Estrela de Kapteyn

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Coordenadas: Sky map 05h 11m 41s, −45° 01′ 06″

Estrela de Kapteyn
Dados observacionais (J2000)
Constelação Pictor
Asc. reta 05h 11m 40,6s[1]
Declinação -45° 01′ 06,3″[1]
Magnitude aparente 8,853[1]
Características
Tipo espectral sdM1[1]
Cor (U-B) 1,191[1]
Cor (B-V) 1,580[1]
Variabilidade BY Dra[2]
Astrometria
Velocidade radial 245,19 km/s[1]
Mov. próprio (AR) 6505,08 mas/a[1]
Mov. próprio (DEC) -5730,84 mas/a[1]
Paralaxe 255,66 ± 0,91 mas[1]
Distância 12,76 ± 0,05 anos-luz
3,91 ± 0,01 pc
Magnitude absoluta 10,89
Detalhes
Massa 0,281 ± 0,014[3] M
Raio 0,291 ± 0,025[3] R
Gravidade superficial 4,96 cgs (log g)[4]
Temperatura 3 510[5] K
Metalicidade [M/H] = -0,86[3][4]
[Fe/H] = -0,85[5]
Rotação >9,15 km/s[6]
Idade ~10 bilhões[4][3] de anos
Outras denominações
VZ Pictoris, CD-45 1841, GJ 191, HD 33793, HIP 24186, SAO 217223.[1]
Estrela de Kapteyn
Pictor constellation map.png

A Estrela de Kapteyn é uma anã vermelha a cerca de 12,75 anos-luz (3,91 pc) da Terra[7][8] na constelação austral de Pictor.[1] Com uma magnitude aparente visual de 8,85,[1] é visível somente através de binóculos ou telescópios. É a estrela do halo galáctico mais próxima conhecida, e também a segunda estrela com o maior movimento próprio de todo o céu, atrás da Estrela de Barnard.[4] Em 2014, foi anunciada a descoberta de dois planetas orbitando a Estrela de Kapteyn.[3]

História[editar | editar código-fonte]

A estrela hoje conhecida como Estrela de Kapteyn foi originalmente catalogada pelo astrônomo holandês Jacobus Kapteyn em 1898.[9] Enquanto ele observava fotografias do céu, notou uma estrela com um movimento próprio muito alto de mais de oito segundos de arco por ano. Mais tarde, a estrela ficou conhecida como Estrela de Kapteyn, em homenagem ao seu descobridor.[10] Naquela época, tinha o maior movimento próprio de qualquer estrela conhecida. Com a descoberta da Estrela de Barnard em 1916,[11] a Estrela de Kapteyn ficou em segundo lugar, onde permanece até hoje.[4][10]

Características[editar | editar código-fonte]

Comparação de tamanho entre a estrela de Kapteyn, a Terra, Júpiter e o Sol.

Com base em medições de paralaxe pelo satélite astrométrico Hipparcos, a Estrela de Kapteyn está localizada a 12,76 anos-luz (3,91 parsecs) da Terra.[1] Há 10 800 anos, esteve a 7 anos-luz (2,15 parsecs) do Sol e tem se distanciado desde então.[12] Seu tipo espectral é de sdM1,[1] o que indica que é uma estrela subanã com uma luminosidade menor que a de uma estrela da sequência principal de mesma classe espectral. Possui uma massa de 28% da massa solar, um raio de 29% do raio solar[3] e uma temperatura efetiva de 3 510 K,[5] muito menor que a solar. A abundância de elementos que não são hidrogênio e hélio, a metalicidade, é de cerca de 14% da abundância solar.[3][4] É uma estrela variável do tipo BY Draconis com a designação VZ Pictoris. Estrelas desse tipo mudam de luminosidade por causa da presença de manchas estelares na superfície, resultantes de atividade magnética na cromosfera, que entram e saem da linha de visão da Terra conforme a estrela rotaciona.[2]

A Estrela de Kapteyn possui várias outras peculiaridades: possui uma alta velocidade radial,[10] orbita a Via Láctea de forma retrógrada (em sentido contrário ao da maioria das estrelas),[4] e é a estrela do halo galáctico mais próxima do Sol conhecida.[3] É membro de uma associação de estrelas com a mesma trajetória pelo espaço, conhecido como grupo Kapteyn.[13] Existem evidências que as estrelas desse grupo se formaram em uma galáxia anã satélite da Via Láctea que se fundiu com ela em algum momento no passado. Suspeita-se que o remanescente dessa galáxia seja o aglomerado globular Omega Centauri, que tem órbita retrógrada e metalicidade similares às da Estrela de Kapteyn. Durante o processo de fusão, as estrelas do grupo, incluindo a Estrela de Kapteyn, podem ter sido atiradas para fora do aglomerado por força de maré galáctica.[4][14]

