Castelo de Paderne

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Castelo de Paderne
Vista do Castelo de Paderne, Portugal
Tipo Castelo
Estilo dominante Medieval
Início da construção [[]] - c.(713)
Fim da construção [[]] - ([[]])
Proprietário inicial Califado Almóada
Função inicial Militar
Proprietário atual Portugal República Portuguesa
Função atual Cultural
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 22 de novembro de 1971.
Geografia
País Portugal Portugal
Cidade Portugal Paderne, Albufeira
Coordenadas 37° 09.431' N 8° 12.006' O
Geolocalização no mapa: Portugal Continental
Castelo de Paderne está localizado em: Portugal Continental
Castelo de Paderne


O Castelo de Paderne, no Algarve, localiza-se na cidade e freguesia de mesmo nome, Concelho de Albufeira, Distrito de Faro, em Portugal.

Ergue-se em posição dominante sobre a ribeira de Quarteira, cerca de dois quilômetros ao Sul da cidade. Um dos sete castelos representados na bandeira de Portugal, as suas ruínas, de cor avermelhada, constituem um dos exemplares mais significativos da arquitectura militar muçulmana na península Ibérica, destacando-se na paisagem como um aviso de chegada ao Algarve para quem entra na Via do Infante, vindo da A2. O efeito cenográfico é multiplicado à noite, graças à iluminação instalada pela Região de Turismo do Algarve.

Torre albarrã do castelo

História[editar | editar código-fonte]

Enquadramento[editar | editar código-fonte]

Ruínas da Capela da Nossa Senhora do Castelo

O Castelo de Paderne é um hisn, uma pequena fortificação rural hispano-muçulmana do período almóada (2ª metade do século XII e primeiras décadas do século XIII), em cujas muralhas foi utilizado um único e já perdido processo construtivo: a taipa militar. Neste período, o progresso da Reconquista cristã levou à edificação de uma linha defensiva composta por fortificações de porte médio ( como o Castelo de Salir) e de caráter rural na região, das quais esta é um dos melhores exemplos.

O castelo medieval[editar | editar código-fonte]

A referência mais antiga sobre o castelo remonta a 1189, quando foi conquistado em um encarniçado assalto noturno pelas forças de D. Sancho I (1185-1211), com o auxílio de uma esquadra de cruzados ingleses. Esse domínio, entretanto, foi efêmero, uma vez que, já em 1191, foi recuperada pelas forças Almóadas sob o comando do califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur.

A sua posse definiva para a Coroa portuguesa só viria sob o reinado de D. Afonso III (1248-1279) com a conquista pelo Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia, em 1248, iniciando-se o repovoamento da região.

Sob o reinado de D. Dinis (1279-1325), os domínios da vila e seu castelo, bem como o padroado da sua igreja, foram doados pelo soberano à Ordem de Avis, na pessoa de seu Mestre, D. Lourenço Anes. Não se registram, entretanto, no período, obras de recuperação no castelo, à semelhança do que ocorreu com o Castelo de Alvor (1300), as muralhas de Tavira (1303) ou as de Castro Marim (1303), mas tão somente algumas construções no seu interior, como a edificação da primitiva [[capela].

Do século XV aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

No século seguinte, instaurando-se o ciclo dos Descobrimentos portugueses, as preocupações estratégicas e econômicas concentram-se nas costas do reino, perdendo Paderne a sua importância e a sua função defensiva. Abandonado a partir do século XVI, quando a povoação se transferiu para o atual sítio, caiu progressivamente em ruínas nos séculos seguintes. O processo foi agravado com os estragos causados pelo terramoto de 1755 à estrutura, em particular à sua torre de menagem, como registrado pelas "Memórias Paroquiais de 1758".

As ruínas do castelo, constituídas por alguns troços de muralhas, a torre albarrã e as paredes da capela em seu interior, no qual se abria uma cisterna, entulhada, foram classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto N.º 516/71 de 22-11. O imóvel dispõe de uma Zona Especial de Proteção demarcada pela Portaria N.º 978 / 99, in Diário da República (2.ª série)

O imóvel foi adquirido pelo Ministério da Cultura, através do IPPAR, em Setembro de 1997. A partir de então, este órgão (Direcção Regional de Faro), iniciou-lhe trabalhos de prospecção arqueológica (a cargo de Helena Maria Gomes Catarino, em co-direção com Isabel Inácio e colaboração de Ricardo Teixeira), no âmbito de um projeto mais amplo, de recuperação e valorização museológica.

