Grupo BIG

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Grupo BIG
Razão social Grupo BIG Brasil S.A.
Empresa de capital fechado
Slogan Bom, BIG, Barato
Atividade Varejo
Fundação 1995 (1995)
Encerramento 2022
Sede Barueri, SP, Brasil
Área(s) servida(s) Brasil
Locais Brasil
Proprietário(s) Grupo Carrefour Brasil
Presidente Luiz Fazzio
Empregados 55.000 empregados (2017)
Marcas
Subsidiárias
  • WMB Supermercados
  • WMS Supermercados
  • Bompreço Supermercados
  • Veraneio Participações
Valor de mercado R$ 16 bilhões (2017)
Receita Aumento R$ 28,187 bilhões (2017)
Antecessora(s) Walmart Brasil
Sucessora(s) Grupo Carrefour Brasil
Website oficial www.grupobigbrasil.com.br

Grupo BIG Brasil S.A., fazendo negócios como Grupo BIG, foi uma empresa joint venture com atuação no comércio varejista brasileira controlada pela firma de private equity Advent, em sociedade com o Walmart. Dona de várias das principais marcas do setor no Brasil, sendo integrantes de seu portfólio negócios como o BIG, BIG Bompreço, Super Bompreço, TodoDia, Maxxi Atacado, Sam's Club e Nacional. Foi a terceira maior empresa varejista, de acordo com o ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Comércio de 2018, [1] contando com 438 lojas e 55.000 funcionários. [2] De agosto de 2019 até seu encerramento, utilizou a marca Grupo BIG, em substituição ao nome anteriormente utilizado, Walmart Brasil[3].

Encerrou suas atividades em 7 de junho de 2022, quando foi incorporado ao Carrefour Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A empresa surgiu a partir da abertura do primeiro Sam's Club no país, pela rede Walmart em 1995. Logo em seguida, abriu a primeira loja focada no segmento de hipermercados na cidade de Osasco, em São Paulo, ainda em 1995. A rede começou a expansão pela região Sudeste nos anos que se sucederam.

Em março de 2004, adquiriu a rede Bompreço, de propriedade do holandês Royal Ahold, por US$ 300 milhões. A aquisição trouxe 118 novos pontos de venda[4]. Com a aquisição, o grupo norte-americano pulou da sexta para a terceira posição no ranking dos maiores supermercadistas brasileiros. Concomitante a isso, o brasileiro Unibanco adquiriu a Hipercard, divisão responsável por administrar os cartões private label do Bompreço. A aquisição custou US$ 215 milhões e acrescentou cerca de 2,3 milhões de clientes a carteira do banco brasileiro[5].

No final de 2005, o grupo adquiriu a operação de varejo do Sonae no Brasil. A aquisição englobou as marcas BIG, Mercadorama, Nacional e Maxxi e custou R$ 1,7 bilhão[6]. Á época da aquisição, o Sonae tinha 135 lojas, nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, e faturamento bruto da ordem de R$ 4,33 bilhões[7].

Em 2011, trouxe para o Brasil a estratégia de preço que o levou a conquistar o mercado nos Estados Unidos e a tornar-se o maior varejista do mundo: o “Preço Baixo Todo Dia” (PBTD). Única no mercado brasileiro, essa estratégia buscava comunicar ao consumidor um compromisso de preço baixo constante no total da cesta de compra. Em sete anos, se investiu forte na comunicação do PBTD e no formato hipermercado.

No fim de 2016, a matriz norte-americana sinalizou que poderia incluir o Brasil em seu plano de desinvestimentos. A filial brasileira amargou prejuízos por 7 dos 10 anos anteriores. Os problemas na filial brasileira eram estruturais, pois o sistema de hierarquia imposto pela matriz não se adaptou ao mercado brasileiro. Sistemas usados da matriz, por exemplo, não se adaptavam ao modelo tributário brasileiro. Outro erro do grupo, segundo especialistas, foi a demora para absorver as marcas regionais adquiridas (do Bompreço, em 2004, e do Sonae, em 2005). O grupo ainda investiu pesado em hipermercados, em um momento que as lojas de atacarejos começaram a se tornar cada vez mais comuns[8].

Venda para o Advent e fim do Walmart Brasil[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2018, a rede foi vendida para a empresa de private equity Advent. Na ocasião, a matriz norte-americana ainda possuía uma participação minoritária de 20% na nova empresa. No segundo trimestre de 2018, a rede americana relatou perdas líquidas com a operação brasileira da ordem de US$ 4,5 bilhões[9]. Posteriormente, foi noticiado que a aquisição da filial brasileira não teve custo algum, com o Advent se comprometendo a investir cerca de R$ 2 bilhões na recém adquirida operação[10].

Em maio de 2019, o varejo on-line do Walmart Brasil foi descontinuado. Na época, o site da rede somente operava no modelo marketplace. Segundo divulgado à imprensa, "a operação de e-commerce hoje representa uma parcela mínima das vendas totais da companhia"[11].

Em agosto de 2019, com dificuldades na gestão do Walmart Brasil, o novo controlador da rede, a empresa de private equity Advent, estudava descartar o nome Walmart. A justificativa eram os royalties, de 0,7%, que o novo controlador teria de pagar ao grupo norte-americano pela utilização de suas marcas. Posteriormente, a empresa confirmou que o nome Walmart Brasil seria abandonado e substituído por BIG. Uma das justificativas, além dos royalties, era o vínculo afetivo com o consumidor do sul (com a marca BIG) e do Nordeste (com a marca Bompreço, posteriormente renomeada para BIG Bompreço). O grupo ainda continuou operando a marca Sam's Club, desta vez pagando royalties menores[12].

