Colégio maior

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Pátio do Colegio Mayor de Santiago el Zebedeo, em Salamanca.

Colegio maior ou colégio universitário é uma instituição universitária espanhola que historicamente oferecia alojamento aos estudantes, mas também atividades culturais, acadêmicas, religiosas ou desportivas. Atualmente, na maioria dos casos, já não têm funções docentes e de pesquisa.

Nas universidades espanholas, desde a Baixa Idade Média na Espanha até fins do século XVIII, um colégio maior (em espanhol, Colegio Mayor) era uma instituição que dava formação universitária de "graus maiores" (licenciatura e doutorado), além de alojamento aos estudantes. Algumas vezes, os colégios universitários eram uma espécie de prolongamento de uma universidade; em outros casos, foram o germe de uma universidade. Em geral eram fundados por mecenas, com uma finalidade muito específica (por exemplo, o Colegio Mayor de Santiago el Zebedeo, em Salamanca foi criado, em 1519, pelo arcebispo de Santiago de Compostela, Alonso de Fonseca, para os estudantes galegos).

Os colégios funcionavam com grande autonomia, e os próprios colegiais encarregavam-se tanto dos aspectos administrativos como econômicos da instituição. Um reitor era escolhido entre eles.

Na Espanha do século XVII hava seis Colegios Mayores: quatro em Salamanca (o Colegio Mayor de San Bartolomé ou Colegio Viejo, criado em 1401);[1] o Colegio Mayor de Cuenca (Salamanca) (1500), o Colegio Mayor de Santiago el Zebedeo ou Colegio Mayor de Fonseca (Salamanca) (1519) e o Colegio Mayor de Oviedo (Salamanca) (1521). Havia um em Valladolid - o Colegio Mayor Santa Cruz criado em 1482 - e outro em Alcalá de Henares - o Colegio Mayor de San Ildefonso (1499).[2]

Havia também os Colégios Menores (ou simplesmente Colegios), que conferiam o grau menor (bachiller), com o qual se podia exercer uma profissão.

Em San Ildefonso, os estudantes bolsistas pensionistas tinham os seus oito anos de estudos (em artes, direito canônico, teologia)) pagos por alguma instituição ou por membros da alta nobreza. Os cursos eram frequentados tanto por estudantes pensionistas (porcionistas), que pagavam por seus estudos e pertenciam à nobreza espanhola, como por estudantes pobres, que frequentemente atuavam como serviçais dos primeiros.[3]

Custeados por membros do alto clero, os colégios eram originalmente destinados aos estudantes que tinham mérito mas eram de origem modesta. Os colégios maiores se afastaram de sua destinação original na medida em que as vagas oferecidas foram sendo monopolizadas pelos filhos da elite política espanhola (a aristocracia e a burocracia letrada), fenômeno que atingiu seu ápice e chegou a uma rigidez total a partir de meados do século XVII.

Num contexto de multiplicação de diplomados e de escassez de funções disponíveis, os burgueses letrados garantiram, por cooptação, o seu acesso a essas escolas de grande prestígio, que se tornaram um trampolim de acesso a carreiras que culminavam nas funções mais elevadas da hierarquia eclesiástica ou dos conselhos e tribunais reais. Mediante um poderoso sistema de clientela e apadrinhamento, os Colegios Mayores tornaram-se então "uma formidável máquina de reprodução dos servidores reais" - pois os cargos da burocracia estatal acabavam por ser transmitidos aos descendentes dos letrados,[4] contribuindo para o controle do aparelho de Estado pelo estamento burocrático. Os letrados representavam 57,9% dos membros do Conselho de Castela sob Filipe III (1578-1598-1621), 68,5 % sob Filipe IV (1605-1621-1665) e 72,5% sob Carlos II (1661-1665-1700).[4]

Os Colegios Mayores foram temporáriamente suprimidos em 1798, mas hoje em dia continuam em funcionamento. Muitos estão sob investigação devido a praxes universitárias de grande violência.

Referências

  1. Vidal y Díaz, Alejandro (1869). Memoria histórica de la Universidad de Salamanca: redactada en virtud de .... [S.l.: s.n.] p. 298 
  2. Lorenzo Arrazola. Enciclopedia española de derecho y administración (tomo IX). Madrid: Imprenta de la Revista de Legislación y Jurisprudencia; 1856. p.694-708.
  3. Michel Cassan (dir), Les sociétés anglaise, espagnole et française au XVIIe, CNED/SEDES, 2007, p. 276
  4. a b Michel Cassan (dir), op.cit., p. 280