Castelo de Santo Antón

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Castelo de Santo Antón
Vista do Castelo de Santo Antón
Estilo dominante Renascimento[1]
Neoclássico[2]
Geografia
País Espanha
Cidade A Corunha

O castelo de Santo Antón é um castelo construído no século XVI[3] que fazia parte, junto com o Castelo de Santa Cruz (em Liáns) e o Castelo de San Diego (em Oza, hoje desaparecido), duma rede estratégica de castelos e baterias para a defesa da cidade da Corunha.[4] Foi declarado Monumento Histórico Artístico em 1949[5] e desde o ano 1994 passou a ter o estatuto de Ben de Interese Cultural na categoria de monumento. Desde a sua inauguração no ano 1968 acolhe o Museu arqueológico e histórico da Corunha.[3]

História[editar | editar código-fonte]

No espaço hoje ocupado pelo castelo, e que era um ilhote próximo ao porto da Corunha, havia a finais da Idade Média uma capela dedicada a Santo Antão e nela isolavam-se os navegadores que tinham o mal conhecido como lume de Santo Antón (ergotismo), sendo também utilizado depois como lazareto.[6]

Precedentes[editar | editar código-fonte]

Outra vista do castelo.

Na visita à Corunha de Carlos V de 14 de abril de 1520, o Consello da cidade comunicou-lhe a necessidade existente de contar com uma boa defesa para resistir ao ataque de barcos ingleses e co objetivo de obter a permissão para a construção duma Casa da Contratação, pedido que fora feito pela nobreza e clero galego nesse mesmo ano, já que desde 1503 o comércio com a América estava centralizado na Casa de Contratação de Sevilha.

Com o regresso da expedição de Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano em setembro de 1522, o Consello da Corunha fez chegar um memorando ao emperador Carlos V, solicitando que o seu porto fosse a base comercial do novo caminho aberto.

Finalmente o imperador concedeu a Casa de Contratação à cidade galega a 22 de dezembro de 1522,[7] facilitando o comércio com o norte da Europa.

Construção[editar | editar código-fonte]

Entrada do castelo.

No ano de 1528 escolheu-se a ilha de Santo Antón como lugar para a construção duma fortaleza.[8] Nesse ano receberam-se na Corunha carta e previsões reais, nas quais o imperador mandava que se levanta-se uma fortificação.[9]

O engenheiro Fratín, inspecto de fortificações de Felipe I, referendou o lugar em 1581[10] e o rei autorizou a sua construção, que foi accionada pelo professor da Real Academia de Matemáticas, o engenheiro alferes Pedro Rodríguez Muñiz, que estava na Galiza ao serviço do capitão-general marquês de Cerralbo.[8]

A obra começou em 1587, tal e como indica uma inscrição situado dentro do escudo do marquês de Cerralbo da portada da fortaleza.[11]

Algibe no interior.

Desenhou um modelo italiano adaptado a uma ilha. Algum documento fala do uso para a construção de perpianhos da escada exterior estragada da Torre de Hércules.[8] A pedra da antiga muralha da cidade também foi utilizada para a sua construção.

Em 1590 o rei Felipe I ordenou ao seu arquitecto Tiburcio Spinochio que continuasse e findasse as obras do castelo que foram interrompidas pelo ataque de Francis Drake.[6] Deste jeito remataram nesse mesmo ano as obras, com a construção dos alojamentos para as tropas, o algibe e a torre que defende a porta.

A sua construção prolongou-se desde o século XVI a boa parte do XVII, períodos durante os quais a cidade viu partir a Armada Invencível, teve de enfrentar os ataques ingleses (Drake em maio de 1589) e ao assédio da frota do arcebispo de Bordéus em 1639.

Batalhas[editar | editar código-fonte]

Uma das peças de artilharia.

Durante o ataque de Francis Drake à cidade foram duas companhias de soldados e várias peças de artilharia as que defenderam com eficácia o flanco sul da Cidade Velha desde o castelo sem minguar.

