Centro (Ipatinga)
Centro | |
|---|---|
| Bairro | |
| Localização | |
| Mapa de Centro | |
| Coordenadas | 19° 28′ 42,3″ S, 42° 31′ 37,1″ O |
| Unidade federativa | |
| Região administrativa | Regional IV |
| Distrito | Sede |
| Município | Ipatinga |
| Características geográficas | |
| Área total [1] | 0,2 km² |
| População total (2022[2]) | 1 825 hab. |
Centro é um bairro do município brasileiro de Ipatinga, no interior do estado de Minas Gerais. Localiza-se no distrito-sede, estando situado na Regional IV.[1] Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população era de 1 825 habitantes[2] e havia 841 domicílios particulares permanentes ocupados.[3] Possui área de 0,2 km² conforme a prefeitura,[1] o que inclui a Região Administrativa da cidade.
De acordo com o IBGE, em 2010 a população era de 2 777 habitantes[4] e havia 893 domicílios particulares.[5]
História
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A área do atual Centro de Ipatinga começou a ser povoada após a construção da Estação Pedra Mole na década de 1920. O povoamento se desenvolveu ao redor de uma rua principal, a Rua do Comércio (atual Avenida 28 de Abril), perto da margem do ribeirão Ipanema.[6][7] Por volta de 1930 o traçado da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) foi alterado para mais perto do povoado. Neste ano foi construída a segunda estação ferroviária de Ipatinga, em substituição à antiga Estação Pedra Mole.[8]
Posteriormente, com a instalação da Usiminas em uma área vizinha, houve um súbito crescimento populacional na localidade iniciado na década de 1950.[6] A implantação da siderúrgica deu início a um contexto de progresso econômico em Ipatinga, que atraía moradores de outras cidades.[9] Dessa forma, em contraste com o conjunto de bairros planejados que foram construídos pela empresa nas proximidades, no Centro antigo foram multiplicadas as ocupações irregulares e improvisadas, carentes de infraestrutura básica e de acesso a serviços como água potável e energia elétrica, habitadas sobretudo por aqueles que não conseguiam emprego na indústria.[7][10] O movimento comercial, por sua vez, foi intensificado pela construção da usina, mas era limitado pela falta de estrutura.[11]
A malha urbana do Centro de Ipatinga se consolidou com ruas e calçadas estreitas e poucas áreas verdes, sob efeito da ocupação sem planejamento.[12] Com o esgotamento de espaços públicos livres, surgiu a primeira favela de Ipatinga em uma área na margem do ribeirão Ipanema, na Rua São José, popularmente conhecida como "Rua do Buraco", que era frequentemente atingida por enchentes.[13] Na década de 1960, houve uma nova alteração do traçado da Estrada de Ferro Vitória a Minas e a ferrovia foi transferida para fora do bairro.[8] Ipatinga se emancipou de Coronel Fabriciano em 1964, quando as ruas principais do Centro começaram a ser reestruturadas.[11] Entre as décadas de 1960 e 70 a administração pública executou a pavimentação de vias e começou a implementar redes de esgoto.[14]
Na década de 1990, o Centro de Ipatinga passou por um processo de reurbanização com o projeto do "Novo Centro", financiado pelo Banco Mundial,[15] com sua inauguração em 27 de abril de 1997. Além de revitalizar a região central, a antiga Rua do Buraco foi desapropriada e cedeu espaço a uma área livre de ocupações com equipamentos de lazer.[8][13] Neste local foi construída a Estação Pouso de Água Limpa, de onde partia o trem da Estrada de Ferro Caminho das Águas, uma ferrovia turística de 2,6 km que integra o Novo Centro ao Parque Ipanema pela margem do ribeirão Ipanema.[16] As famílias que foram desapropriadas, por seu turno, foram transferidas para o bairro Planalto II, construído para esse fim ao lado do Veneza.[17] Já na década de 2000, o Centro se consolidou como uma área predominantemente comercial. Com isso, a população começou a se reduzir, sendo comum que casas cedessem espaço a edifícios de uso misto com até três pavimentos.[18]
Descrição
[editar | editar código]O Centro de Ipatinga está situado entre a Avenida Cláudio Moura,[19] trecho urbano da BR-458,[20] e o ribeirão Ipanema.[19] Corresponde ao centro administrativo do município, como também importante polo comercial. Na Praça dos Três Poderes estão situadas as sedes da prefeitura, inaugurada em 29 de janeiro de 1977,[21] e da Câmara Municipal,[22] inaugurada em 2004,[23] e o Fórum da Comarca de Ipatinga.[24] Devido à importância como núcleo comercial, a movimentação de veículos e pessoas é constante. Esse fluxo intenso, associado ao fato das ruas e calçadas serem estreitas, dá origem a frequentes congestionativos de trânsito.[25]
No Centro de Ipatinga está localizado o terminal rodoviário da cidade, além de ser para onde se convergem a maioria das linhas de ônibus do transporte público coletivo urbano.[26] Da Estrada de Ferro Vitória a Minas foram preservados o Pontilhão de Ferro na divisa com o bairro Veneza e a Antiga Estação Ferroviária de Ipatinga, construída em 1930 e desativada na década de 1960, com a alteração do trajeto da via férrea. A velha estação foi transformada em museu em 1993, denominado "Estação Memória Zeza Souto" desde 2006. Essas construções foram tombadas como patrimônio cultural do município.[8]
