João Barroso Soares

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João Barroso Soares
Retrato oficial de João Soares, 2015
Ministro(a) de Cultura de  Portugal
Período XXI Governo Constitucional
Antecessor(a) Teresa Morais
Sucessor(a) Luís Filipe Castro Mendes
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Período 15 de novembro de 1995 a 23 de janeiro de 2002
Antecessor(a) Jorge Sampaio
Sucessor(a) Pedro Santana Lopes
Vida
Nascimento 29 de agosto de 1949 (66 anos)
Lisboa, São Cristóvão e São Lourenço
Dados pessoais
Cônjuge Maria Olímpia Soares (div.)
Annick Burhenne
Partido Partido Socialista
Profissão Editor literário

João Barroso Soares (Lisboa, São Cristóvão e São Lourenço, 29 de agosto de 1949), normalmente conhecido apenas como João Soares, é um editor literário e político português. Foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1995 e 2002, e ministro da Cultura do XXI Governo Constitucional de Portugal entre 2015 e 2016.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Filho de Mário Soares e de Maria Barroso,[1] é também neto paterno do político da Primeira República e fundador do Colégio Moderno João Lopes Soares; primo-irmão materno do cronista e antigo deputado e secretário de estado Alfredo Barroso, do cineasta Mário Barroso e do médico-cirurgião Eduardo Barroso.

Frequentou o Colégio Moderno e o Liceu Francês (Lycée Français Charles Lepierre), ingressando, em seguida, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Envolvido na oposição dos estudantes à ditadura, foi membro da Comissão Pro-Associação dos Liceus (1966) e da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Expulso três vezes da universidade, foi, em 1972, para a RFA, onde frequentou a Akademie Remscheid, como bolseiro da Fundação Friedrich Ebert[2]. Não chegou a concluir a licenciatura em Direito[3][4].

A partir de 1975 dedicou-se ao trabalho na editora Perspectivas & Realidades (P&R), que fundou com Vítor Cunha Rego, e de que se mantém proprietário.[5] A P&R iniciou a sua atividade com O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, uma sátira à União Soviética de Estaline, publicando em seguida — a par de livros de dirigentes socialistas, como o próprio Mário Soares, Almeida Santos ou Salgado Zenha, e de diversas obras de história política —, a obra reeditada de Raúl Brandão e os romances de João Aguiar, como chancela original. De assinalar em seguida uma antologia organizada por Mário Cesariny: Textos de Afirmação e de Combate do Movimento Surrealista Mundial. Já nos anos 1980 viria a editar a poesia do líder da UNITA, Jonas Savimbi, com o título Quando a Terra Voltar a Sorrir Um Dia.[5]

Militante do Partido Socialista desde a sua fundação em 1973, foi deputado à Assembleia da República, pelo Círculo de Lisboa, entre 1987 e 1990, e, novamente, nas legislaturas iniciadas em 2002, 2005 e 2009. Foi igualmente deputado ao Parlamento Europeu, de 1994 a 1995.

A 23 de setembro de 1989, durante uma viagem à Jamba, base de atuação da UNITA, João Soares sofreu um acidente de avião no trajeto entre um congresso extraordinário da organização e um encontro com Sam Nujoma, máximo dirigente da SWAPO na Namíbia. Acompanhado por outros dois deputados (Rui Gomes da Silva, do PSD, e José Luís Nogueira de Brito, do CDS-PP), Soares viu o Cessna pilotado por Joaquim Augusto da Silva embater numa árvore e despenhar-se, ficando em chamas. Sofreu lesões mais graves do que os ferimentos ligeiros dos acompanhantes, acabando por recuperar após vários meses de convalescença e internamento num hospital na África do Sul[6].

Na sequência das eleições autárquicas de 1990 na Câmara Municipal de Lisboa, foi eleito vereador dessa autarquia, cargo que exerceu de 1990 a 1995. Enquanto vereador assumiu o pelouro da Cultura, numa altura em que a cidade recebeu o evento da Capital Europeia da Cultura, em 1994, e que foi criada a Videoteca (1991) a Casa Fernando Pessoa (1993) e a Bedeteca (1996), na atual Biblioteca dos Olivais[5]. Depois da demissão de Jorge Sampaio, entretanto eleito Presidente da República, Soares viria a ser presidente da mesma Câmara, de 1995 a 2002, respetivamente.

Em 2004 foi candidato à liderança do PS, perdendo para José Sócrates. Em 2005 encabeçou a candidatura do PS à Câmara Municipal de Sintra, que foi derrotado nessas eleições por Fernando Seara, apoiado pelo PSD. Entretanto, acumulou as funções no Parlamento, onde se manteve como deputado na legislatura de 2005-2009, com a presidência da Assembleia Parlamentar da OSCE, entre 2008 e 2010.

Em finais de 2015 é nomeado Ministro da Cultura do XXI Governo Constitucional, sendo Primeiro-Ministro o socialista António Costa.[4] Como ministro, em abril de 2016, ameaçou dar "um par de bofetadas" a críticos da sua atuação visando os colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente do jornal Público.[7] Após muita polémica, viu-se obrigado a pedir a demissão do cargo de ministro da Cultura.[8]

João Soares é membro da Maçonaria, desde 1974, segundo disse o próprio.[9]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

É autor de romances em Inglês e em Alemão, sob os pseudónimos, respectivamente, de John Sowinds e de Hans Nurlufts, traduções livres do seu nome.[10]

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou primeira vez com Maria Olímpia Soares (1971), da qual se divorciou e da qual tem duas filhas e um filho:

  • Maria Inês Soares (1976)
  • Maria Mafalda Soares (1981)
  • Mário Alberto Soares (1986)

Casou segunda vez com Annick Burhenne, natural da Bélgica, da qual tem um filho e uma filha:

  • Jonas Burhenne Soares (22 de Novembro de 2003)
  • Lilah Burhenne Soares (2007)

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Jorge Sampaio
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
1995 – 2002
Sucedido por
Pedro Santana Lopes
Precedido por
Goran Lennmarker
Presidente da AP da OSCE
2008 – 2010
Sucedido por
Petros Efthymiou
Precedido por
Teresa Morais
(como ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania)
Ministro da Cultura
XXI Governo Constitucional
2015 – 2016
Sucedido por
Luís Filipe Castro Mendes