Sistema planetário[editar | editar código-fonte]

Em 2014, foi anunciada a descoberta de dois planetas orbitando a Estrela de Kapteyn. A descoberta foi feita pelo método da velocidade radial, que consiste em detectar pequenas variações na velocidade radial de uma estrela causadas pela gravidade de um planeta. Os planetas são super-Terras com massas mínimas de 4,8 e 7,0 vezes a massa da Terra. O primeiro orbita a estrela a uma distância média de 0,17 UA com um período de 48,6 dias, estando dentro da zona habitável do sistema. O segundo planeta está mais afastado, a uma distância média de 0,31 UA, e tem um período de 121,5 dias.[3]

O sistema da Estrela de Kapteyn [3]
Planeta Massa Semieixo maior
(UA)
Período orbital
(dias)
Excentricidade
b ≥4,8 +0,9
−1,0
M
0,168 +0,006
−0,008
48,616 +0,036
−0,032
0,21 +0,11
−0,10
c ≥7,0 +1,2
−1,0
M
0,311 +0,038
−0,014
121,54 ± 0,25 0,23+0,10
−0,12

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o «SIMBAD query result - NAME Kapteyn's star». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 15 de janeiro de 2015 
  2. a b «VSX : Detail for VZ Pic». The International Variable Star Index. American Association of Variable Star Observers (AAVSO). Consultado em 16 de janeiro de 2015 
  3. a b c d e f g h i j Anglada-Escudé, G.; et al. (setembro de 2014). «Two planets around Kapteyn's star: a cold and a temperate super-Earth orbiting the nearest halo red dwarf». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters. 443 (1). pp. p.L89–L93. Bibcode:2014MNRAS.443L..89A. doi:10.1093/mnrasl/slu076 
  4. a b c d e f g h Kotoneva, E.; Innanen, K.; Dawson, P. C.; Wood, P. R.; De Robertis, M. M (agosto de 2005). «A study of Kapteyn's star». Astronomy and Astrophysics. 438 (3). pp. pp.957–962. Bibcode:2005A&A...438..957K. doi:10.1051/0004-6361:20042287 
  5. a b c Neves, V.; et al. (agosto de 2014). «Metallicity of M dwarfs. IV. A high-precision [Fe/H] and Teff technique from high-resolution optical spectra for M dwarfs». Astronomy & Astrophysics. 568. pp. A121, 22 pp. Bibcode:2014A&A...568A.121N. doi:10.1051/0004-6361/201424139 
  6. Houdebine, E. R (setembro de 2010). «Observation and modelling of main-sequence star chromospheres - XIV. Rotation of dM1 stars». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 407 (3). pp. pp. 1657–1673. Bibcode:2010MNRAS.407.1657H. doi:10.1111/j.1365-2966.2010.16827.x 
  7. «Kapteyn» (em inglês). Open Exoplanet Catalogue. Consultado em 13 de janeiro de 2016 
  8. «Planet Kapteyn's b» (em inglês). The Extrasolar Planet Encyclopaedia. Consultado em 13 de janeiro de 2016 
  9. Kapteyn, J. C. (1898), «Stern mit grösster bislang bekannter Eigenbewegung», Astronomische Nachrichten, 145 (9–10): 159–160, Bibcode:1897AN....145..159K, doi:10.1002/asna.18981450906 .
  10. a b c Kaler, James B. (2002), «Kapteyn's Star», The Hundred Greatest Stars, Copernicus Books, pp. 108–109 .
  11. Barnard, E. E. (1916), «A small star with large proper motion», Astronomical Journal, 29 (695): 181, Bibcode:1916AJ.....29..181B, doi:10.1086/104156 .
  12. Bobylev, V. V (março de 2010). «Searching for stars closely encountering with the solar system». Astronomy Letters. 36 (3). pp. pp.220–226. Bibcode:2010AstL...36..220B. doi:10.1134/S1063773710030060 
  13. Eggen, O. J. (dezembro de 1996), «The Ross 451 Group of Halo Stars», Astronomical Journal, 112: 2661, Bibcode:1996AJ....112.2661E, doi:10.1086/118210 
  14. Wylie-de Boer, Elizabeth; Freeman, Ken; Williams, Mary (fevereiro de 2010), «Evidence of Tidal Debris from ω Cen in the Kapteyn Group», The Astronomical Journal, 139 (2): 636–645, Bibcode:2010AJ....139..636W, arXiv:0910.3735Acessível livremente, doi:10.1088/0004-6256/139/2/636 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]