Castelo de Aljezur

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a inconsistências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a consistência e o rigor deste artigo.
Question book.svg
Esta página ou secção não cita fontes confiáveis e independentes, o que compromete sua credibilidade (desde agosto de 2011). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Castelo de Aljezur - entrada.jpg
Castelo de Aljezur, Portugal: vista da entrada.
Mapa de Portugal - Distritos plain.png
Construção ()
Estilo
Conservação
Homologação
(IGESPAR)
N/D
Aberto ao público

O Castelo de Aljezur, no Algarve, localiza-se na vila e Freguesia de Aljezur, Distrito de Faro, em Portugal.

Em posição dominante sobre a vila e a ribeira de Aljezur, embora constituindo-se em um dos castelos figurados nas sete quinas do brasão pátrio, é quase desconhecido nos roteiros turísticos portugueses, tratando-se de um dos mais expressivos monumentos algarvios.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A recente pesquisa arqueológica pela Unidade de Arqueologia do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, em parceria com a Câmara Municipal de Aljezur, revelou que a primitiva ocupação humana deste sítio remonta à pré-história, trazendo à luz camadas com vestígios da Idade do Bronze (c. 3.000 AP), da Idade do Ferro e do período romano (entre os séculos IV e I a.C.).

À época da Invasão muçulmana da Península Ibérica, o curso da ribeira de Aljezur era navegável e esta povoação constituía-se em importante porto fluvial. Data deste período, em fase inicial (anterior ao século X), a primitiva fortificação, que, em linhas gerais, apresentava planta poligonal, dela subsistindo expressivos troços de muralhas, uma torre com planta circular e a cisterna. Posteriormente, em fase tardia, nos séculos XII e XIII, foram levantadas no interior recinto diversas estruturas habitacionais e dois silos. Nesta fase, o castelo teria integrado o sistema defensivo almóada da região de Silves, que então se estendia desde os atuais concelhos da Lagoa e de Albufeira até Aljezur e ao sul do litoral alentejano.

O castelo medieval[editar | editar código-fonte]

Castelo de Aljezur, Portugal: vista da vila para o castelo.

À época da Reconquista cristã, com a conquista da região do Algarve (1246), a povoação e o seu castelo passaram, segundo alguns autores para os domínios do rei D. Sancho II de Portugal (1223-1248) a 24 de Junho de 1242 ou de 1246. Outros pretendem que o sucesso ocorreu entre 1243 e 1244 por ação do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia. Outros ainda que no de D. Afonso III (1248-1279), por iniciativa do mesmo Mestre, na madrugada de 24 de Junho de 1249, dia de São João, mantendo-se como padroeira da vila, Nossa Senhora d'Alva. A Crónica da Conquista do Algarve refere, ainda, que Aljezur foi a última praça do Algarve a ser conquistada, neste ano de 1249. Em qualquer das hipóteses, devem-lhe ter sido promovidas reformas pelos novos ocupantes.

À época do rei D. Dinis (1279-1325), recebeu Carta de Foral (1280), acreditando-se que este monarca tenha-lhe promovido obras de conservação e reforço.

Embora carecendo de pesquisas mais aprofundadas sobre a evolução arquitectónica do monumento durante a Baixa Idade Média, perdida a sua função militar e estratégica, foi abandonado, apresentado ruína em meados do século XV, em 1448. A informação da Visitação da Ordem de Santiago a Aljezur (1482), confirma o abandono do castelo, que apresentava ruína no setor oeste das muralhas, as portas parcialmente quebradas e sem a respectiva fechadura, e a cisterna entulhada.

À época do reinado de D. Manuel I (1495-1521), a Ordem de Santiago intentou reconstruí-lo, iniciando-lhe reparos nas muralhas, o que foi reiterado pelo novo ordenamento do reino, expedido por aquele soberano.

Do terramoto de 1755 aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

A vila e os remanescentes da estrutura arruinada foram bastante danificados pelo terramoto de 1755, principalmente as habitações no interior do recinto. Os relatos coevos, até ao século XIX são acordes em referir a degradação do monumento.

No século XX, no contexto das comemorações pelo Centenário de morte do Infante D. Henrique foram promovidas intervenções de restauro em diversas fortificações algarvias, entre as quais a de Sagres, a de Lagos e esta, de Aljezur. Classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 29 de Setembro de 1977, os trabalhos realizados contaram de consolidação e ligeira reparação das muralhas, alteadas e recriadas em alguns trechos, sem que tenha havido descaracterização do monumento.

Nos últimos anos, diversos programas de beneficiação foram elaborados, inclusive pela Câmara Municipal de Aljezur, aguardando-se a sua inclusão no Projeto das Rotas Árabes, do Ministério da Cultura, em colaboração com o Campo Arqueológico de Mértola.

Características[editar | editar código-fonte]

Castelo de Aljezur, Portugal: torre de planta retangular.

O castelo apresenta planta poligonal orgânica, sendo os seus muros rasgados, a Leste, pelo portão de entrada, defendido por um torreão de planta circular. Pelo lado do Oeste, foi edificada uma torre de planta retangular. Na praça de armas encontra-se uma cisterna (algibe), de planta retangular, coberta por abóbada.

Os silos postos a descoberto pela pesquisa arqueológica, foram escavados na rocha. Correspondentes ao período de ocupação cristã, ao longo e encostados às muralhas, foram identificados vestígios de compartimentos de planta rectangular e trapezoidal, que teriam constituído um provável aquartelamento de tropas.

A lenda de Mareares[editar | editar código-fonte]

Uma tradição local inscreve no terreno da lenda o episódio da conquista do castelo pelos cristãos:

Consciente da posição privilegiada do castelo e da cerrada vigilância mantida pelos mouros, D. Paio Peres Correia, despachou alguns batedores portugueses a sondar o terreno e os hábitos das gentes da povoação, a fim de delinear o seu plano de assalto. Em campo, estes conseguiram aliciar uma moura de rara beleza, Maria Aires, que lhes informou a prática de um antigo costume dos habitantes da região, de se banharem na praia da Amoreira na madrugada do dia 24 de Junho.

De posse desse dado, o D. Paio dispôs os seus homens de modo a que, na noite de 23 para 24 daquele mês, se ocultassem no vale vizinho ao castelo, hoje conhecido como vale de D. Sancho, certamente em homenagem ao soberano à época, Sancho II de Portugal. Camuflados com a vegetação, aguardaram o movimento dos mouros rumo à praia, na madrugada. Tão logo este se iniciou, os cristãos, ainda a coberto pela escuridão, encetaram a aproximação final para o assalto à povoação e castelo desguarnecidos. Neste momento, uma menina, neta de uma velha que havia ficado para trás na povoação, percebendo a movimentação incomum fora de portas, correu a avisar a avó que as moitas estavam a andar. A velha senhora explicava à neta os efeitos da brisa sobre a vegetação quando de surpresa os cristãos irromperam pelas portas, dominando a senhora que ainda intentou dar o alarme, fazendo soar um sino na torre da cisterna. Senhores do terreno, os portugueses deram então o alarme, atraindo os defensores para uma armadilha mortal, no interior do recinto.

Com a povoação conquistada para as armas de Portugal, D. Paio, afirma-se que sensibilizado pelos encantos da bela Maria Aires, poupou-lhe a vida e a honra, fazendo-lhe erguer uma casa em local próximo da povoação que ainda hoje, em sua memória, se chama Mareares.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Imagens e media no Commons
Commons Categoria no Commons