Igreja episcopal

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A Igreja Episcopal é formada pelo conjunto de igrejas protestantes de governo episcopal em comunhão com a Igreja da Inglaterra e por igrejas que não fazem parte da Comunhão Anglicana, mas se orientem no "ethos anglicano", também conhecida como anglicana. O movimento como um todo é conhecido como episcopalismo ou, imprecisamente, como anglicanismo.

História[editar | editar código-fonte]

Bispos colocando as mãos em Douglas Sparks, consagrando-o como o 8º Bispo da Diocese Episcopal do Norte da Indiana na Igreja Inglesa Trinity em Fort Wayne, Indiana, Estados Unidos.

A Igreja da Inglaterra separou-se, ainda com teologia e governo eclesiástico católico romano, da Igreja Católica Apostólica Romana sob o rei Henrique VIII. Sofreu sua reforma pelo colegiado dos bispos inicialmente sob o rei Eduardo IV, consolidando-se sob a rainha Isabel I.

Seu legado cultural mais duradouro é a versão dita autorizada da Bíblia, mais conhecida como tradução de King James, que influenciou a maior parte das traduções bíblicas feitas desde então, principalmente, mas não somente, no meio protestante, inclusive a tradução de João Ferreira de Almeida para o português.

Derivações[editar | editar código-fonte]

O episcopalismo originou diversos movimentos e denominações, principalmente pelas tensões geradas pela combinação, por necessidade política, de uma doutrina originalmente calvinista com uma tradição católica e um sistema de governo episcopal.

Vertentes[editar | editar código-fonte]

As vertentes mais tradicionais do episcopalismo são a alta igreja, que enfatizam a fé católica, e a baixa igreja(evangelicalismo), originalmente calvinista e que enfatizam a fé evangélica.

Históricas[editar | editar código-fonte]

Influenciados pelo calvinismo no século XVI, surgiram os puritanos na Inglaterra, e daí os presbiterianos, principalmente na Escócia, depois nos Estados Unidos e demais nações por estas evangelizadas. Dentre os puritanos, influenciados pelos menonitas neerlandêses do século XVII, os batistas surgiram na Holanda e se espalharam pelo mundo, inicialmente pela Inglaterra e, mais tarde, através dos Estados Unidos através de seus missionários.

Influenciada pelo arminianismo no século XVIII, a vertente wesleiana do avivamento metodista britânico, que também deu origem à Igreja Metodista nos Estados Unidos por meio do Grande avivamento, originou o "Movimento de Santidade" durante o Avivamento evangélico do século XIX.

Atual[editar | editar código-fonte]

As igrejas episcopais, pertencentes à Comunhão Anglicana encontram-se divididas em dois movimentos que tornaram-se conhecidos como "Sul Global", evangélico e neoevangélico, e "Norte Global", liberal. Formalmente unidos na figura do arcebispo da Cantuária, líder tanto da Igreja da Inglaterra quanto da Comunhão Anglicana, têm-se separado paulatinamente desde que, contrariando as orientações estabelecidas na Conferência de Lambeth precedente, a Igreja Episcopal dos Estados Unidos consagrou um bispo homossexual praticante.

A cisão não se consumou, mas as tensões se acumulam. O arcebispo da Cantuária Rowan Williams em 2011, liberal, busca preservar a união das duas correntes, sob pena de dividir a comunhão num setor de elite, liberal e ocupando as dioceses mais tradicionais e importantes, mas declinantes, principalmente no hemisfério Norte, e noutro popular, dinâmico e crescente, principalmente no hemisfério Sul. Visto que as maiores contribuições e grande parte da participação popular, mesmo no Reino Unido, vêm do setor evangélico, identificado com o Sul Global, tal divisão poderia representar o fim do estabelecimento da Igreja Anglicana como religião de estado do reino da Grã-Bretanha e, portanto, o que favoreceria o republicanismo, dado que o monarca inglês perderia uma de suas principais atribuições simbólicas, a de líder da Igreja da Inglaterra.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O episcopalismo pertencente à Comunhão Anglicana apresenta-se no Brasil sob três vertentes. Uma é a de imigrantes japoneses convertidos por missionários episcopais em seu país de origem antes da emigração, que transplantaram para o Brasil sua prática religiosa e se integraram à província episcopal do Brasil comportando-se numa linha liberal e noutra carismática. Outro grupo é formado por imigrantes ingleses, fortalecidos pela grande presença de trabalhadores temporários de mesma origem durante o apogeu da influência britânica no Brasil, entre os meados dos séculos XIX e XX, e que resultou em conversões de brasileiros que hoje formam a principal influência da província do Brasil; finalmente, outra linha de convertidos, neoevangélicos e carismáticos, sob a liderança do bispo episcopal de Recife, Robinson Cavalcanti, que se ligou ao movimento do Sul Global desligando-se da província do Brasil e ligando-se à província do Cone Sul, evangélica.

Ver também[editar | editar código-fonte]