Características[editar | editar código-fonte]

Descrição geral[editar | editar código-fonte]

A silhueta do Castelo de Paderne é configurada por muralhas de traçado recto e regular. O imóvel apresenta um perímetro aproximado de 230 metros e 3.100 m² de superfície, pelo que é uma estrutura militar de tamanho bastante moderado.Talvez por tratar-se de uma fortaleza de pequena escala, localizada num sítio tão escarpado, o quebrar dos muros fosse o recurso defensivo suficiente para compensar a falta de torres.

As muralhas apresentam a forma de um polígono irregular de 10 lados que modela uma forma quase trapezoidal, orientada na bissectriz do quadrante NE, em coerência com a topografia do local e a forma e orientação do cabeço onde estão implantadas.

As características mais notáveis do recinto são o uso massivo da taipa como sistema construtivo e a inexistência de torres esquineiras ou intermédias adossadas aos muros.Salienta-se a presença de uma única torre de albarrã.

Uma única porta de acesso, ao recinto, abre-se directamente ao exterior, no côvado do alçado NE, mas regista-se que não corresponde à preferencial tipologia almóada que é a porta em cotovelo.

A Torre Albarrã[editar | editar código-fonte]

A torre albarrã, avançada em relação à muralha, flanqueia o tramo NE que de todos é o mais acessível e vulnerável.

O termo albarrã provem da palavra árabe al-barrāniya que significa do lado de fora ou exterior. As torres albarrãs são torres desligadas da muralha e unidas a esta por um passadiço superior, que pode ser um arco de volta perfeita ou um pano de muro mais ou menos extenso. Estas torres que se projetavam para o exterior das muralhas permitiam aos defensores atacar os agressores pelas costas.

A única torre do castelo de Paderne é uma estrutura quadrangular, que apresenta cerca de 5,70m de lado, e cerca de 9,30m de altura máxima conservada.

O topo da torre era rematado por quatro parapeitos constituídos por blocos de taipa, que originalmente a envolviam na totalidade, mas hoje apenas restam três. O acesso à torre, a partir do interior do castelo, fazia-se por uma escada amovível que era encostada ao pano de muralha. A seguir era preciso, percorrer o passadiço aéreo de ligação da muralha à torre que mede de 2,90m de comprimento por 2,80m de largura. Sensivelmente a meio do passadiço, regista-se uma abertura circular, com um metro de diâmetro, atualmente está colmatada por pedras argamassadas, mas terá servido para ataca inimigo que sobre ela se oculta-se.

Possível densidade de ocupação do recinto[editar | editar código-fonte]

O interior da fortaleza corresponde 2.557 m2. Como curiosidade, aplicando um calculo convencional que determina 2m2 de espaço livre por pessoa, como actualmente se calcula a capacidade de um centro comercial, este recinto poderia albergar quase um milhar e meio de pessoas, em momentos de máxima ocupação, faltando sabermos se os recursos alimentícios e de água estariam garantidos para tanta gente.[1]

O Espaço no Interior das Muralhas[editar | editar código-fonte]

As habitações tardomedievais[editar | editar código-fonte]

As intervenções arqueológicas exumaram estruturas tardo-medievais demonstrativas da existência, no interior das muralhas, de um espaço planificado e totalmente urbanizado de raiz. Constituído com base em ruas estreitas percorridas por um complexo sistema de drenagens que conduziam as águas residuais, para o exterior da muralha, através de aberturas de escoamento nelas colocadas, com regularidade métrica. Muitas vezes as lajes de cobertura das canalizações funcionavam como pavimento das ruas.As ruas formavam quarteirões, com uma densidade de ocupação própria de contextos urbanos da época, preenchidos por características habitações almóadas de pátio central descoberto ao qual acediam todas as salas. Os muros seriam em taipa com um embasamento de alvenaria pobre. Após a conquista cristã, uma nova população, com conceitos distintos do que era o espaço doméstico, procederá à adaptação ou alteração do modelo inicial. Para recolha e abastecimento de água potável haviam cisternas, grandes reservatórios imprescindíveis à vida quotidiana da população. São visíveis duas cisternas que dão testemunho dos dois principais momentos de ocupação do castelo - o islâmico e o cristão.