Aquisição pelo Carrefour[editar | editar código-fonte]

Em março de 2021, os donos do grupo, Advent e Walmart, informaram que chegaram a um acordo com o Carrefour Brasil para venda da operação por R$ 7,5 bilhões. A aquisição seria paga 70% em dinheiro, com o Carrefour adiantando R$ 900 milhões no ato da assinatura, e 30% em ações da rede francesa. Com isso, Walmart e Advent se tornariam sócios minoritários no Grupo Carrefour Brasil, com uma participação próxima de 5,6% no capital[13]. Em apresentação ao mercado, o Carrefour Brasil destacou que a compra do BIG era complementar a sua atuação (visto que não possuía operações relevantes no Sul e no Nordeste, focos do Grupo BIG) e acrescentaria novos formatos em sua plataforma, como as lojas Sam's Club, de clube de compras, e TodoDia, de soft discount. Além disso, a aquisição traria incrementos na rentabilidades das lojas, com um aumento estimado em 67% para os hipermercados e 69% para as lojas de atacarejo, além de contar com uma possível integração dos cartões Hipercard no ecossistema Carrefour, por meio do Banco CSF[14].

Em novembro do mesmo ano, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinou que a aquisição, envolvendo Carrefour e BIG, era "complexa" e pediu mais prazo para ser apreciada[15]. Posteriormente, em janeiro de 2022, a Superintendência Geral do órgão recomendou a aprovação da transação, condicionada a venda de algumas unidade do varejo de autosserviço[16]. Por fim, em maio de 2022, o órgão aprovou, com restrições, a compra do Grupo BIG pelo Carrefour Brasil. A decisão foi unânime e está condicionada a venda de determinadas lojas do BIG em cidades como Gravataí, Maceió, Olinda e Recife[17]. O Carrefour, no entanto, já tinha propostas para venda das lojas alvo do desinvestimento do BIG naquela ocasião[18].

Em 7 de junho de 2022, as negociações foram finalizadas e o Grupo BIG passou a ser subsidiária integral do Grupo Carrefour Brasil[19].

Marcas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «10 maiores varejistas do Brasil faturaram R$ 226 bilhões em 2017; veja ranking». InfoMoney. 11 de setembro de 2018. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  2. Reuters (4 de junho de 2018). «Advent International compra fatia majoritária do Walmart no Brasil». G1. Consultado em 13 de agosto de 2019 
  3. «Walmart muda de nome no Brasil e prevê investimento de R$ 1,2 bilhão». Exame. 12 de agosto de 2019. Consultado em 12 de junho de 2022 
  4. «Folha de S.Paulo - Supermercado: Wal - Mart paga US$ 300 mi por Bompreço». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 12 de junho de 2022 
  5. «Folha Online - Dinheiro - Wal-Mart compra Bompreço; Unibanco leva Hipercard - 01/03/2004». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 12 de junho de 2022 
  6. «Folha Online - Dinheiro - Gigante Wal-Mart compra lojas do Sonae no Brasil por R$ 1,7 bi - 14/12/2005». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 12 de junho de 2022 
  7. Futema, Fabiana (14 de dezembro de 2005). «Wal-Mart quase dobra de tamanho e encosta no Carrefour em ranking». Folha de S.Paulo. Consultado em 11 de junho de 2022 
  8. «O Walmart vai dizer "bye-bye, Brazil"?». Exame. 1 de fevereiro de 2018. Consultado em 12 de junho de 2022 
  9. «Advent International adquire participação majoritária no Walmart Brasil». Advent International. 4 de junho de 2018. Consultado em 12 de junho de 2022 
  10. «Big negócio: como a Advent multiplicou o Walmart de R$ 2 bi para R$ 7,5 bi». Exame. 24 de março de 2021. Consultado em 12 de junho de 2022 
  11. «Walmart fecha vendas pela internet no Brasil». Folha de S.Paulo. 10 de maio de 2019. Consultado em 12 de junho de 2022 
  12. Mendes, Jaqueline (13 de agosto de 2019). «Walmart muda de nome no Brasil e investe R$ 1,2 bilhão no setor». Correio Braziliense. Consultado em 12 de junho de 2022 
  13. «Carrefour compra Big, ex-Walmart». ISTOÉ DINHEIRO. 25 de março de 2021. Consultado em 12 de junho de 2022 
  14. «Apresentações a analistas/agentes do mercado - Aquisição do Grupo BIG». B3. 24 de março de 2021. Consultado em 12 de junho de 2022 
  15. «Cade decide aprofundar análise da compra do BIG pelo Carrefour». ISTOÉ DINHEIRO. 16 de novembro de 2021. Consultado em 12 de junho de 2022 
  16. «Superintendência do Cade recomenda aprovação da compra do BIG pelo Carrefour Brasil». Folha de S.Paulo. 25 de janeiro de 2022. Consultado em 12 de junho de 2022 
  17. «Cade aprova compra do Grupo Big por Carrefour Brasil com restrições». G1. Consultado em 12 de junho de 2022 
  18. «Carrefour já tem proposta de compra de lojas do Big, dizem fontes». Valor Econômico. Consultado em 12 de junho de 2022 
  19. «Carrefour conclui aquisição do Grupo BIG». G1. Consultado em 12 de junho de 2022