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Geraizeiros

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Mesorregião Norte Mineiro, segundo a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que criou as mesorregiões e microrregiões. As regiões a oeste e leste também são consideradas, tradicionalmente, parte de os Gerais.
A região de os Gerais corresponde à Região Geográfica Intermediária de Montes Claros, à Região Geográfica Intermediária de Patos de Minas e à Região Geográfica Intermediária de Teófilo Otoni.
Paisagem de cerrado em Padre Bernardo, estado de Goiás.

Geraizeiro é um habitante tradicional que vive nos cerrados do norte de Minas Gerais (região Sudeste do Brasil).[1] Este termo deriva do fato de que o norte do estado, uma região de cerrado, é conhecido como os Gerais, contração de Minas dos Matos Gerais.[2] .[3]

Há um grupo específico de comunidades tradicionais geraizeiras que vivem nas chapadas e outras formações serranas similares que é chamado de "chapadeiros", isso quando não se autoidentificam com essa denominação identitária.[4] Por outro lado, há grupos que consideram as nomenclaturas "geraizeiros" e "chapadeiros" como variações terminológicas de uma mesma comunidade tradicional.[5][6]

As particularidades atribuídas às comunidades geraizeiras estão vinculadas aos seus modos de vida tradicional, como a agricultura familiar, a criação de animais em pastos de vegetação nativa, a colheita de frutos do Cerrado, como por exemplo o pequi, araticum e buriti, além do manejo sustentável dos recursos naturais. [7]

As comunidades geraizeiras permaneceram por longos períodos em relativo isolamento, condição que favoreceu o desenvolvimento de práticas culturais próprias, dentre elas, estão o uso medicinal de plantas nativas, técnicas específicas de cultivo e manejo do solo, respeitando os ciclos naturais.[7] [8]Além disso, sua conexão espiritual, cultural e econômica com o território são baseadas na coletividade e ancestralidade influenciadas por comunidades indígenas, africanas e sertanejas. [7]

Em 2007, os povos tradicionais foram reconhecidas oficialmente pelo Governo do Brasil,[9] se enquadrando na política de desenvolvimento sustentável das comunidades tradicionais (PNPCT).[10]

Reconhecimento

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Em 2007, os povos tradicionais, entre eles o geraizeiro, foram reconhecidas pelo Governo do Brasil,[9] que através da política nacional de desenvolvimento sustentável dessas comunidades (PNPCT), ampliou o reconhecimento feito parcialmente na Constituição de 1988, agregando aos indígenas e aos quilombolas outros povos tradicionais,[10] a saber: ribeirinho, caiçara, castanheira, catador de mangaba, retireiro, cigano, cipozeiro, extrativista, faxinalense, fecho de pasto, geraizeiro, ilhéu, isqueiro, morroquiano, pantaneiro, pescador artesanal, piaçaveiro, pomerano, terreiro, quebradeira de coco-babaçu, seringueiro, vazanteiro e, veredeiro.[11][10] Aqueles que mantêm um modo de vida primordial, intimamente ligado aos recursos naturais e ao meio ambiente em que vivem.[9]

Assim, todas as políticas públicas decorrentes da PNPCT beneficiarão oficialmente o conjunto das populações tradicionais.[12]

A região norte do estado mineiro possui um falar diferente dos falares mineiro e caipira. É assemelhado ao falar do interior do estado da Bahia, segundo o EALMG (Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais), publicado pela UFJF em 1977. O EALMG foi o segundo atlas linguístico feito no Brasil. Tem como autores os professores linguistas Mário Roberto Lobuglio Zágari, José Ribeiro, José Passio e Antônio Gaio.[13]

Alguns núcleos urbanos que apresentam o sotaque geraizeiro são: Montes Claros, Paracatu, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Galileia, Nacip Raydan e Várzea da Palma.[14]

Comemoração

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Desde 2011, comemora-se anualmente no dia 8 de dezembro (dia da festa litúrgica católica Imaculada Concepção de Nossa Senhora) o Dia dos Gerais,[15] com festa no município de Matias Cardoso, fundado pelos bandeirantes paulistas Januário Almeida e seu filho, Matias Cardoso de Almeida. A data foi iniciativa do deputado estadual Paulo Guedes. A data foi escolhida por ser o dia da padroeira da igreja matriz municipal, construída em 1664.[16] O município de Matias Cardoso se torna, nesse dia, a capital estadual simbólica.[17]

Referências

  1. OLIVEIRA, Sônia Maria Ribeiro. «Os Geraizeiros». Consultado em 3 de março de 2016
  2. «O Prometeu no sertão: economia e sociedade da Capitania das Minas dos Matos Gerais | História "Sérgio Buarque de Holanda"». caph.fflch.usp.br. Consultado em 14 de setembro de 2024
  3. Cultura Norte Mineiro Geraizeiro, Povos originários (10 de dezembro de 2012). secult.mg.gov.br https://secult.mg.gov.br/noticias-artigos/1797-movimento-catrumano-promove-resgate-historico-do-norte-de-minas. Consultado em 14 de setembro de 2024 Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  4. «Chapadeiros». Museu do Cerrado. Consultado em 23 de novembro de 2024
  5. «Geraizeiros». 5 de dezembro de 2021. Consultado em 23 de novembro de 2024
  6. Jaqueline Borges Inácio, Rosselvelt José Santos (2020). «OS GERAIZEIROS E OS USOS DO TERRITÓRIO E A SOCIOBIODIVERSIDADE EM BURITIZEIRO-MG». Revista Caminhos de Geografia. Consultado em 23 de novembro de 2024
  7. 1 2 3 «Geraizeiros». Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Consultado em 5 de março de 2026
  8. Facto, Juliana Eichler e Nicolau Ferraz, da Agência (27 de novembro de 2019). «UnB Ciência». Geraizeiros: uma história de luta pelo Cerrado brasileiro. Consultado em 5 de março de 2026
  9. 1 2 3 «Por que tradicionais?». Instituto Sociedade População e Natureza. Consultado em 18 de julho de 2018
  10. 1 2 3 «os faxinalenses». Consultado em 23 de janeiro de 2016. Arquivado do original em 29 de janeiro de 2016
  11. «Gente do campo: descubra quais são os 28 povos e comunidades tradicionais do Brasil». www.cedefes.org.br. Consultado em 12 de agosto de 2022
  12. BRASIL,Ministério do Meio Ambiente. «Povos e Comunidades Tradicionais». Consultado em 12 de março de 2021
  13. «Esboço de um Atlas Linguístico de Minas Gerais (EALMG) | Projeto Atlas Linguí­stico do Brasil». alib.ufba.br. Consultado em 14 de setembro de 2024 soft hyphen character character in |titulo= at position 78 (ajuda)
  14. «Pseudolinguista: Mapa dos sotaques em Minas Gerais». Pseudolinguista. Consultado em 14 de setembro de 2024
  15. «Saiba por que a capital de MG é transferida de BH para cidade de 8 mil habitantes nesta sexta-feira». G1. 8 de dezembro de 2023. Consultado em 14 de setembro de 2024
  16. Minas, Estado de (12 de julho de 2014). «História de Minas Gerais é celebrada em duas cidades que tiveram os primeiros povoados». Estado de Minas. Consultado em 14 de maio de 2023
  17. «Dia dos Gerais eleva Matias Cardoso a capital de Minas, no próximo sábado». CIMAMS. Consultado em 14 de setembro de 2024