Caso Rui Pedro

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Rui Pedro.

O caso Rui Pedro refere-se ao desaparecimento do menino de 11 anos Rui Pedro Teixeira Mendonça (Lousada, 28 de janeiro de 1987) que ocorreu em 4 de março de 1998, em Lousada onde residia com os pais. O caso tornou-se popular na imprensa em Portugal,[1] mas o garoto nunca foi encontrado. Em 2011, o advogado dos pais de Rui Pedro, Ricardo Sá Fernandes, disse que vai processar o Estado português por "falhas gravíssimas" na investigação.[2] O jornalista Hernâni Carvalho e a mãe de Rui Pedro criticaram o trabalhos dos policiais. Um investigadora da Universidade do Minho criticou a cobertura da mídia.

História[editar | editar código-fonte]

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Em 4 de março de 1998, por volta das 14h, Rui Pedro foi andar de bicicleta perto da casa da família, após pedir permissão à sua mãe, Filomena Teixeira, para passar a tarde com o seu "amigo Afonso Dias" de vinte e dois anos. Filomena recusou a proposta do filho, e disse-lhe para ir brincar lá fora.

O tutor de Rui Pedro ligou aos pais porque a criança não apareceu a sua lição das cinco da tarde, e rapidamente eles começaram a procurá-lo.

Investigação[editar | editar código-fonte]

Afonso Dias foi interrogado pela polícia. O primo de Rui Pedro, André contou a polícia que ele e Rui Pedro Afonso tinha tido uma conversa em que Afonso os tinha convidado para ir encontrar-se com uma prostituta. André disse que não se havia juntado a Rui Pedro e Afonso naquela tarde, porque sua mãe não iria deixá-lo sair de casa.

A investigação sobre o desaparecimento da criança abrandou devido à falta de ligações credíveis. No entanto, o caso despertou o interesse público a um grau que avistamentos de Rui Pedro eram numerosas ao longo dos anos desde o seu desaparecimento. A prostituta Alcina Dias confirmou que Afonso Dias lhe pagou para ela ter sexo com Rui Pedro, no dia em que desapareceu. Alcina Dias disse que Rui Pedro estava extremamente nervoso e chorando pelo tempo que ele saiu do veículo, supostamente dizendo que Afonso lhe tinha forçado a conhecê-la. Alcina Dias acrescentou que ela tentou acalmar o menino e perguntou-lhe se sua mãe sabia que ele estava lá, para que o menino respondeu que não. Rui Pedro então supostamente partiu no veículo de Afonso Dias. Alcina Dias teria tentado dar seu depoimento às autoridades, mas nunca poderia identificar Afonso Dias pelo nome.

Julgamento[editar | editar código-fonte]

Em 2011, ela finalmente identificou-o num tribunal de direito. O julgamento de Afonso Dias teve início em novembro de 2011.[1]

A 3 de outubro de 2014, Afonso Dias, foi condenado a três anos de prisão pelo sequestro do menor durante a tarde do seu desaparecimento, e não para o próprio desaparecimento. A 18 de março de 2015, Afonso Dias foi levado para a prisão por seu advogado, depois que o mandado de detenção foi emitido pela polícia. Ele cumpriu uma sentença de três anos, que foi reduzida para dois anos por bom comportamento. No dia 29 de março de 2017, Afonso Dias foi libertado.[3]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Em uma entrevista reportada em 2019, a mãe de Rui Pedro questionou o trabalho da polícia em diversos pontos:

"Na Polícia Judiciária eram uns incompetente no início, o caso foi muito mal tratado. Foi o pior pesadelo que eu podia ter. Eu estava sozinha a lutar contra pessoas incompetentes. Ele chegaram-me a dizer que não estavam preparados para este tipo de coisas. Como é que é possível? (…) Na altura não fizeram nada. Diziam que [eu não podia] ir para os montes [procurar meu filho]. Diziam que não gostavam de mim."[4]
(…)
"[Eu] ia todos os dias à polícia para saber se eles tinham feito alguma coisa. Procurava lá no dossiê deles, aquilo era tudo em papel e depois tinha cassetes. No início tinham computadores e eles não sabiam trabalhar com os computadores, porque os que estavam lá eram velhos e não sabiam trabalhar com os computadores."[4]

Segundo avaliação da investigadora da Universidade do Minho, Helena Machado, que tem estudado este campo, "O caso do Rui Pedro não mobilizou os recursos de investigação policial que foram usados no caso da Madeleine McCann. E muito menos captou a atenção ou o envolvimento de membros do Governo, como aconteceu com o caso da menina britânica (…) [Somando a falta de contatos com redes de poder, não foram reunidos] todos os ingredientes necessários para cativar os media e respectivas audiências, conteve todos os ingredientes de uma narrativa criminal excepcionalmente noticiável".[1]

Segundo Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), "O caso de Rui Pedro foi um marco, fez despertar uma maior sensibilidade quanto a casos como este."[1]

"A polícia teve a humildade de assumir que houve no passado algumas falhas, o que é de grande importância para que se alterem as mentalidades de quem investiga e os procedimentos utilizados (…) Há uma atitude mais sensibilizada, mais empenhada e mais cautelosa das autoridades (…) ainda há polícias que persistem no erro de informar os pais das crianças desaparecidas que apenas poderão aceitar a denúncia 48 horas depois do desaparecimento (…) [Uma atitude que é] inadmissível, errada e irresponsável".[1]

Patrícia Cipriano, presidente da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas (APCD)

Segundo um agente do Ministério Público, a investigação teria sido "descentrada" por pistas falsas ao longo de dez anos, em volta de informações internacionais de redes de pedofilia e pornografia.[1] A Polícia Judiciária (PJ), que pegou o caso do Ministério Público em 2006, descartou tal linha de investigação em 2011, por falta de provas.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Silva, Samuel (13 de novembro de 2011). «O desaparecimento da criança que mudou o país chega a tribunal». Público. Consultado em 31 de março de 2017 
  2. «Advogado pensa processar Estado por falhas na investigação». DN. 14 de outubro de 2011. Consultado em 25 de agosto de 2019 
  3. Alexandre Panda e Delfim Machado (29 de março de 2017). «Caso Rui Pedro: Afonso Dias libertado». Jornal de Notícias. Global Media Group. Consultado em 31 de março de 2017 
  4. a b «Mãe de Rui Pedro: «Chamem-me louca, mas eu acredito que posso saber do meu filho»». Nova Gente. 8 de janeiro de 2019. Consultado em 25 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2019 
  5. «PJ descarta envolvimento de redes de pedofilia no caso Rui Pedro». Publico. 28 de fevereiro de 2011. Consultado em 25 de agosto de 2019. Cópia arquivada em 25 de agosto de 2011