Caxias (Oeiras)

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 Portugal Caxias  
—  Freguesia  —
Panorâmica de Caxias ao entardecer com Forte de São Lourenço do Bugio ao fundo
Panorâmica de Caxias ao entardecer com Forte de São Lourenço do Bugio ao fundo
Caxias está localizado em: Portugal Continental
Caxias
Localização de Caxias em Portugal
Coordenadas 38° 42' N 9° 17' O
País  Portugal
Concelho OER.png Oeiras
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 3,41 km²
População (2011)
 - Total 9 007
    • Densidade 2 641,3/km2 
Código postal 2780
Orago Nossa Senhora das Dores
Sítio http://www.jf-caxias.pt

Caxias é uma freguesia portuguesa do concelho de Oeiras, com 3,41 km² de área e 9 007 habitantes (2011). Densidade: 2641,3 hab/km².

É um complexo cultural e paisagístico que cresceu sobre a propriedade da família Real em Oeiras. Emanado a sofisticada vida social do século XVIII, a Quinta Real de Caxias encontra-se apenas a aproximadamente 200 metros da Praia de Caxias. A vegetação verdejante caracteriza o ambiente destas ruas. A própria Estação de Caxias está envolvida por um dos jardins.

História[editar | editar código-fonte]

No início havia sido doada uma quinta por Dona Simoa Godinho em 1594 para a construção de um convento, junto às margens da Ribeira de Barcarena, a meia légua para nordeste do povoado de Oeiras. Quatro anos mais tarde, D. Filipe II obteve do Papa a licença para atribui-lo aos Frades Cartuxos de S. Bruno. No momento da construção desse convento quase nada havia em redor daquele despovoado, praticamente desconhecido até à ocupação dos seus novos habitantes. O isolamento da propriedade era real, um ambiente de completo retiro. Estavam entregues a uma paz celestial. Sabe-se que este templo primitivo tinha três arcos em cada ala. Já no início do século XVII o convento é ampliado para oeste, mas a conclusão desta obra iria demorar mais de 100 anos. No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa é erguido na praia o Forte de S. Bruno por determinação de D. João IV , estando concluído em 1647.

Em 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia Laveiras, onde referia a existência de uma ermida de Santo António, por onde passava um rio pelo meio, cuja ponte tinha um só arco, onde se situava o Forte de São Bruno, e da parte do Nascente ficava o Convento dos Cartuxos. As obras do Convento da Cartuxa de Laveiras só ficariam concluídas em 1736.

No inicio do século XVIII, em terrenos de antigas quintas a sul do Convento da Cartuxa, o filho de D. Pedro II, Infante D. Francisco, mandou edificar uma sofisticada Quinta de Recreio com um pequeno palácio de veraneio, a poucos quilómetros do Palácio de Queluz. Também apelidado de Palácio dos Infantes, apesar da simplicidade para um palácio real, é o único paço real à beira mar plantado. Mas sem dúvida que é o grandioso jardim, inspirado no seu congénere de Versailles, que torna esta quinta única. As obras só viriam a ser concluídas em 1832 e D. Francisco morreu antes de conseguir usufruir da quinta.

Em 1759 é constituído o concelho de Oeiras pelo rei D. José I, e é o seu irmão D. Pedro III (que virá a ser rei-consorte ao casar com D. Maria I, sua sobrinha) que irá continuar a obra, começada por D. Francisco. Durante esta época é erguida a Capela de Nossa Senhora das Dores em Laveiras, construída pelo povo e patrocinada pela Casa Real. Já no século XIX, já D. Pedro III tinha falecido, a rainha D. Maria I sua esposa torna a Quinta Real de Caxias em residência real estival. Posteriormente usufruída por D. João VI, D. Miguel l, D. Maria II e D. Fernando II Saxe-Coburgo-Gotha (rei-consorte de D. Maria II) que continuaram as suas obras. D. Luís I usou o palácio como residência durante algumas semanas, antes de se estabelecer no Palácio da Ajuda. E mais tarde mandou erguer o Forte-prisão de Caxias (Forte Rei D. Luís), porque depois das Invasões Francesas e da Guerra Civil teria decidido construir o Campo Entrincheirado de Lisboa. A obras de fortificação de Lisboa e a exploração das pedreiras atraem muitos operários que contribuem para a junção do carácter saloio a Caxias, concentrando-se principalmente nos povoados de Laveiras e Murganhal.

No século XX, o Convento da Cartuxa começa a albergar as instalações do Instituto Padre António de Oliveira. A elite portuguesa começa a instalar-se em torno na Quinta Real de Caxias, nas encostas do vale e junto à praia. Forma-se a 1929 uma nova freguesia da qual toda a região passa a fazer parte, a freguesia de Paço de Arcos. Com a implantação do Estado Novo Português, o reduto sul do Forte de D. Luís passou a ser utilizado como prisão política em 1935, tendo-se destacado como a que maior número de presos políticos acolheu até à sua desativação com a Revolução dos Cravos (1974). Caxias preservou algumas qualidades específicas ao ser dos lugares menos afetados pela pressão urbana sobre Oeiras nas décadas de 50, 60 e 70.

Juntamente com todos os planeamentos que surgem na década de 80, em 1985 é celebrado protocolo entre o Estado-Maior do Exército e a Câmara Municipal de Oeiras que procedeu à recuperação, manutenção e reutilização do jardim e cascata. Nesta década inicia-se a estratégia municipal de implementar infra-estruturas e habitação social, evidenciando uma população mais heterogénea. Caxias foi elevada a vila a 24 de Julho de 1997, ao que se seguiu a criação da freguesia de Caxias, uma divisão administrativa separada de Paço de Arcos que viria a ter a efémera duração de 12 anos, de 12 de Junho de 2001 a 2013.

É no século XXI que Caxias começa a revelar o seu potencial atrativo, com praia, cultura, desporto e negócios. Apesar de muito diferente da época em que era retiro dos monges, preservou ainda um carácter tranquilo com um forte protagonismo ambiental. É devido à recuperação do espaço urbano e da praia que tem havido a nova atratividade pela região. Em 2016 será concluída a Cidade do Futebol no Alto da Boa Viagem. Está também prevista a integração de Caxias na criação de um grande parque urbano que se prolongue pela Ribeira de Barcarena até à Fábrica da Pólvora, e a finalização do Passeio Marítimo de Oeiras.

Património Edificado[editar | editar código-fonte]

Espaços Públicos[editar | editar código-fonte]

  • Praia de Caxias
  • Jardim das Palmeiras

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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