Augusto Frederico Schmidt
| Augusto Frederico Schmidt | |
|---|---|
| Nascimento | 18 de abril de 1906 Rio de Janeiro |
| Morte | 8 de fevereiro de 1965 (58 anos) Rio de Janeiro |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | poeta, escritor |
Augusto Frederico Schmidt (Rio de Janeiro, 18 de abril de 1906 – Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 1965) foi poeta da segunda geração do Modernismo brasileiro; falou de morte, ausência, perda e amor em seus poemas.
Biografia
[editar | editar código]Filho dum asquenaze alemão,[1] era neto, por outro lado, do Visconde de Schmidt (Frederico Augusto Schmidt), um dos homens mais ricos do Império do Brasil, o qual havia amealhado uma imensa fortuna com uma empresa de importação e exportação - Schmidt & Cia, localizada na Rua da Alfândega nº 70. Tinha duas irmãs, Anitta e Magdalena. Esta última se tornaria sua revisora de textos.
Em 1930, após ter adquirido experiência gerenciando a Livraria Católica, comprada por um grupo de amigos, fundou a Livraria Schmidt Editora, que lançou as primeiras obras de autores importantes como Gilberto Freyre (Casa-Grande & Senzala), Graciliano Ramos (Caetés), Rachel de Queiroz (João Miguel), Marques Rebelo (Oscarina), Jorge Amado (O País do Carnaval), Vinicius de Moraes (Caminho para a Distância), Octávio de Faria (Maquiavel e o Brasil), Lúcio Cardoso (Maleita), Hamilton Nogueira, entre outros. Schmidt igualmente ajudou a firmar, no panorama literário, alguns autores já iniciados na edição, como Leonel Franca, Alceu Amoroso Lima e Virgílio de Melo Franco.[2][3][4] A Livraria Schmidt se transformou no ponto de encontro dos intelectuais modernistas da época. Era ali que se reunia o grupo conhecido como "Círculo Católico".[5]
Amigo pessoal de longa data de Plínio Salgado, Schmidt foi um dos seus principais colaboradores na articulação inicial da Ação Integralista Brasileira, a partir de 1931. Em 1933, publicou os dois primeiros livros de Plínio Salgado sobre a doutrina integralista. Nos anos seguintes, sua editora foi a segunda maior responsável pela publicação de obras do movimento. Passou a se referir a Plínio Salgado como "nosso Chefe", e em carta sobre seu prefácio à terceira edição do primeiro livro integralista, O que é o Integralismo, escreveu: "Fiquei comovido. Você tem crescido, dia para dia - e tanto - que eu já penso que você não é mais o meu velho amigo de antigamente - o da Av. Brigadeiro Luís Antônio, o da noite de Natal, que passamos os dois acordados, o dos passeios noturnos pela São Paulo, da Barra Funda etc. Seu prefácio é simples e verdadeiro. Este modesto e mal editado O que é o Integralismo foi a semente do seu, do nosso movimento de redenção".[6]
Em 1934, fundou, junto com Luís Aranha, sua primeira empresa de sucesso: a Metrópole Seguros. Daí pra frente, Schmidt só cresceria nas mais diversas áreas comerciais e industriais, que iam dos pneumáticos à aviação civil, do processamento de materiais radioativos ao setor da alimentação.[2]
Casou-se em 1936 com Yêdda Ovalle Lemos, no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Em 1937, iniciou uma longa e fecunda carreira como cronista do jornal Correio da Manhã.[2] Em 1939, a Livraria Schmidt Editora foi absorvida e suas instalações foram adquiridas por Zélio Valverde, de cuja firma Schmidt se tornou sócio.[7]
Aficcionado por futebol, foi presidente do Club de Regatas Botafogo entre 1941 e 1942. Um dos últimos atos de sua gestão foi idealizar a fusão do clube que presidia com o homônimo de futebol, Botafogo Football Club, criando assim o Botafogo de Futebol e Regatas. A ideia surgiu em decorrência da morte do atleta de basquete Armando Albano durante uma partida entre os dois clubes. Apesar de idealizador, o cargo de presidente do novo clube não ficou com Schmidt, mas sim com Eduardo Góes Trindade, então presidente da outra agremiação. Schmidt foi vice-presidente do novo clube por três anos.
