Ir para o conteúdo

Emília de Sousa Costa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Emília de Sousa Costa
Nascimento15 de dezembro de 1877
Lamego
Morte7 de junho de 1959
CidadaniaPortugal, Reino de Portugal
Ocupaçãoescritora

Emília da Piedade Teixeira Lopes de Sousa Costa (Almacave, Lamego, 15 de dezembro de 1877Porto, 7 de junho de 1959) foi uma escritora, contista [1] e ativista do feminismo, considerada pioneira da literatura infantil em língua portuguesa. Foi casada com o magistrado e escritor Alberto de Sousa Costa.[2]

Biografia

[editar | editar código]

Nasceu em Almacave, Lamego, filha do coronel Luís Maria Teixeira Lopes (oriundo de São João da Pesqueira) e de Maria do Pilar Pinto Cardoso (de Penajoia, Lamego).

A 5 de outubro de 1904, com vinte e seis anos de idade, casou na sua freguesia natal com o magistrado e escritor Alberto Mário de Sousa e Costa, mais conhecido por Alberto de Sousa Costa (Vila Pouca de Aguiar, 1879 — Porto, 1961), autor dos Grandes dramas judiciários e de muitas outras obras.

Emília de Sousa Costa foi defensora da educação feminina e uma das fundadoras da Caixa de Auxílio a Raparigas Estudantes Pobres. Foi professora na Tutoria Central de Lisboa, uma instituição vocacionada para a assistência a crianças delinquentes ou abandonadas, e pertenceu ao conselho central da Federação Nacional dos Amigos das Crianças.[3]

Como escritora, Emília de Sousa Costa dedicou-se principalmente à escrita de livros infantis. Escreveu também contos e novelas com índole mais diversificada e para públicos adultos.

Em 1925, publicou o seu único diário de viagem, intitulado Como eu vi o Brasil. Como eu vi o Brasil remete-nos para a viagem que a escritora fez ao Brasil, em 1923, cujo itinerário passa Lisboa, Madeira, Cabo Verde, chegando finalmente ao Brasil. Ainda que horrorizada pela pobreza e pelas maleitas que assolam Cabo Verde, Emília de Sousa Costa não deixa de se maravilhar com as paisagens brasileiras e, sobretudo, com a madeirense: "Surge enfim a Madeira, maravilhoso retalho do Éden, que os nossos olhos ávidos espreitam num embevecimento de admiração"[4].

Em 1933 publicou a novela Quem tiver filhas no mundo..., que incluía também vários contos.[5]

A 21 de março de 1934, foi agraciada com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[6]

Em 1935 publicou um livro de contos de carácter histórico, intitulado Lendas de Portugal.[7] A obra inclui um conjunto de vinte e seis curtos contos sobre lendas e narrativas portuguesas.

Em 1947 publicou a segunda edição da obra intitulada No reino do Sol, em colaboração com Ofélia Marques[8], cuja primeira edição havia sido publicada em 1933, com ilustrações de Raquel Roque Gameiro Ottolini. [9]

Emília de Sousa Costa foi uma grande divulgadora da obra dos irmãos Grimm (Jacob Grimm e Wilhelm Grimm) através da adaptação de muitos dos seus contos no idioma português.

Na última fase da sua vida, Emília Sousa Costa e seu marido viveram na casa conhecida por Conventinho de Contumil, onde a autora veio a falecer com oitenta e um anos de idade.

A 5 de outubro de 2010, na comemoração do centenário da República Portuguesa, foram emitidos selos postais em homenagem a mulheres que nos princípios do século XX, pelos seus escritos e ações, deram grandes contribuições sociais, culturais ou políticas para a defesa dos direitos das mulheres. Um dos selos foi dedicado à escritora Emília de Sousa Costa e à jornalista Virgínia Quaresma (1882-1973).[10]

Literatura Infantil

[editar | editar código]

Alguns títulos de literatura infantil publicados pela autora: [11]

Primeiras Lições, obra ilustrada por Hipólito Colombo.

Memórias da Lili, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Polichinélo em Lisboa, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Castelos no Ar, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Trinta Mil por uma Linha, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Polichinelo em Trás-os-Montes, obra ilustrada por Carlos Carneiro.

Polichinélo no Minho, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Mosquitos por Cordas, obra ilustrada por Alfredo Morais.

Memórias de El-Rei Papão, obra ilustrada por Francisco Valença.

No Tempo em que Tudo Falava, obra ilustrada por Rocha Vieira.

O Rouxinol e o Grilo, obra ilustrada por Eduardo Malta.

Contos do Joãozinho, volume I, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

O Perú Aviador, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

Contos do Joãozinho, volume II, obra ilustrada por Mamia Roque Gameiro.

Aventuras da Carochinha Japonesa, obra ilustrada por Vasco Lopes de Mendonça.

A Caixinha dos Segredos, obra ilustrada por Vasco Lopes de Mendonça.

História da Feialinda, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

Contos dos meus Nètinhos [sic], obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

Joanito Africanista, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

No Reino do Sol, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

Tagaté «Ás» do futbol [sic], obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini.

Triste Vida a da Raposa!, obra ilustrada por Raquel Roque Gameiro Ottolini. [12]

Referências

  1. A Celebration of Women Writers: «Writers from Portugal».
  2. «Emília de Sousa Costa» Arquivado em 4 de março de 2016, no Wayback Machine..
  3. «Mulheres da República».
  4. COSTA, Emília de Sousa (1926). Como eu vi o Brasil. Lisboa: Empresa Diário de Notícias. 
  5. Emília de Sousa Costa (1877-1959): Quem tiver filhas no mundo..., 1933. Portada criada por Raquel Roque Gameiro (1889-1970), no sítio Blog da Rua Nove. Consultado a 28 de Maio de 2013.
  6. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Emília de Sousa Costa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 6 de fevereiro de 2022 
  7. Emília de Sousa Costa: Lendas de Portugal. Porto: Empresa Nacional de Publicidade, 1935. 135 páginas.
  8. Emília de Sousa Costa e Ofélia Marques: No reino do Sol. Porto: Ática, 2.ª edição, 1947. 93 páginas. Datos bibliográficos em Google Libros. Consultado a 29 de Maio de 2013.
  9. «No Reino do Sol». Literatura Colonial Portuguesa. 14 de dezembro de 2025. Consultado em 2 de janeiro de 2026 
  10. «Postugal: Portugal on stamps», artigo com fotografias do selo postal dedicado a Emília de Sousa Costa e a Virgínia Quaresma. Consultado a 28 de Maio de 2013.
  11. COSTA, Emilia de Sousa (1934). Triste Vida a da Raposa!. Lisboa: Emprêsa Nacional de Publicidade. p. 2 
  12. «Triste Vida a da Raposa!». Capas & Companhia. 1934. Consultado em 2 de janeiro de 2026 

Ligações externas

[editar | editar código]