A Casa Álife - Exemplo de uma habitação almóada[editar | editar código-fonte]

A casa Álife que é, até ao presente, na área escavada, a habitação islâmica mais representativa do Período Almóada. Localiza-se no cruzamento de duas ruas, a principal, correspondendo ao eixo central do castelo, e uma secundária que termina na muralha sudoeste. É um exemplo do modo como as habitações almóadas se estruturavam em volta de um pátio central, neste caso tem um pátio com uma planta rectangular, que está pavimentado por lajes que substituíram os ladrilhos originais. Nele pode identificar um pequeno canteiro ao centro.

Entorno do pátio central, dispõem-se oito salas. O compartimento do lado norte que tem um pequeno anexo é interpretado como uma sala com uma alcova lateral, as salas mais pequenas correspondem a quartos de difícil interpretação devido às sucessivas remodelações, pressupõe-se que alguns serviram para armazenamento de alimentos, em particular a que registou a presença de um silo que foi entulhado, posteriormente, entre finais da Idade Média e inícios da Época Moderna.

A porta de entrada, localizada na rua secundária, é a única actualmente visível, não obedecendo ao paradigma de abrir directamente para um corredor lateral em cotovelo, corresponde de facto a um vão refeito, posteriormente na fase cristã, o que justifica o seu acesso directo a um quarto.

Ermida de Nossa Senhora da Assunção[editar | editar código-fonte]

No espaço interior, encontra-se a ruína romântica de uma construção de pedra rudemente aparelhada, ligada com uma argamassa muito friável, com rebocos sobrepostos. É a ermida de Nª Sra. da Assunção, constituída pela capela-mor e uma única nave.

A onomástica da ermida alude à elevação do corpo e da alma de Maria, mãe de Jesus, à glória celestial após a morte. Possivelmente em 1506, ano em que a Igreja Matriz foi deslocalizada do interior do castelo, recentemente despovoado, para a atual implantação, na recém-refundada Paderne, que a Ermida de Nª Sra. da Assunção ocupou o espaço que fora primitivamente o da Igreja de Santa Maria do Castelo.

Apesar da ausência de evidências arqueológicas que o comprovem, o facto do orago da primitiva Matriz ter sido Santa Maria e atendendo a que as mesquitas eram quase sempre sacralizadas em nome da Virgem, leva-nos a supor que a inicial sede paroquial de Paderne ocupou, quando da sua criação, a área do templo islâmico. Da Matriz primitiva, Igreja de Nª Sra. do Castelo, o primeiro registo escrito que temos, data de 1263, do reinado de D. Afonso III, associado à a organização dos estatutos da Sé de Silves.

Mais tarde, com a doação da igreja e do seu padroado à ordem de Avis, pelo monarca D. Dinis, em 1305, é possível que o edifício inicial tenha sofrido obras de remodelação, ou mesmo sido erigida uma nova igreja, para marcar a presença da Ordem, sobre a nova possessão que recebera.

Observando a Ruína da Ermida de Nª Sra. da Assunção ressalta a fachada principal, de 5,40 m de comprimento, ornamentada com um óculo de massa, bem como as paredes laterais da nave com 11 m de comprimento. A capela-mor exibe ainda as bases do arco triunfal, e, nas paredes laterais, os arranques da cúpula que a cobriu, bem como um troço de alvenaria do altar-mor, que teria 3,60 m de comprimento por 3,80 m de largura.

Havendo decorrido menos de cinquenta anos após o castelo deixar de corresponder a um agregado populacional, em 1554, o relatório da Visitação da Ordem de Santiago refere a Ermida de Nª Sra. da Assunção como estando numa fortaleza antiga, só e afastada da gente.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Ver também: Fortalezas de Portugal
  1. Vicente, Manuel López, Projecto de Conservação e Restauro dos Módulos de Taipa Almóada do Castelo de Paderne ( Fase 1 -Torre Albarrã) para Direção Regional de Cultura do Algarve, Niebla, 2010, p.14.