Desenvolveu atividades ligadas à exploração de minérios radioativos, por meio da empresa Orquima (encampada pela Nuclebrás em 1975), precursora da energia nuclear no Brasil, da qual era sócio majoritário, e foi responsável pela criação da primeira rede de supermercados do Brasil, a Disco, inaugurada em Copacabana em 1952.[2][8][9]
Durante o Governo de Juscelino Kubitschek, do qual era amigo pessoal, foi Conselheiro Financeiro e Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República do Brasil[10] e, em seguida, Embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas e na então Comunidade Econômica Europeia. Criou o famoso slogan de JK: "50 anos em 5". Escreveu inúmeros discursos para o presidente, inclusive aquele que se tornaria famoso em que reagia aos ataques da oposição com a frase histórica, "Deus poupou-me do sentimento do medo". Várias de suas ideias vieram a ser realizadas, como a criação da Operação Pan-Americana (OPA), uma iniciativa que iria inspirar a Aliança para o Progresso, criada pelos Estados Unidos na administração Kennedy.[2][10][11]
Faleceu em 1965 sem deixar descendentes, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.
Obra
[editar | editar código]Entre seus principais livros estão O Galo Branco (1948), Estrela Solitária (1940) e Prelúdio à Revolução.[4][3] Em 1963, colaborou com seu sobrinho José Alberto Gueiros, conhecido como Zezinho Gueiros, na Editora Monterrey, especializada em pulp fiction, nas histórias de Giselle, a espiã nua que abalou Paris, baseado num folhetim que David Nasser havia criado para o Diário da Noite.
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Huber, Valburga (11 de novembro de 2015). «Escritores descendentes de imigrantes alemães na Literatura Brasileira: A retomada da temática da imigração» (PDF). Consultado em 3 de outubro de 2022
- ↑ a b c d e «A Biografia de Augusto Frederico Schmidt, poeta e empresário». copacabana.com. Consultado em 10 de outubro de 2025
- ↑ a b «Talento de escritor foi descoberto em relatórios de gestão». Folha de S.Paulo. 12 de setembro de 2010. Consultado em 18 de março de 2024
- ↑ a b «Retrato do sociólogo quando jovem». Folha de S.Paulo. 11 de julho de 2010. Consultado em 18 de março de 2024
- ↑ Hallewell, 1985, p. 339
- ↑ RAMOS, Alexandre Pinheiro (dezembro de 2015). «Intelectuais, livros e política: Schmidt Editor e José Olympio Editora na divulgação do Integralismo». Topoi. Consultado em 10 de outubro de 2025
- ↑ Hallewell, 1985, p. 343
- ↑ «Biblioteca Digital Memória da CNEN». Centro de Informações Nucleares. Consultado em 5 de julho de 2023
- ↑ «A Orquima, os Klabin e os fundadores do estado de Israel». Jornal GGN. 4 de maio de 2019. Consultado em 5 de julho de 2023
- ↑ a b «Pronunciamento do Ministro das Relações Exteriores ao Senado»
- ↑ «A Operação Pan Americana, relembrando a diplomacia altiva de JK». Jornal GGN. 1 de maio de 2019. Consultado em 5 de julho de 2023
Referências bibliográficas
[editar | editar código]- HALLEWELL, Laurence (1985). O livro no Brasil: sua história. São Paulo: EDUSP. Col: Coleção Coroa Vermelha, Estudos Brasileiros. 6. [S.l.: s.n.] ISBN 85-85008-24-5
- LEITE, José Roberto Teixeira (2007). Di Cavalcanti e outros perfis. Osasco: EDIFIEO. [S.l.: s.n.]
Ligações externas
[editar | editar código]- «Poemas de Augusto Frederico Schmidt»
- «Fundação Yedda & Augusto Frederico Schmidt - biografia do poeta»
- «Enciclopédia Itaú Cultural - breve biografia e dados sobre Augusto Frederico Schmidt»
- «Artigo "Augusto Frederico Schmidt e sua poética da morte", com as principais características da produção poética de Schmidt»
- «Artigo "eu estou cada vez menos sabendo o que é o Brasil", sobre carta de Mário de Andrade a Augusto Frederico Schmidt»
- «Artigo "Intelectuais, livros e política: Schmidt Editor e José Olympio Editora na divulgação do Integralismo"»
- Nascidos em 1906
- Mortos em 1965
- Brasileiros de ascendência alemã
- Católicos do Brasil
- Alunos do Colégio de São Bento
- Dirigentes esportivos do estado do Rio de Janeiro
- Editores do Brasil
- Escritores do estado do Rio de Janeiro
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