Centro de Informações do Exército

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Parecer do CIE sobre a peça Calabar: o Elogio da Traição, datado de 22 de outubro de 1973

O Centro de Informações do Exército (CIE) foi um serviço de inteligência do governo brasileiro durante o regime militar, criado por meio do Decreto nº 60.664, de 2 de maio de 1967. Foi o órgão a propor a maior quantidade de censuras a material considerado subversivo pela ditadura e responsável por grande parte da estrutura da máquina de repressão do governo, tendo torturado centenas de cidadãos brasileiros.

História[editar | editar código-fonte]

Fase embrionária[editar | editar código-fonte]

Antes mesmo de se tornar presidente, o Marechal Costa e Silva clamava a necessidade de se criar um serviço secreto mais agressivo que o Serviço Nacional de Informações. Queria que o novo órgão não se restringisse a coleta de informação, mas tivesse também privilégios de polícia. O novo serviço coexistiria com o SNI e seria estruturado a partir do antigo Serviço de Informações do Exército chamado de 2ª Seção.

Os anseios do Marechal Costa e Silva foram barrados pelo Presidente Castello Branco que fazia parte do grupo mais brando de militares apelidado de Sorbonne, ao contrário de Silva, integrante da linha dura do regime militar.

A criação do CIE foi barrada enquanto durou o governo de Castelo Branco. Mas quando Costa e Silva assumiu a presidência por pressão da linha dura a criação do serviço foi sua prioridade.

Governo Costa e Silva[editar | editar código-fonte]

Dois meses depois da posse de Costa e Silva o CIE foi inaugurado em julho de 1967.

O presidente nomeou para primeiro diretor do CIE o coronel Adyr Fiúza de Castro. Quando de sua nomeação já ocupava um cargo de um serviço de inteligência do Exército; o D2 onde era encarregado de monitorar "subversivos".

A especialidade do CIE nesse começo de função era infiltrar agentes em movimentos estudantis, sindicais ou qualquer outro de fundo liberal. Os agentes eram treinados para parecerem apoiar legitimamente a esquerda e suas verdadeiras intenções eram conhecidas por pouquíssimas pessoas dentro das Forças Armadas. Por conta disso, várias vezes sargentos a serviço do CIE eram presos pela polícia e liberados só depois de revelar uma senha combinada com os superiores.

Além de agir usando seu próprio pessoal, o CIE também patrocinou um grupo radical de direita conhecido como Grupo Secreto. Estes terroristas plantavam bombas em lugares considerados focos da esquerda, geralmente teatros e faculdades. O CIE lhes fornecia os explosivos e assessoria estratégica. Quando um integrante do Grupo era preso o CIE, o SNI ou um membro da própria polícia providenciava sua soltura.

Governo Médici[editar | editar código-fonte]

As prerrogativas do CIE foram reforçadas com a subida de Emílio Garrastazu Médici à presidência. Durante o governo Costa e Silva, Médici dirigia o SNI, o outro braço do serviço secreto da ditadura.

Foi nesse época que o CIE, agora sob o comando do coronel Milton Tavares de Sousa, se tornou o órgão que mais propôs censuras à televisão e imprensa escrita. Um dos jornais que vigiou ativamente foi o Opinião que contava com colaboradores como Fernando Henrique Cardoso e Millôr Fernandes. A intenção original do CIE era de que o jornal fosse não só censurado mas proibido de circular. No entanto, não conseguiu que isso fosse feito.

Durante o mandato de Médici o CIE conseguiu se infiltrar numa das maiores guerrilhas antirregime, a Ação Popular através do ex-militante Gilberto Prata. Prata foi levado a colaborar por chantagem; caso não voltasse a fazer parte da AP e suprisse o CIE de informações, ele, sua esposa e sua irmã mais nova seriam presos. Também foi pago em troca das informações.

O CIE trocava informações com a CIA constantemente. Foi assim que ficou sabendo do treinamento que o Grupo Primavera estava fazendo em Cuba. O Grupo Primavera - guerrilha que ficou conhecida depois como Grupo da Ilha - recebeu um treinamento paramilitar básico do governo cubano para em seguida voltar para o Brasil para tentar iniciar um foco de revolução. Infelizmente para eles, um dos instrutores era um informante da CIA que informou ao Centro de Informações do Exército a data em que os guerrilheiros pretendiam voltar ao Brasil. A maioria dos rebeldes do Grupo Primavera foi morta assim que chegou ao Brasil. Um dos poucos sobreviventes foi o ex-deputado José Dirceu, condenado em 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal 470, pelo crime de corrupção ativa.[1]

Governo Itamar Franco[editar | editar código-fonte]

Por Decreto de 23 de dezembro de 1992, foi alterada, a partir de 1° de janeiro de 1993, a denominação do Centro de Informações do Exército (CIE) para Centro de Inteligência do Exército (CIE), vinculando-o tecnicamente ao Estado-Maior do Exército.