Filipe Sambado

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Filipe Sambado (Lisboa, 6 de Junho de 1985) é um cantautor e produtor português. Passou a infância e a adolescência em Elvas, Vila Nova de Santo André e Lagos. Regressou a Lisboa para estudar Teatro e Dramaturgia na Escola Superior de Teatro e Cinema e Técnicas de Som na Restart, acabando por se fixar nesta cidade. É co-fundador da produtora e agência musical Maternidade[1]. Integrou o colectivo Springtoast Records[2].

Filipe Sambado atreve-se a fazer canções pop imediatas que nos fazem cantar e reflectir sobre o mundo que nos rodeia e afecta. Compõe canções notáveis que partem de uma matriz indie pop e consolidam um universo sónico que tanto estabelece cumplicidades com a música portuguesa - da canção de autor à música popular e de baile -, como se deixa contaminar pelo krautrock, lo-fi ou surf music. São canções que nos interpelam, convocam a memória e projectam-na num exercício de reconfiguração da identidade portuguesa actual.[3]

Em 2020 estreou-se no Festival RTP da Canção, como compositor e intérprete do tema Gerbera Amarela do Sul. Participou na primeira semifinal, tendo sido apurado como finalista da edição[4].

Discografia[editar | editar código-fonte]

2012-2014: a trilogia de EPs[editar | editar código-fonte]

A estreia a solo de Filipe Sambado acontece em 2012 com a edição de três EPs que traçam um estado de virilidade marginal ao qual ainda ninguém se habitou. A seis canções poeticamente lideradas pelo desespero, seguem-se quatro temas de urgência tipo-jacto, culminando com uma torrente de melancolia lânguida em canções costuradas para nos atingirem e que ressoam perpetuamente.

  • Isto é coisa para não voltar a acontecer (2012)[5]
  • 1, 2, 3, 4 (2012) [6]
  • Ups​.​.​. fiz isto outra vez (2014)[7]

Do EP Ups... fiz isto outra vez (2014) saiu o single Tabaco, realizado por Filipe Sambado e Maria Leite.

Vida Salgada (2016)[editar | editar código-fonte]

Foi em 25 de Março de 2016 que Filipe Sambado editou Vida Salgada. Mário Lopes escreveu no Público[8]: O primeiro álbum de Filipe Sambado é uma irresistível colecção de canções. É pop onírica arrancada à biografia pessoal. Este ano, não lhe poderemos escapar. Não deveremos.

Neste disco, Sambado é mais Sambado do que até então, na voz, nas canções e nas letras viscerais. Num disco de baterias cavalgantes acompanhadas por percussões tristes e guitarras a formar o meio campo, mas muitas vezes acabando abafadas por teclados rasgadinhos, a preencherem as alas. Filipe Sambado aproveitou este trabalho para nos levar às suas origens alentejanas e algarvias, mostrando pelo caminho que um  álbum nostálgico não tem de ser obrigatoriamente um disco de infância.

Foi editado através da Spring Toast Records. Vida Salgada ficou disponível no Bandcamp e em cassete[9]. Foram ainda publicados videoclipes para os temas Vida Salgada, Roda a Garrafa, Subo a Montanha e Aprender e Ensinar.

O disco foi gravado na sala da Maternidade. Produzido pelo Filipe Sambado, misturado pelo Alexandre Pereira, com o apoio criativo do Luís Barros, e masterizado pelo Rui Antunes. Vozes e teclados de Primeira Dama. A fotografia do disco é de Martim Braz Teixeira (Jasmim) e a capa de Teresa Castro (Calcutá)

ASS AMBADO (2017, single digital)[editar | editar código-fonte]

Tema disponibilizado em exclusivo no canal de YouTube da Maternidade, não faz parte de nenhum disco de Filipe Sambado. A plataforma de vídeo limita o visionamento a adultos, por considerar ter nudez.

Filmado por Cecília Henriques, editado e arranjado por Marcelo Perdido, consultado por Silas Ferreira que terá dito tá bom e dançado por Filipe Sambado.

Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo (2018)[editar | editar código-fonte]

Em 2018, Filipe Sambado estreou-se na editora discográfica NorteSul, subsidiária da Valentim de Carvalho.

Editou a 20 de Abril Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo, um trabalho inquieto mas optimista, feito de canções que nos interpelam, um compêndio de sons organizados na forma de hinos à possibilidade de NÓS sermos outra coisa - de sermos coisas para as quais ainda não temos nomes.[10] Foi editado em CD e nas plataformas de streaming.

Aclamado pela crítica, viria a ser considerado disco nacional do ano para a Antena 3, que o caracteriza como um disco sobre estar bem na própria pele, e enfrentar uma sociedade que nem sempre está bem com esse conforto.[11], Rádio Radar, Vodafone FM, SBSR FM entre outros.

As dez músicas têm letra e música de Filipe Sambado, arranjadas por Filipe Sambado, Alexandre Rendeiro, C de Croché, Luís Barros e Primeira Dama. O disco foi produzido, gravado e misturado por Rui Antunes na Springtoast Records. A masterização ficou a cargo de Nelson Carvalho nos Estúdios Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. A capa do disco é de Silas Ferreira.

Deste disco foram extraídos dois singles, que ganharam videoclipes: Deixem Lá e Alargar o Passo. O tema Só Beijinhos fez parte da banda sonora da telenovela da SIC Alma e Coração.

Os Acompanhantes de Luxo são Alexandre Rendeiro na guitarra, C de Croché no baixo, Luís Barros na bateria, Primeira Dama nas teclas e vozes.

Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo foi nomeado pela Sociedade Portuguesa de Autores para os Prémios SPA 2019 na categoria de Música - Melhor Trabalho de Música Popular.

Revezo (2020)[editar | editar código-fonte]

Revezo é o terceiro longa-duração de Filipe Sambado, o segundo editado na NorteSul / Valentim de Carvalho. Foi editado em CD e nas plataformas de streaming a 24 de Janeiro de 2020.

O disco é composto de dez canções capazes de atingir uma alegria pop contagiante. Mergulhamos os ouvidos numa folk floral e contemplativa, mantendo o músculo da música de intervenção e a rudeza da música popular portuguesa, com apontamentos de folclore, em arranjos de luxúria conceptual.[12]. Caracterizado pela Sábado como um encontro entre o tradicional português e a modernidade, entre o âmago de um músico que se sente privilegiado e o narrador atormentado com o absurdo dos dias[13].

Filipe Sambado falou à publicação Rimas e Batidas sobre a sonoridade e inspiração de Revezo: resulta do meu interesse no conceito de folclore e da pop, enquanto agentes formais de comunicação, através do formato canção. Entender o malhão, o corridinho ou chula como encadeamentos rítmicos, para a condução da dança e da canção moderna. No fundo ouvi muito o Zeca e o Fausto; e a Rosalía foi a minha diva com o El Mal Querer.[14]

O primeiro single do disco foi Jóia da Rotina, com videoclipe do realizador Miguel Afonso. O tema Gerbera Amarela do Sul marcou a estreia de Filipe Sambado no Festival da Canção, como compositor e intérprete.

Os dez temas têm letra e música de Filipe Sambado, com arranjos de Filipe Sambado, Chinaskee, Primeira Dama e Violeta Azevedo. A produção é de Filipe Sambado e a co-produção de Chinaskee e Primeira Dama. A captação foi de Filipe Sambado e Chinaskee, a captação das flautas de Rui Antunes na Spring Toast. Disco misturado por Eduardo Vinhas a energia solar. A masterização ficou a cargo de Mário Barreiros.

Participam no disco: Filipe Sambado (voz, teclados, percussões e guitarras), Violeta Azevedo (flauta), Primeira Dama (vozes, teclados e baixos), Cecília Henriques (voz em É Tão Bom), Vera Vera-Cruz (voz em Gerbera Amarela do Sul), Chinaskee (percussões). Gravado no estúdio da Maternidade em 2019.

