Ba'al Hammon

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Baʿal Hammon
Estátua de Baʿal Hammon no Museu do Bardo, Tunes
Outro(s)
nome(s)
Baal Hammon, Baal-Ammon, Saturno africano
Nome nativo lbʻl ḥmn
Local de culto Fenícia, Cartago
Romano equivalente Saturno
Região Bacia do Mediterrâneo

Baʿal Hammon, Baal Hammon, Ba'al Khamon ou Baal-Ammon (em púnico: lbʻl ḥmn; "governante de uma multidão"),[1] por vezes alcunhado "Saturno africano", era a divindade central da religião cartaginesa, a quem era oferecido o sacrifício do molk. Era uma divindade do céu e da vegetação, representado como um ancião com barba e com cornos de carneiro.[2] A sua companheira feminina de culto era Tanit.[3]

Culto e atributos[editar | editar código-fonte]

O culto de Baʿal Hammon floresceu na colónia fenícia de Cartago. Acredita-se que a sua supremacia entre os deuses cartagineses data do século V a.C., depois das relações entre Tiro e Cartago terem sido quebradas depois da derrota púnica em Hímera.[4] Académicos modernos identificaram Baʿal Hammon em várias ocasiões com os deuses semítico do noroeste El e Dagon.[5]

Em Cartago e no resto de Norte de África, Baʿal Hammon era especialmente associado com o carneiro e era também adorado como Baʿal Qarnaim ("Senhor dos Dois Cornos") num santuário ao ar livre em Jebel Bu Kornein ("monte dos dois cornos"), na baía de Cartago.[carece de fontes?] É provável que nunca tenha sido identificado com Baʿal Melqart, apesar dessa hipótese ter sido avançada por alguns académicos no passado.[carece de fontes?]

Os escritores gregos antigos identificaram Baʿal Hammon com o titã Cronos. Para os romanos ele era identificado com Saturno e o intercâmbio cultural entre Roma e Cartago resultante da Segunda Guerra Púnica pode ter influenciado o desenvolvimento da Saturnália, um grande festival religioso romano.[6]

As fontes greco-romanas relatam que os cartagineses queimavam os seus filhos como oferendas a Baʿal Hammon. Os atributos da sua forma romanizada como Saturno Africano indicam que Hammon era um deus da fertilidade.[7]

Nome e funções[editar | editar código-fonte]

O significado exato de Hammon ou Hamon é desconhecido. No século XIX, quando Ernest Renan escavou as ruínas de Hammon (Ḥammon), atualmente chamada Umm al-‘Awamid, situada entre Tiro e Acre, ele descobriu duas inscrições fenícias dedicadas a El-Hammon. Dado que El era normalmente identificado com Cronos, como o era também Ba‘al Hammon, é possível que fossem equiparados. Mais usual é a ligação com o hebreu/fenício ḥammān "braseiro", que está na origem da identificação como uma divindade solar.[8] Para Yigael Yadin, Hamon era um deus lunar e Edward Lipinski identifica-o com o deus Dagon.[9]

Frank Moore Cross defendia uma ligação com Khamōn, o nome ugarita e acádio do monte Amano, a grande montanha que separa a Síria da Cilícia, baseando-se na existência de uma descrição ugarita de El como um dos da montanha Haman. O nome dado a Baal Hammon "senhor dos dois cornos" identificado-o como o antigo deus da Lua que era adorado em Ur pelos caldeus no norte da Síria durante o reinado de Ur-Nammu (r. ca. 2047–2030 a.C.). Esta é a mesma divindade que era adorada pelos antepassados dos hebreus na sua antiga pátria na Síria, onde segundo a bíblia Abraão e os seus antepassados viveram antes de receberem a promessa da conquista de Canaã. A associação de Baal Hammon com Cronos e Saturno não é coincidência e é algo bem conhecido nos textos mesopotâmicos antigos. Texto da Antiga Babilónia identificam claramente Baal Hamon com o "filho de El" (este El é a mesma divindade que En-Lil, "senhor do firmamento" e principal deus da antiga cidade de Nipur, na Suméria). Os dois filhos de Hamon, eram Sin ou Nanna Suen, o deus da Lua, e Ishkur ou Baal, "o cavaleiro das nuvens". Diz-se que a filha do deus da Lua é Ishtar, associada ao planeta Vénus que aparece como a esposa de Baal Ishkur em textos antigos ugaritas e cananitas.[carece de fontes?]

Toponímia[editar | editar código-fonte]

Ba'al-Hamon, por vezes também escrito Ba'al-Hammon, Ba'al Khamon ou Baal-Ammon é um lugar mencionado no Cântico dos Cânticos 8:11 como o local de uma vinha muito produtiva pertencente a Salomão. A vinha estava a cargo de tenentes, cada um deles encarregado de pagar ao rei mil siclos de prata. Supõe-se que esse local é o mesmo que Baal-gad e Hammon mencionados na tribo de Aser (Livro de Josué 19:28). Outros identificam-no com Belamão, na Palestina Central, perto de Dotã.[carece de fontes?]

Para alguns estudiosos, Ba'al-Hamon não deve ser encarado literalmente como um local físico, mas como uma representação figurativa da riqueza dos territórios governados por Salomão.[carece de fontes?]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. (em russo) Дьяконов И. М. Языки древней Передней Азии, Moscovo: Издательство Наука, 1967 
  2. Brouillet, Monique Seefried, ed. From Hannibal to Saint Augustine: Ancient Art of North Africa from the Musée du Louvre. Michael C. Carlos Museum, Emory University: Atlanta GA, 1994.
  3. Lancel, Serge. Carthage, a history, p. 195
  4. Moscati, Sabatino (2001). The Phoenicians. Tauris, p. 132. ISBN 1-85043-533-2
  5. Carthaginian Religion by Roy Decker About.com. Visitado em 2010-07-07.
  6. Palmer, Robert E.A. Rome and Carthage at Peace (Franz Steiner, 1997), pp. 63–64.
  7. Lancel, Serge. Carthage, a history, p.197
  8. Walbank, Frank William (1979) (em inglês), A historical commentary on Polybius, 2, Clarendon Press, p. 47 
  9. Lipinski, Edward (1992) (em francês), Dictionnaire de la civilisation phenicienne et punique, Brepols, ISBN 9782503500331 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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