Em 1639 a frota do arcebispo de Bordéus atacou a cidade. O fogo cruzado da artilharia deste castelo e a do desaparecido de San Diego teve um papel importante na defesa.[6]

Lazareto e cadeia[editar | editar código-fonte]

Dos séculos XVI ao XVIII foi um edifício defensivo e cadeia, e mais tarde foi empregado como lazareto para isolar os marinheiros que chegavam à cidade afectados por alguma doença infecciosa.[12]

Reformas do século XVIII[editar | editar código-fonte]

A fortaleza sofreu reformas importantes desde 1777 para instalar nela o Corpo de Engenheiros do Exército, reformas nas que quais construiram-se uma bateria baixa, um pequeno porto, uma capelas, ameias e a casa do governador. Estas reformas foram necessárias por causa do castelo ter ficado obsoleto defensivamente porque os navios do século XVIII eram mais alto do que o castelo, pelo que as plataformas deste ficavam desprotegidas.

Plataforma do castelo.

Desde começos do século XVIII até ao século XX foi usado como cadeia. Durante esses anos por aquela prisão passaram reclusos célebres como o marechal de campo Juan Díaz Porlier; o tenente-general Antonio de Villaroel em 1716; Alessandro Malaspina desde 1786 até 1803; Melchor de Macanaz (ministro de Felipe V da Espanha) durante quatorze anos e Pedro de Macanaz (ministro de Fernando VII e neto do anterior) em 1822.[14]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Nos anos 40 deste século a ilha uniu-se à terra miante uma prolongação do molhe das Ánimas.

Em 1960 foi cedido pelo Ministério do Exército ao concelho da Corunha, para albergar um museu que, depois da realização de obras de reforma desde 1964 dirigidas por Pons Sorolla, abriu as suas portas em 1968. Em 1975 foi nomeado director Felipe Senén López.[15]

A temática do espaço do museu é a arqueologia e acolhe peças de ourivesaria proto-histórica, do megalitismo, da Idade de Bronze na Galiza, da cultura castreja, da romanização da Galiza e outras relacionadas com a cidade.[12]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Entrada do castelo com os escudos.

É uma fortaleza construída no século XVI na entrada da baía da Corunha.[16] Os seus predecessores formais topam-se nos castelos italianos de começos do século XVI, construídos por engenheiros às ordens de Carlos V, e co Castelo de Sant'Elmo em Nápoles como um dos exemplos mais achegados.[8]

Tem uma estrutura alongada, adaptando-se ao promontório, com a entrada orientada ao porto.

A entrada está defendida por santa-bárbaras escavadas na rocha. No seu portaló situam-se os brasões do Império com o Vélaro de Ouro do governador marquês de Cerralbo e o da Inquisição.

Pátio d'armas.

Cruzando a entrada chega-se a um pátio d'armas protegido por cortinas abobadas laterias, e onde situam-se as casamatas que acolhem achados arqueológicos da província.

À parte alta accede-se por uma rampa. Neste lugar, à esquerda situa-se o accesso ao algibe, lugar no qual a água é recolhidas de chuva por meio dum sistema de canalização. Também topa-se aqui poço, que accede directamente ao algibe. O extremo orientado para a ribeira estructura-se numa plataforma estrelada para a colocação da artilharia,[16] onde conservam-se canhões da época e as guaritas.

A Casa do Governador é produto das reformas de finais do século XVIII e obra do engenheiro Antonio López Sopeña,[13] que desenhou um palacete de estilo neoclássico. Composto por duas plantas, a inferior era a destinada a servir de quartel e a superior estava dividida entre duas vivendas e a capela dedicada à Virgem do Rosário, patroa da cidade. À coberta do edifício tem-se accesso através duma estreita escada de caracol.[6]

Galeria de imagens[editar | editar código-fonte]

A Borna, reconstrução dum barco da Idade de Ferro
Contorna
Sinalização trilingue. 
Cruzeiro. 
Forticação. 

