Centro de Informações do Exército

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Parecer do CIE sobre a peça Calabar: o Elogio da Traição, datado de 22 de outubro de 1973

O Centro de Informações do Exército (CIE, mais conhecido como CiEx [1][2][3]) era a denominação de um dos serviços de inteligência do governo brasileiro, renomeado como Centro de Inteligência do Exército, a partir de 1993. Criado por meio do Decreto nº 60.664, de 2 de maio de 1967,[4] o CIE foi parte importante do aparato repressivo do Estado brasileiro, durante o regime militar (19641985).

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes mesmo de se tornar presidente, o Marechal Costa e Silva apontava a necessidade de se criar um serviço secreto mais agressivo que o Serviço Nacional de Informações. Queria que o novo órgão não se restringisse à coleta de informação, mas tivesse também privilégios de polícia. O novo serviço coexistiria com o SNI e seria estruturado a partir do antigo Serviço de Informações do Exército, chamado de 2ª Seção.

Os anseios do Marechal Costa e Silva foram barrados pelo Presidente Castello Branco, que fazia parte do grupo mais brando de militares apelidado de Sorbonne, ao contrário de Silva, integrante da linha dura do regime militar.

A criação do CIE foi barrada enquanto durou o governo de Castelo Branco. Mas, quando Costa e Silva assumiu a presidência, a criação do serviço foi sua prioridade.

Governo Costa e Silva[editar | editar código-fonte]

Dois meses depois da posse de Costa e Silva o CIE foi inaugurado, em julho de 1967. O presidente nomeou, para primeiro diretor do órgão, o então coronel Adir Fiúza de Castro,[5] que chefiava a Divisão de Informações (D2) do gabinete do ministro da Guerra, general Aurélio de Lira Tavares. A D2 era encarregada de monitorar indivíduos tidos como subversivos pelo governo militar.

A especialidade do CIE, inicialmente, era infiltrar agentes em movimentos estudantis, sindicais ou qualquer outro não afinado com o regime. Os agentes eram treinados para que parecessem apoiadores da esquerda, e suas verdadeiras intenções eram conhecidas por pouquíssimas pessoas dentro das Forças Armadas. Por conta disso, várias vezes, sargentos a serviço do CIE eram presos pela polícia e liberados só depois de revelar uma senha combinada com os superiores.[carece de fontes?]

Além de agir usando seu próprio pessoal, o CIE também patrocinou um grupo radical de direita conhecido como Grupo Secreto. Estes terroristas plantavam bombas em lugares públicos, considerados focos da esquerda, geralmente teatros e faculdades. O CIE lhes fornecia os explosivos e assessoria estratégica. Quando um integrante do Grupo era preso o CIE, o SNI ou um membro da própria polícia providenciava sua soltura.[carece de fontes?]

Governo Médici[editar | editar código-fonte]

As prerrogativas do CIE foram reforçadas quando Emílio Garrastazu Médici assumiu a presidência. Durante o governo Costa e Silva, Médici dirigia o SNI, o outro braço do serviço secreto da ditadura.

Foi nesse época que o CIE, agora sob o comando do coronel Milton Tavares de Sousa, tornou-se o órgão que mais propôs censuras à televisão e à imprensa escrita. Um dos jornais mais vigiados foi o Opinião que contava com colaboradores como Fernando Henrique Cardoso e Millôr Fernandes. A intenção original do CIE era de que o jornal fosse não só censurado mas proibido de circular, o que, entretanto, não foi feito. [carece de fontes?]

Durante o governo Médici, o CIE conseguiu se infiltrar numa das maiores guerrilhas antirregime, a Ação Popular através do ex-militante Gilberto Prata. Prata foi levado a colaborar mediante chantagem: caso não voltasse a fazer parte da AP, suprindo o CIE de informações, ele, sua esposa e sua irmã mais nova seriam presos. Também foi pago em troca das informações.[carece de fontes?]

O CIE trocava informações com a CIA constantemente. Foi assim que ficou sabendo do treinamento que o Grupo Primavera estava fazendo em Cuba. O Grupo Primavera - guerrilha que ficou conhecida depois como Grupo da Ilha - recebeu um treinamento paramilitar básico do governo cubano para em seguida voltar para o Brasil, a fim de tentar iniciar um foco de revolução. Infelizmente para eles, um dos instrutores era um informante da CIA que informou ao Centro de Informações do Exército a data em que os guerrilheiros pretendiam voltar ao Brasil. A maioria dos rebeldes do Grupo Primavera foi morta assim que chegou ao país.[carece de fontes?] Um dos poucos sobreviventes foi o ex-deputado José Dirceu, condenado em 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, por compra de apoio de parlamentares a propostas de interesse do Executivo, durante o governo Lula - o que foi caracterizado como crime de corrupção ativa.[6]

Governo Itamar Franco[editar | editar código-fonte]

Por decreto de 23 de dezembro de 1992, foi alterada, a partir de 1° de janeiro de 1993, a denominação do Centro de Informações do Exército (CIE) para Centro de Inteligência do Exército (CIE), vinculando-o tecnicamente ao Estado-Maior do Exército.[7]

Referências

  1. Diretoria de Serviço Militar comemora 111 anos de criação. Noticiário do Exército. Exército Brasileiro.
  2. Arquivos das Forças Armadas serão abertos para Comissão da Verdade, diz Amorim. Por Leonencio Nossa. O Estado de S.Paulo, 4 de junho de 2012.
  3. A tropa do extermínio. Documentos e depoimento de oficial revelam como o Exército cercou, torturou camponeses e aniquilou os guerrilheiros do PCdoB no Araguaia. Por Alan Rodrigues. Istoé, 12 de novembro de 2008.
  4. Decreto nº 60.664, de 2 de maio de 1967. Cria o Centro de Informação do Exército e dá outras providências.
  5. FGV-CPDOC. Adir Fiúza de Castro
  6. «José Dirceu é condenado por corrupção ativa pelo Supremo». Estadão. 10 de outubro de 2012 
  7. Decreto de 23 de dezembro de 1992. Altera a denominação do Centro de Informações do Exército, vincula-o tecnicamente ao Estado-Maior do Exército e dá outras providências.