático é uma reação alérgica grave e de rápida progressão que pode provocar a morte.[1][2] Geralmente causa um ou mais dos seguintes sintomas: eritema pruriginoso, inflamação da garganta ou da língua, falta de ar, vómitos, atordoamento e diminuição da pressão arterial. Os sintomas geralmente manifestam-se no prazo de minutos ou horas.[3]

Entre as causas mais comuns estão picadas e mordeduras de insetos e determinados alimentos ou medicamentos. Entre outras possíveis causas estão o exercício físico e a exposição ao látex, sendo possível que ocorram casos sem uma razão aparente.[3] O mecanismo envolve a libertação de mediadores a partir de determinados tipos de leucócitos, desencadeada por mecanismos quer imunitários, quer não imunitários.[4] O diagnóstico tem por base os sinais e sintomas apresentados após a exposição ao potencial alergénio.[3]

O principal tratamento da anafilaxia é a injeção intramuscular de adrenalina, administração de soro e deitar a pessoa em posição horizontal.[3][5] Podem ser necessárias doses adicionais de adrenalina. Outras medidas, como a administração de anti-histamínicos e corticosteroides, são complementares. Para pessoas com historial de anafilaxia, geralmente recomenda-se que transportem consigo um autoinjetor de adrenalina e identificação relativa à condição.[3]

Estima-se que entre 0,05% a 2% da população mundial tenha experienciado anafilaxia em determinado momento da vida. A prevalência aparenta estar a aumentar.[6] Ocorre com maior frequência em jovens e mulheres.[5][7] Nos Estados Unidos, cerca de 0,3% das pessoas que se dirigem a um hospital com um choque anafilático morrem.[8]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da anafilaxia geralmente ocorrem dentro de minutos de exposição a um alérgeno. O ponto entre a exposição e o nível de sensibilidade ao alérgeno que marca a potência e o intervalo de tempo para desencadear a reação alérgica. [9]

Os sintomas podem incluir estresse respiratório, hipotensão (baixa pressão sanguínea), síncope (desmaio), coma, urticária, angioedema (inchaço da face, pescoço e garganta) e coceira. Os sintomas estão relacionados à ação da imunoglobulina e da anafilatoxina, que agem para liberar histamina e outras substâncias mediadoras de degranulação. A histamina induz à vasodilatação e a broncoespasmo (constrição das vias aéreas), entre outros efeitos.

Causas[editar | editar código-fonte]

Os agentes causadores mais comuns são:

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O chamado choque anafilático é uma emergência médica em que há risco de morte, por causa da rápida constrição das vias aéreas, que muitas vezes ocorre em questão de minutos após o início do quadro. Buscar ajuda médica imediata pode salvar preciosos minutos. Os primeiros socorros adequados ao choque anafilático consistem em obter cuidado médico avançado imediatamente.

A ventilação assistida (uma habilidade que é parte dos procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar) é frequentemente ineficaz, mas deve ser tentada se a vítima para de respirar. Pode ser que o paciente tenha tido um episódio anterior, pelo que deve ser checado se ele está com um recipiente com epinefrina (adrenalina) para ser administrado por um leigo. A administração repetitiva de epinefrina só é perigosa se feita em rápida sucessão.

A frequência cardíaca pode causar taquicardia, e eventualmente assim será indicada, por representar um risco menor ao paciente.

Tratamento médico deve incluir a injeção de epinefrina intramuscular, anti-histamínicos e corticosteroides se necessário, administração de oxigênio caso necessidade e até entubação orotraqueal durante o transporte até um hospital. Se há angioedema profuso, uma traqueostomia de emergência pode ser requerida para manter a oxigenação.

O tratamento clínico da anafilaxia por um médico e no hospital objetiva tratar a reação de hipersensibilidade, tanto quanto os sintomas.

Drogas antihistamínicas (que inibem os efeitos da histamina nos receptores desta substância) são frequentemente requeridas. A hipotensão é tratada com fluidos intravenosos e às vezes com drogas vasoconstritoras.

Para o broncoespasmo, drogas broncodilatadoras são utilizadas.

Em casos graves, tratamento imediato com epinefrina é essencial para salvar a vida do paciente. Cuidados de suporte com ventilação mecânica também podem ser requeridos imediatamente.

Referências

  1. Sampson HA, Muñoz-Furlong A, Campbell RL, et al. (fevereiro de 2006). «Second symposium on the definition and management of anaphylaxis: summary report—Second National Institute of Allergy and Infectious Disease/Food Allergy and Anaphylaxis Network symposium». The Journal of Allergy and Clinical Immunology. 117 (2): 391–7. PMID 16461139. doi:10.1016/j.jaci.2005.12.1303 
  2. Tintinalli, Judith E. (2010). Emergency Medicine: A Comprehensive Study Guide (Emergency Medicine (Tintinalli)). New York: McGraw-Hill Companies. pp. 177–182. ISBN 0-07-148480-9 
  3. a b c d e «Anaphylaxis». National Institute of Allergy and Infectious Diseases. 23 de abril de 2015. Consultado em 4 de fevereiro de 2016 
  4. Khan, BQ; Kemp, SF (agosto de 2011). «Pathophysiology of anaphylaxis». Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology. 11 (4): 319–25. PMID 21659865. doi:10.1097/ACI.0b013e3283481ab6 
  5. a b Simons FE (outubro de 2009). «Anaphylaxis: Recent advances in assessment and treatment». The Journal of Allergy and Clinical Immunology. 124 (4): 625–36; quiz 637–8. PMID 19815109. doi:10.1016/j.jaci.2009.08.025 
  6. Simons, FE; World Allergy, Organization (maio de 2010). «World Allergy Organization survey on global availability of essentials for the assessment and management of anaphylaxis by allergy-immunology specialists in health care settings» (PDF). Annals of Allergy, Asthma & Immunology. 104 (5): 405–12. PMID 20486330. doi:10.1016/j.anai.2010.01.023 
  7. Lee, JK; Vadas, P (julho de 2011). «Anaphylaxis: mechanisms and management». Clinical and Experimental Allergy. 41 (7): 923–38. PMID 21668816. doi:10.1111/j.1365-2222.2011.03779.x 
  8. Ma, L; Danoff, TM; Borish, L (abril de 2014). «Case fatality and population mortality associated with anaphylaxis in the United States.». The Journal of allergy and clinical immunology. 133 (4): 1075–83. PMID 24332862. doi:10.1016/j.jaci.2013.10.029 
  9. Anafilaxia (Choque Anafilático) - Sintomas, Causas, Tratamento in Índice de Saúde, 11 de Julho de 2013
  10. Silva, Fabio do Nascimento; Teixeira, David da Silva; Paiva, Ozeas; Zioto, Priscila; Marchioro, Sandro; Saick, Ketene Werneck; Uliana, Michele Pereira; Laignier, Emiliane Pereira; Loos, Ricardo (28 de janeiro de 2013). «RISCOS RELACIONADOS À INTOXICAÇÃO POR ALUMÍNIO». Infarma - Ciências Farmacêuticas. 24 (1/3). ISSN 2318-9312