Outros pontos de referência do Centro de Ipatinga são as praças da Bíblia, Sermão da Montanha (na margem do ribeirão Ipanema)[19] e dos Pioneiros (antiga Praça 1º de Maio).[27] O Centro sedia a Paróquia Cristo Rei, que também possui comunidades em bairros próximos e está subordinada à Diocese de Itabira-Fabriciano. Foi a segunda paróquia de Ipatinga, desmembrada da Paróquia Nossa Senhora da Esperança do Horto em 1963.[28] Segundo o IBGE, o bairro possui uma área considerada como favela e comunidade urbana,[29] denominada Cemitério Velho, que tinha 326 habitantes em 2022.[30]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ a b c Secretaria Municipal de Educação (2010). «Conhecendo o município de Ipatinga». Prefeitura. Consultado em 16 de julho de 2012. Arquivado do original em 7 de novembro de 2017
- ↑ a b Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2022). «Tabela 9923 - População residente, por situação do domicílio - Bairro». Consultado em 10 de março de 2025. Cópia arquivada em 10 de março de 2025
- ↑ Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2022). «Tabela 9922 - Domicílios particulares permanentes ocupados - Bairro». Consultado em 10 de março de 2025. Cópia arquivada em 10 de março de 2025
- ↑ Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (31 de dezembro de 2010). «Tabela 202 - População residente por sexo e situação do domicílio». Consultado em 15 de julho de 2016. Cópia arquivada em 15 de julho de 2016
- ↑ Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (31 de dezembro de 2010). «Tabela 185 - Domicílios particulares permanentes por situação e número de moradores». Consultado em 15 de julho de 2016. Cópia arquivada em 15 de julho de 2016
- ↑ a b Dias 2011, p. 102–106
- ↑ a b Revista Ipatinga Cidade Jardim. «Centro». Eu Amo Ipatinga. Consultado em 15 de julho de 2016. Cópia arquivada em 15 de julho de 2016
- ↑ a b c d Arquitetura OG (2020). «Patrimônio Cultural» (PDF). Prefeitura: 28–35. Consultado em 10 de março de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 15 de julho de 2023
- ↑ Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste) (agosto de 2014). «Região Metropolitana do Vale do Aço - diagnóstico final (volume 1)» (PDF). Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI). 1: 94–99. Consultado em 26 de abril de 2025. Arquivado do original (PDF) em 3 de março de 2016
- ↑ Beltrame 2010, p. 113–115
- ↑ a b Revista Ipatinga Cidade Jardim. «Avenida 28 de Abril». Eu Amo Ipatinga. Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2014
- ↑ Santos 2021, p. 66
- ↑ a b Dias 2011, p. 125–127
- ↑ Sampaio 2008, p. 49–50
- ↑ Sampaio 2008, p. 69
- ↑ Prefeitura (27 de julho de 2018). «4.7 - Complexo Turístico Estação Pouso de Água Limpa» (PDF). Diário Oficial de Ipatinga (1717): 17–20. Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 4 de novembro de 2019
- ↑ Prefeitura. «Novo Centro». Consultado em 26 de abril de 2025. Arquivado do original em 22 de dezembro de 2002
- ↑ Dias 2011, p. 113–114
- ↑ a b c Prefeitura. «Mapa Centro» (PDF). Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (3 de julho de 2022). «Tire o pé do acelerador ou leve multa». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (6 de maio de 2017). «Sob risco de interdição, prefeitura de Ipatinga poderá ser transferida». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (1 de setembro de 2023). «Reforma da Câmara Municipal de Ipatinga deve custar R$ 30 milhões». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (25 de janeiro de 2018). «Restauração e pintura externa do prédio da Câmara de Ipatinga são concluídas». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (27 de dezembro de 2018). «Sancionada lei que garante ampliação do Fórum de Ipatinga». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Santos 2021, p. 152
- ↑ Jornal Diário do Aço (9 de outubro de 2011). «Estudo mostra 120 mil viagens diárias no sistema de transporte». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Jornal Diário do Aço (13 de dezembro de 2024). «Praça 1º de maio é entregue revitalizada no Centro de Ipatinga». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Diocese de Itabira-Fabriciano. «Paróquia Cristo Rei». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2025
- ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (21 de dezembro de 2011). «Aglomerados subnormais - População residente». Consultado em 26 de abril de 2025
- ↑ Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2022). «Tabela 9884 - População residente em favelas e comunidades urbanas, por cor ou raça, sexo e grupos de idade, segundo as Favelas e Comunidades Urbanas». Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 18 de abril de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- Beltrame, Gabriella Caroline Rodrigues (2010). «Cidade mercadoria: retenção imobiliária especulativa em Ipatinga-MG» (PDF). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 18 de abril de 2025
- Dias, Fabiana Correia (março de 2011). «O tratamento dos espaços livres em uma cidade média planejada: o caso de Ipatinga/MG» (PDF). Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Consultado em 26 de abril de 2025. Arquivado do original (PDF) em 3 de junho de 2016
- Sampaio, Aparecida Pires (abril de 2008). «A produção social do espaço urbano de Ipatinga-MG: da luta sindical à luta urbana» (PDF). Universidade Candido Mendes (UCAM). Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 26 de abril de 2025
- Santos, Marcela Peixoto (maio de 2021). «Expansão urbana em Ipatinga - MG: estudo a partir da abordagem histórico-geográfica e da teoria da sintaxe espacial». Universidade Federal de Viçosa (UFV). Consultado em 26 de abril de 2025. Cópia arquivada em 18 de abril de 2025
Ligações externas
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