Referências

  1. Molina, César Antonio. Viaje a la Costa da Morte (em es). [S.l.]: Huerga Y Fierro Editores. ISBN 9788483743904
  2. «Ficha n.º 17 do Plan Xeral de Ordenación Municipal de 1998 da cidade da Coruña.» (PDF). Plan Xeral de Ordenación Municipal de 1998 da cidade da Coruña. Concello de A Coruña. Consultado em 2016-28-10 
  3. a b "Museo Arqueolóxico - Castelo de San Antón". Cultura Coruña.
  4. Sarmiento, Martín. Viaje a Galicia (1745) (em es). [S.l.]: Universidad de Salamanca. ISBN 9788460018780
  5. «Decreto de 22 de abril de 1949 sobre a proteção dos castelos espanhóis.» (PDF). DECRETO de 22 de abril de 1949 sobre protección de los castillos españoles. Boletín Oficial del Estado. 1949-22-04. Consultado em 2016-28-10 
  6. a b c d «Castillo de San Antón - CastillosNet». www.castillosnet.org. Consultado em 2016-10-28 
  7. Martínez, Ricardo Cerezo. La cartografía náutica española en los siglos XIV, XV y XVI (em es). [S.l.]: Editorial CSIC - CSIC Press. ISBN 9788400074005
  8. a b c d Ramón et ali., José. Soraluce Blond, José Ramón. Guía da Arquitectura Galega (1999). ISBN 84-8288-186-8.. [S.l.]: Galaxia, 1999. Página visitada em 2016-28-10.
  9. El museo universal: periódico de ciencias, literatura, artes, industria y conocimientos útiles (em es). [S.l.: s.n.].
  10. Riveira Bullón, Adelaida. «Reconstrucción infográfica y volumétrica de las etapas constructivas del Castillo de San Antón (2013)» (PDF). Reconstrucción infográfica y volumétrica de las etapas constructivas del Castillo de San Antón. Universidade da Coruña. Consultado em 2016-28-10 
  11. «Fundación Barrié». www.fundacionbarrie.org. Consultado em 2016-10-28 
  12. a b «Antigua fortaleza y prisión, ofrece un recorrido por la prehistoria, los castros y la época romana.». www.turismocoruna.com. Consultado em 2016-10-28 
  13. a b Plano del Castillo de S.n Anton de la Plaza de la Coruña con el Proyecto que se propone executar para aloxar dentro de el la Tropa que le guarnece: Acer la capilla, Avitacion para el Governador y Capellán Arquivo Xeral de Simancas.
  14. El museo universal: periódico de ciencias, literatura, artes, industria y conocimientos útiles (em es). [S.l.: s.n.].
  15. Naya Pérez, Juan et al.: artigo "Coruña, A", en Gran Enciclopedia Galega Silverio Cañada': A partir de 1975 ... empezaron os trámites para reinicia-las tarefas de limpeza e revisión dos traballos de investigación, materiais, estruturas, planimetría..
  16. a b «GALICIA - CASTLE, TOWER, FORTRESS CASTELO DE SAN ANTÓN IN A CORUÑA A CORUÑA». Turgalicia (em inglês). 2014-05-28. Consultado em 2016-10-28 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cegarra Martínez, Basilio. III. Guía e rutas da arte. A Coruña. Vigo:. [S.l.]: Galaxia, 1999. 61 p. ISBN 84-8288-326-7
  • Riveira Bullón, Adelaida. Reconstrucción infográfica y volumétrica de las etapas constructivas del Castillo de San Antón. [S.l.]: Universidade da Coruña, 2013.
  • Villasante Prieto, Juan A.. Historia y tipología arquitectónica de las defensas de Galicia. Edicións do Castro.. [S.l.]: Edicións do Castro, 1984.
  • Ramón et ali.. O Castelo de San Antón. Monografías nº1. Museo Arqueolóxico e Histórico da Coruña.. [S.l.: s.n.], 1985.
  • Ramón et ali.. Castillos y fortificaciones de Galicia: La arquitectura militar de los siglos XVI-XVIII.. [S.l.]: Fundación Barrié, 1985.
  • Ramón et ali.. Guía da Arquitectura Galega. [S.l.]: Galaxia, 1999. 93-95 p. ISBN 84-8288-186-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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