Bandas e colaborações[editar | editar código-fonte]

Cochaise[editar | editar código-fonte]

Em 2010, Filipe Sambado fundou a banda indie-pop Cochaise[15], com Cláudia Sambado (voz), Alexandre Pereira (guitarra e voz), Luís Barros (bateria), C de Croché (baixo) e João Pratas. Editaram quatro trabalhos em conjunto[16]: Mini Homónimo (2011), Se Amanhã Não Chovesse (2013), Já te digo qualquer coisa (2014) e Cochaise (2015).[17]

Chibazqui[editar | editar código-fonte]

Filipe Sambado (bateria, vozes) integrou a banda lisboeta Chibazqui, com Diego Armés (voz, guitarras), C de Croché (baixo, vozes) e Silas Ferreira (teclas)[18]. Editaram em conjunto Planos Para O Futuro (2015) e o single Gola Alta / Bolinhas (2016).

Filipe Sambado + Vaiapraia[editar | editar código-fonte]

Em 2015 lançou o single O Bardo com Vaiapraia, editado no Bandcamp da Gentle Records. A faixa O Bardo é foi escrita, tocada e cantada por Filipe Sambado[19]. A segunda faixa, Tudo Encarnado, foi escrita, tocada e cantada por Vaiapraia.

Repetiu a colaboração com Vaiapraia em 2016, com a edição de Panelei Punx. O single de dois temas da autoria de Vaiapraia, sendo a faixa Chama interpretada, tocada e gravada por Filipe Sambado[20].

Jasmim[editar | editar código-fonte]

Fez parte da banda Jasmim, a par de Pedro Morrison, Violeta, Martim B. Teixeira e Rui Antunes. Tocou baixo no EP Oitavo Mar, editado em Abril de 2017[21].

Alek Rein[editar | editar código-fonte]

Tocou no projecto a solo de Alexandre Rendeiro - que viria a integrar os Acompanhantes de Luxo em 2018/2019, na gravação de disco de estúdio e em concertos ao vivo.

Referências

  1. «Maternidade». www.facebook.com. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  2. «Spring Toast Records». www.facebook.com. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  3. «Valentim de Carvalho - Edições VC». www.valentim.pt. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  4. Cipriano, Rita. «Quem são os primeiros quatro finalistas do Festival da Canção?». Observador. Consultado em 23 de fevereiro de 2020 
  5. «Isto é coisa para não voltar a acontecer, by Filipe Sambado». Filipe Sambado. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  6. «1234, by Filipe Sambado». Filipe Sambado. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  7. «Ups... fiz isto outra vez, by Filipe Sambado». Filipe Sambado. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  8. Lopes, Mário. «Filipe Sambado: Vida a sério em corpo de fantasia». PÚBLICO. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  9. «Vida Salgada, by Filipe Sambado». Filipe Sambado. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  10. «Notícias». www.valentim.pt (em inglês). Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  11. «Álbuns Nacionais | Melhores do Ano 2018». Antena 3. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  12. «Notícias». www.valentim.pt (em inglês). Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  13. «Filipe Sambado, o escritor de canções íntimas». www.sabado.pt. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  14. Alexandre Ribeiro"I just looked at the pictures" (23 de dezembro de 2019). «Filipe Sambado: "Precisamos uns dos outros mais do que nunca"». Rimas e Batidas. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  15. «Cochaise». www.facebook.com. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  16. «Cochaise». Cochaise. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  17. «Cochaise, by Cochaise». Cochaise. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  18. «Chibazqui». www.facebook.com. Consultado em 6 de fevereiro de 2020 
  19. «O Bardo (single), by Filipe Sambado + Vaiapraia». Gentle Records. Consultado em 7 de fevereiro de 2020 
  20. «Panelei Punx (single), by Vaiapraia + Filipe Sambado». Gentle Records. Consultado em 7 de fevereiro de 2020 
  21. «Oitavo mar, by Jasmim». Jasmim. Consultado em 6 de fevereiro de 2020