Francisco Julião

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Francisco Julião
Nome completo Francisco Julião Arruda de Paula
Nascimento 16 de fevereiro de 1915
Bom Jardim, Pernambuco, Brasil
Morte 10 de julho de 1999 (84 anos)
Cuernavaca, México
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Advogado
Político
Escritor

Francisco Julião Arruda de Paula (Bom Jardim, 16 de fevereiro de 1915Cuernavaca, 10 de julho de 1999) foi um advogado, político e escritor brasileiro, que liderou politicamente o movimento camponês conhecido como ligas camponesas.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Julião nasceu no Engenho Boa Esperança, em 1915, no agreste pernambucano. Era filho de Adauto Barbosa de Paula e Maria Lídia Arruda de Paula. Advogado formado em 1939, em Recife, abrindo um escritório de advocacia no ano seguinte. Com o fim do Estado Novo e a redemocratização do país, ingressou no Partido Republicano (PR). Em 1947 desligou-se do PR, aderindo pouco depois ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi líder em 1955 das ligas camponesas (organizações com o objetivo proclamado de lutar pela distribuição de terras e os direitos para os camponeses), no Engenho Galileia.[1]

Vida política[editar | editar código-fonte]

Julião foi deputado estadual em duas legislaturas. Eleito deputado federal por Pernambuco em 1962, foi cassado e preso em 1964. Ao ser liberado em 1965, foi incentivado a se exilar. Viajou para o México, onde permaneceu até ser anistiado em 1979. Em 1966, na Cidade do México, ele conheceu André Gorz.[2] Aliado de Leonel Brizola, filiou-se ao PDT e tentou ser novamente deputado federal em 1986, quando foi derrotado.[1]

Um erro histórico[editar | editar código-fonte]

Segundo alguns, Julião foi fundador das Ligas Camponesas. Porém, segundo seu próprio relato, de 1940 a 1955, teria sido na verdade advogado dos camponeses. Segundo suas próprias palavras:[3]

Durante esses quinze anos, Julião peregrinou pelos canaviais da Zona da Mata de Pernambuco, conquistando a confiança dos camponeses como advogado. Tinha feito uma escolha. Não queria defender os poderosos.[3]

Transformado em líder das Ligas Camponesas, Julião foi considerado um "santo" entre os sem-terra. Aos olhos de quem os combatia era chamado de agitador, incendiário, comunista. Julião agradecia o título de "agitador", dizendo que o sempre fora, "mas dentro da lei". Afinal de contas "até remédio você precisa agitar antes de usar"… Comunista, segundo ele próprio, nunca foi. Tinha divergências com os comunistas, mas se declarava socialista e marxista. O que pouca gente sabe é que Julião é um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro, ao lado de Otávio Mangabeira [sic]. [4] Provavelmente, o autor da entrevista, conduzida em 1983, confundiu João Mangabeira, fundador do PSB a partir da Esquerda Democrática, com seu irmão, e também político, Otávio Mangabeira que era completamente oposto ao PSB, já que era da conservadora UDN.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 1988, após as eleições, viajou para o México a fim de escrever suas memórias. Em 1991 retornou ao Brasil. Em 1997 viajou novamente para o México, onde veio a falecer em consequência de um infarto em 10 de julho de 1999, aos 84 anos.[1]

Obras literárias[editar | editar código-fonte]

  • Cachaça (1951).
  • Irmão Juazeiro (1961).
  • O que São as Ligas Camponesas (1962).
  • Até Quarta, Isabela (1965).
  • Cambão: La Cara Oculta de Brasil (1968).
  • Escuta, Camponês

Julião traduziu, com Miguel Arraes, quando ambos estavam na prisão, Le viol de foules par la propagande politique, do russo Sergei Tchakhotine.[5]

Referências

  1. a b c d «Francisco Julião». CPDOC - Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 16 de fevereiro de 2022. Arquivado do original em 12 de abril de 2016 
  2. Michel Bosquet [André Gorz], « La plus grande poudrière d’Amérique latine », Le Nouvel Observateur, 9 de março 1966
  3. a b c «Biografia de Francisco Julião». CPDOC. Consultado em 3 de setembro de 2022 
  4. Francisco Julião. Um depoimento para a História: o homem que agitou os canaviais, 1983
  5. Tchakhotine, Serge (1967). A mistificação das massas pela propaganda política. Rio de Janeiro: Civilização brasileira. 609 páginas 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]